Economia

Projectos não chegam três anos depois

  • 2 de Outubro de 2009
  • 195 Visualizações, Última Leitura a 20 Agosto 2017 às 08:00
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Com dois presidentes e em três anos de existência, a APIA, cujo novo homem forte tomou ontem posse, não conseguiu cativar investimento externo para os Açores.

Volvidos três anos, a Agência para a Promoção do Investimento dos Açores (APIA) não conseguiu materializar um único projecto para o arquipélago. O economista Gualter Couto, que ontem foi empossado como novo presidente do conselho de administração da APIA, refere que havia uma carteira de projectos que entretanto foram congelados devido à recessão económica.

“Por enquanto, não existe nenhum processo real, concreto, de efectivo investimento para os próximos tempos. Existe uma carteira de projectos que com a actual crise acabaram por recuar”, explicou, admitindo que a APIA ainda não teve a visibilidade desejada. Gualter Couto, que será acompanhado no conselho de administração por Lígia Correia e Erico Tavares, considera que a agência de investimento “é relativamente jovem”.

Acresce que “no seu processo de formação apanhou com uma das piores crises financeiras e económicas mundiais”. Na Região, há quem defenda que o investimento externo deverá ser canalizado, de forma indirecta, através da entrada no capital social de empresas saudáveis como a SATA ou EDA.

Gualter Couto, confrontado pelo AO com esta tese, é apologista que se capte investimento externo junto dos empresários locais, o que “não tem sido feito, até ao momento, com sucesso”. Confrontado sobre se o que está mal na APIA são os protagonistas ou o modelo, Gualter Couto refere que a rotação na APIA se deve a vários factores: “não estão ligados directamente à situação da própria agência tendo, por outro lado, os presidentes anteriores manifestado vontade de sair”.

Gualter Couto, na tomada de posse defendeu que se está a abrir um “novo ciclo” para a APIA, cujo sucesso depende do envolvimento de todos os agentes económicos. Admite que a visibilidade da agência de promoção de investimento “não foi a mais desejável até ao momento” e deixou a mensagem que os Açores “ainda são um diamante em bruto”.

O secretário regional da Economia, que tutela a APIA, revelou por seu lado que o Governo pretende promover um “conjunto de novas dinâmicas e prioridades adequadas”, visando “vencer os desafios que resultam, não só, mas também, da situação económica e financeira que se vive a nível nacional e internacional”.

Vasco Cordeiro defendeu ainda que a Região “tem um enorme potencial que importa libertar e aproveitar” em áreas como as energias alternativas, o posicionamento estratégico e as novas tecnologias, de forma particular as que se relacionam com o mar, como a biotecnologia.

Está assim aberto mais um ciclo de vida na APIA, que tem sido contestada pela ausência de resultados.

Os 300 milhões que se esfumaram

Em 15 de Outubro de 2007, o vice-presidente do Governo dos Açores declarou que o montante global de investimento externo nos Açores atingia os 300 milhões de euros.

Sérgio Ávila falava na assinatura, na ilha Terceira, de um protocolo de colaboração entre a Agência para a Promoção do Investimento nos Açores (APIA) e a empresa Angrasol - Hotelaria e Comércio S.A.

Sérgio Ávila sublinhou, na altura, que os investimentos estrangeiros em causa “já se encontram numa fase muito promissora de avaliação e/ou contratualização”.

O “ vice” do Governo afirmou que “investimentos até agora previstos no âmbito dos contactos desenvolvidos pela Agência para a Promoção do Investimento dos Açores, APIA, abrangem diversas áreas, nomeadamente, o turismo, a gestão e valorização de resíduos, a agricultura e as pescas, as energias alternativas, o ensino, o turismo sénior e os cuidados de saúde para idosos.

Passados dois anos, Gualter Couto teve como primeira missão, como presidente do conselho de administração da APIA, informar que não há qualquer projecto no terreno. Gualter Couto é a aposta de Vasco Cordeiro, chegado nesta legislatura ao Governo, para revitalizar a agência de investimentos.

Para trás ficaram Monteiro da Silva e Álvaro Dâmaso, duas figuras perfeitamente identificadas com a economia e as finanças portuguesas. E o novo presidente da APIA teve oportunidade de salvaguardar que a génese do problema da APIA nada tem a ver com os protagonistas.

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