Economia

Chuva de críticas à política de turismo

  • 16 de Outubro de 2009
  • 193 Visualizações, Última Leitura a 20 Setembro 2017 às 00:29
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A V Bienal de Turismo Rural Atlântico começou com críticas severas ao Governo Regional por parte de um dos oradores. Pierluigi Bragaglia diz que os investimentos são mal aplicados na Região.

Pierluigi Bragaglia foi o primeiro a intervir no debate de abertura do V Bienal de Turismo Rural Atlântico, que decorre até amanhã nas Velas, em São Jorge. Empresário ligado a este sector do turismo, o historiador italiano, que reside na ilha das Flores há cerca de duas décadas não poupou críticas ao executivo açoriano na sua intervenção.

Foi com o mote “Um olhar para dentro”, que o primeiro debate do evento focou temas como os trilhos pedestres, o mar, a genealogia ou a fortificação da idade moderna nos Açores. Pela primeira vez em cinco edições da bienal, a discussão contou com as intervenções de três historiadores, Pierluigi Bragaglia, Pedro Medeiros, da Biblioteca Pública e Arquivo de Ponta Delgada, e Sérgio Rezendes, do Museu Militar dos Açores.

Sem papas na língua, Pierluigi Bragaglia não se intimidou com a presença de representantes governamentais e criticou a forma como o executivo tem investido no turismo. Para o historiador “os dois pilares do turismo açoriano são o mar e os trilhos pedestres”. Factores, que Bragaglia considera mais do que suficientes para atrair turistas. “Não é preciso inventar especializações no turismo açoriano”, criticou.

MAR

Para o empresário a solução passa por um maior investimento do executivo nestas áreas, mas adequado ao turismo rural. Pierluigi Bragaglia lamenta que não existam transportes marítimos eficientes na Região. “Hoje em dia só se chega às ilhas de avião ou através do incipiente turismo de cruzeiros. E oxalá permaneça assim, incipiente”, frisou.

O historiador italiano foi muito crítico em relação ao turismo de cruzeiros. “Para que é que serve ter alojamento rural se os turistas ficam nos cruzeiros? Para que é que serve ter trilhos pedestres se eles não têm tempo para os fazer?”, questiona. “O turismo rural nada tem de compatível com os cruzeiros”, sublinhou.

Quanto ao transporte marítimo entre ilhas, Bragaglia ironizou os percalços decorridos neste verão e salientou que ainda não existem horários para 2010. O empresária fala em falta de organização.

TERRA

Segundo Bragaglia, a maioria dos turistas procura os Açores pelos seus trilhos pedestres. O empresário salienta ainda que de acordo com um inquérito realizado aos passageiros da SATA, 85% dos passageiros procura a actividade. “Temos de ter em atenção as preferências dos turistas”, foca.

Também nesta área, o historiador nota falta de intervenção do Governo Regional. Pierluigi Bragaglia considera que o investimento na manutenção de trilhos e na criação de novos percursos “ficou aquém do esperado”. “Existem apenas quatro trilhos sinalizados nas Flores, quando podiam existir 20 ou 30”, aponta.

Bragaglia salienta mesmo que não seriam necessárias grandes verbas para dinamizar os trilhos da Região. O empresário lançou uma sugestão para o fazer: criar programas de voluntariado para jovens estudantes, que prestariam serviços, em troca de alojamento e alimentação. O historiador pediu ainda legislação que proíba a utilização de motos de quatro rodas nos percursos pedestres.

Para Pierluigi Bragaglia o dinheiro do executivo açoriano está a ser mal gasto. “Cuidado com os investimentos”, alerta. O problema do turismo açoriano, segundo o historiador, não está na falta de verbas, mas na má escolha de investimentos. “Falta mais vontade da parte dos governantes. Estas verbas gastam-se. Algumas em obras emblemáticas que não trazem benefícios”, acusa.

O empresário acredita que se os Açores explorassem estas actividades poderiam estar no topo das escolhas dos turistas da Europa. “Nós tínhamos oportunidade de ser um destino de referência a nível europeu”, defende.

No meio de tantas críticas, Bragaglia congratulou a última campanha promocional interna do executivo, que foi dirigida aos açorianos, pela primeira vez, como incentivo à hospitalidade e bom relacionamento com os turistas.

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