Empresários pedem mudanças nos programas ocupacionais

Os empresários do setor da construção civil, hotelaria e restauração defendem uma alteração dos programas ocupacionais na Região, alertando que existe falta de recursos humanos disponíveis para trabalhar.

Alexandra Bragança, presidente da Associação dos Industriais de Construção Civil e Obras Públicas dos Açores (AICOPA), destaca que o setor vive uma “grande angústia relacionada com a falta de mão de obra”.

“Existe a previsão de investimentos do Plano de Recuperação e Resiliência e do novo quadro comunitário de apoio, mas estamos apreensivos se vamos conseguir responder a todas as solicitações”, avisa Alexandra Bragança.

O setor da construção civil perdeu muitos trabalhadores na Região, durante o período da Troika, sentindo agora falta de trabalhadores na Região, com formação especializada ou indiferenciados.

“As políticas sociais precisam de ser alteradas. Quem está em programas ocupacionais precisa de ser libertado para o mercado de trabalho. O setor produtivo está a necessitar de mão de obra”, frisa a presidente da AICOPA.

Caso não exista uma alteração no modelo de funcionamento dos programas ocupacionais, a solução será retomar a contratação de mão de obra no exterior.

“Se o número de trabalhadores não for suficiente para os trabalhos em curso, vamos precisar de importar trabalhadores, como já fizemos no passado”, refere Alexandra Bragança.

O mesmo problema também é sentido na área da restauração, segundo Cláudia Chaves, presidente da delegação da Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal (AHRESP) nos Açores.

“Não existe ninguém com formação na área da restauração disponível nas agências de emprego. É preciso direcionar mais pessoas para este setor e aumentar a formação”, defende a representante da restauração na Região.

Fernando Neves, representante da Associação da Hotelaria de Portugal nos Açores, reconhece que, devido à pandemia, houve trabalhadores que transitaram para outras atividades.

“Agora temos um problema com a falta de recursos humanos qualificados e pessoas disponíveis para entrar para este setor. É uma situação que precisa de ser resolvida, porque existe a possibilidade do serviço turístico ser colocado em causa”, aponta.

O representante do setor da hotelaria nos Açores defende ser necessário “qualificar as pessoas, que estão nas agências de emprego, para uma formação na área da hotelaria e restauração”, mas também defende a criação de um programa para o regresso dos emigrantes dos Açores.

“O problema demográfico não será resolvido como desejamos. Será necessário pensar em outras soluções para resolver a falta de recursos humanos. Precisamos de promover o regresso de alguns açorianos que tiveram a necessidade de sair para outros países. Devemos pensar em criar condições para ajudar essas pessoas a voltarem à sua terra natal”, sugere Fernando Neves.

A falta de recursos humanos na hotelaria, no futuro, pode obrigar os empresários a procurarem contratar trabalhadores no exterior.

“A curto prazo vamos ter de importar mão de obra, inclusivamente, com apoios para recebermos trabalhadores”, indica Fernando Neves.

O representante da Associação da Hotelaria de Portugal considera que deve existir uma aposta da Região na qualificação de pessoas para o setor do turismo, porque existe uma empregabilidade elevada e vencimentos ajustados à formação.

“As pessoas quando forem qualificadas, podem ter a possibilidade de garantir condições de remuneração mais atrativas. Vão ficar mais produtivas e podem receber um ordenado mais elevado”, sustenta.

Mais de quatro mil açorianos estão inseridos em programas ocupacionais

Os dados estatísticos do Governo Regional dos Açores revelam que existiam 4.347 açorianos inseridos em programas ocupacionais, em junho de 2021.

Estavam incluídos nesses programas 1.984 homens e 2.363 mulheres, através dos programas PROSA, FIOS, CTTS, Berço de Emprego e SEI.

A informação divulgada pela Direção Regional de Qualificação Profissional e Emprego, referente a junho de 2021, revela haver ainda 3.300 açorianos a desenvolverem projetos de estágio, em contexto real de trabalho, com destaque para o Estagiar L e T. Existem ainda mais 422 açorianos inseridos em programas de formação.

Em junho estavam inscritos nas agências de emprego 6.550 açorianos.


Fonte: Açoriano Oriental