Custo dos materiais de construção põe em risco PRR

A Associação dos Industriais de Construção Civil e Obras Públicas (AICOPA) alerta que, com o aumento do custo dos materiais de construção, podem surgir concursos com preços base irrealistas, o que, do ponto de vista dos empresários, coloca em risco a execução do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) e dos fundos europeus.

Como explica a direção da AICOPA, concursos com preços base irrealistas podem ficar desertos ou serem ganhos com “propostas anormalmente baixas, o que irá provocar um aumento da litigiosidade, que terá consequências graves na execução do PRR e do próximo ciclo comunitário”.

Segundo os empresários do setor da Construção, estamos perante “um ciclo de subida, abrupto, dos preços dos materiais de construção, alguns com aumentos acima dos 30%, assim como do seu transporte, além da dificuldade acrescida das empresas da Região em fazer chegar os materiais de forma a poderem concluir as obras dentro dos prazos, facto este que ficou ainda mais evidenciado pela pandemia”.

Além disso, a AICOPAestima que o custo da mão-de-obra no setor “venha a subir abruptamente, a par da subida do preço dos materiais, pelo facto de existir uma grande carência de mão-de-obra qualificada”.

Tendo em conta estes constrangimentos, a AICOPA sublinha que, “apesar das recentes alterações ao Código dos Contratos Públicos, de modo a agilizar a execução dos fundos comunitários, o facto de não se ter alterado a fórmula para a conceção do preço base continua a traduzir-se numa grave preocupação, além do facto do critério do preço ter um peso importante na seleção das propostas”.

A associação que representa os empresários da Construção salienta que a Comissão Europeia “colocou a Construção e o Imobiliário e o investimento público no centro da estratégia de recuperação e resiliência” e, por essa razão, “a dificuldade de mão-de-obra que existe em Portugal não deverá ser resolvida pelo regresso de trabalhadores que estão atualmente em países como a Alemanha, Espanha ou França”, uma vez que será necessária nestes países europeus. E não é esperado que “os preços do ferro, alumínio, madeira, betumes ou do aço regressem aos valores que tinham há pouco mais de um ano, mesmo depois de se normalizar as dificuldades logísticas que aumentaram os fretes marítimos”. Entre abril de 2020 e abril de 2021, a cotação de determinados tipos de aço registou aumentos de 203%, a cotação do cobre cresceu 85%, do níquel 40% e do estanho 62%.

A AICOPA diz, por isso, que é “urgente” resolver os constrangimentos identificados, “de modo a não comprometer a desejada retoma da economia”.


Fonte: Açoriano Oriental