Pandemia leva à redução de pessoal em 25% das empresas

Dados do Inquérito Rápido e Excecional às Empresas revelam que 25% das empresas da Região reduziram o número de pessoas ao serviço na primeira quinzena de julho. Destas, 21% declarou que a diminuição foi superior a 75% dos trabalhadores.

Em altura de retoma económica, 98% das empresas açorianas revelaram ter-se mantido em produção ou em funcionamento, mesmo que parcialmente, na primeira quinzena de julho.

Contudo, 25% das entidades que responderam ao Inquérito Rápido e Excecional às Empresas (IREE) admitem ter reduzido o número de pessoas ao serviço face a uma situação expectável sem pandemia.

Os dados divulgados esta semana pelo Serviço Regional de Estatística dos Açores (SREA), em parceria com o Banco de Portugal e o Instituto Nacional de Estatística, revelam ainda que, destas, 21% declarou que a diminuição corresponde a mais de 75% dos trabalhadores e que apenas 15% confirmou que a redução foi de menos de 10%.

Relativamente à existência de funcionários em teletrabalho, 69% das empresas açorianas referiu não ter pessoas nesse regime. Dos restantes 29% que indicaram ter pessoal ao serviço em teletrabalho, 16% afirmou que atualmente são menos de 10% que se encontram nesse regime.

Já em presença alternada nas instalações da empresa, 39% admitiu ter recorrido a essa hipótese, apesar de apenas 5% afirmar ter mais de 75% dos funcionários nesse regime.

Os dados do Covid-IREE revelam também que a pandemia teve um impacto significativo no volume de negócios de 63% das empresas açorianas na primeira quinzena de julho, sendo que 18% registou uma diminuição acima dos 75%.

Por oposição, 8% verificou um aumento no volume de negócios, valores muito semelhantes aos registados a nível nacional.

Quanto à importância das medidas mitigadoras da Covid-19 disponibilizadas pelo executivo, o inquérito do SREA demonstra que, no início deste mês, 48% das empresas indicaram que o acesso a novos créditos com juros bonificados ou garantias do Estado foi a que teve mais impacto.

Além desta, 35% afirma ter sido determinante o recurso a moratórias ao pagamento de juros e capital de créditos já existentes, enquanto 33% aponta o ‘lay-off’ simplificado como uma medida essencial. A suspensão do pagamento de obrigações fiscais e contributivas também foi muito valorizada por 25% das empresas respondentes.

Quanto ao tempo que seria expectável as empresas permanecerem em atividade numa situação de ausência de medidas adicionais de apoio à liquidez, 51% das entidades revelaram que aguentariam mais de seis meses em atividade. Contudo, 11% revelou que encerraria em menos de um mês.

O Covid-IREE questionou ainda as empresas sobre a evolução dos preços dos bens e serviços praticados, tendo a maioria (76%) respondido que se mantiveram. Apesar disso, 9% admitiram ter aumentado os preços e 14% revelou ter diminuído na primeira quinzena de julho.

De referir que a esta edição do inquérito Covid-IREE, que deverá ser a última, responderam 81 empresas dos Açores, tendo sido obtidas 62 respostas válidas.
O SREA ressalva, no entanto, que os dados apresentados para os Açores não devem ser extrapolados, tendo em conta serem baseados apenas nas respostas obtidas.

 

10% das empresas diminuíram o número de funcionários desde março

Segundo o Covid-IREE, desde o início da pandemia decretada a 11 de março, 86% das empresas que responderam ao inquérito revelaram que mantiveram o número de pessoas ao serviço. Contudo, 10% das entidades viram-se obrigadas a diminuir os trabalhadores e apenas 3% afirma ter tido necessidade de aumentar.

Caso não tivessem recorrido ao ‘lay-off’ simplificado, 69% das empresas indicam que teriam diminuído o número de funcionários.

Com as alterações anunciadas para o ‘lay-off’, 31% das entidades pretende manter o recurso a essa medida ou recorrer ao apoio à retoma progressiva, enquanto 38% afirma que já não estará em ‘lay-off’ nem pretende recorrer a nenhum dos apoios adicionais.

Relativamente às previsões até ao final do ano, a maioria das empresas (90%) planeia manter os postos de trabalho, enquanto 2% pensar em diminuir e 8% pondera aumentar.


Fonte: Açoriano Oriental