Economia

Governo diz que só 15 mil trabalhadores recebem menos de 600 euros

  • 18 de Setembro de 2009
  • 164 Visualizações, Última Leitura a 18 Agosto 2017 às 16:08
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O director regional do Trabalho, Qualificação Profissional e Defesa do Consumidor nega que metade dos trabalhadores açorianos por conta de outrem receba menos de 600 euros por mês.

Em declarações ao DI, a propósito da divulgação de dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) sobre o emprego no 2º trimestre de 2009, Rui Bettencourt alega que apenas 27 por cento desse universo aufere menos que 120 contos mensais (na moeda antiga).

Além disso, o responsável governamental diz que os dados publicados pelo INE (citados por DI na edição de ontem) não correspondem à realidade do mercado do trabalho insular.

“O INE realiza estes inquéritos ao emprego com base em amostras. Como os Açores representam um universo pequeno, é fácil que os dados estejam distorcidos. Não temos dimensão para analisar a realidade açoriana com base em amostragens”, considera Rui Bettencourt.

Segundo o INE, o número de trabalhadores por conta de outrem (trabalho prestado a empresas com base num contrato) nos Açores, no 2º trimestre de 2009, ascendia aos 89 100. E destes, 48 600 recebem menos de 600 euros por mês.

Fora da realidade

Em declarações ao DI, Rui Bettencourt recorreu às estatísticas relativas aos quadros de pessoal das empresas açorianas referentes a 2008, alegando que o número de trabalhadores por conta de outrem nos Açores é de 57 559, e não se 89 100 como foi referido pelo INE.

“Na Região, trabalham 112 596 pessoas. Dessas, 57 559 fazem-no por conta de outrem. Depois, temos cerca de 30 mil funcionários públicos – universo que resulta da soma da Administração Regional, da Função Pública do Estado, das Autarquias, forças de segurança, etc. Depois, temos cerca de seis mil empresários, trabalhadores por conta própria e, por exemplo, os funcionários portugueses da Base das Lajes, que não estão incluídos nestas estatísticas”, explica.

Segundo os dados sobre os quadros de pessoal nos Açores relativos a 2008 (publicados pelo Observatório do Emprego e da Formação Profissional), trabalham para as empresas na Região 57 559 indivíduos: 1 922 são patrões, 42 são trabalhadores familiares não remunerados, 54 910 são trabalhadores por conta de outrem, e 680 encontram-se noutras situações laborais.

Rui Bettencourt, em declarações ao DI ontem à tarde, salienta que do universo de trabalhadores por conta de outrem nas ilhas, apenas 15 946 auferem menos de 600 euros por mês (27 por cento).

“Além disso, é errada a informação veiculada pelo INE sobre o número de trabalhadores a receber o salário mínimo”, refere.

O INE revela que 3 100 trabalhadores açorianos por conta de outrem recebem menos de 310 euros por mês.

“Não há nenhum trabalhador a receber abaixo do salário mínimo regional, que é de 472 euros. Tivemos, em 2008, pouco mais de 5 500 trabalhadores a receber o salário mínimo regional. Mesmo com os descontos, esses trabalhadores não recebem 310 euros”, sublinha.

Salário médio

O director regional do Trabalho, Qualificação Profissional e Defesa do Consumidor afirma também que o salário médio na Região em 2008 foi de 901,44 euros, contrariando os dados revelados pelo INE: 694,00 euros.

O INE revela, no mesmo estudo - a que DI teve acesso - que os salários mensais médios na Agricultura foram de 494 euros, na Indústria e Construção 625 euros e nos Serviços 739 euros.

Os dados do Observatório Regional do Emprego e Formação Profissional (que, no caso dos ganhos médios, inclui os valores referentes à Função Pública, Educação e forças de segurança) indica, por exemplo, que no caso da Agricultura, o ganho médio mensal é de 666,01 euros. E que, no caso da Indústria e Construção, o valor médio é de 848,51 euros.

Segundo Rui Bettencourt, em 2008, estavam sedeadas nos Açores 6 267 empresas, mais quatro por cento dos que as sedeadas no ano anterior.

Segundo os quadros de pessoal relativos a 2008, do universo empresarial sedeado nas ilhas, 5 140 empresas têm menos de dez trabalhadores e dez têm 500 ou mais trabalhadores.

O maior número de empresas, segundo a mesma fonte, labora no sector dos Serviços.

Explicações

Perante as diferenças de valores entre as estatísticas do INE e do Observatório Regional do Emprego e Formação Profissional, DI solicitou, junto do gabinete de comunicação do INE, explicações sobre os dados revelados nas Estatísticas do Emprego relativas ao 2º trimestre de 2009.

Até ao fecho desta edição, essas informações não foram facultadas.

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