Economia

BCE defende "regresso célere" à consolidação orçamental sem aumento de impostos

  • 10 de Setembro de 2009
  • 192 Visualizações, Última Leitura a 23 Agosto 2017 às 00:41
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O Banco Central Europeu (BCE) considera que os Governos da zona euro devem "assegurar um regresso célere" às políticas de consolidação orçamental, melhorando as contas pública sem recorrer a aumentos de impostos e contribuições sociais.

No Boletim Mensal, a instituição liderada por Jean-Claude Trichet confirma que a situação orçamental dos países da União Europeia deteriorou-se "substancialmente" este ano e prevê que a situação se mantenha em 2010. Ainda assim, o BCE considera que os países não devem esperar pela recuperação económica para reequilibrarem as contas públicas, devendo iniciar o processo antes ou na altura da inversão do ciclo económico.

Este processo, continua o BCE, deve garantir um ajustamento anual de, pelo menos, um por cento do PIB (o Pacto de Estabilidade e Crescimento prevê um valor de 0,5 por cento) e as medidas para isso devem ser alcançados através da redução da despesa e não do aumento dos impostos, uma vez que, segundo o BCE, na maioria dos países da zona euro os impostos e as contribuições sociais "já são elevados".

No documento hoje divulgado, o BCE prevê também uma recuperação "irregular" da economia europeia e alerta que é necessário um cuidado especial a interpretar as informações disponíveis devido à elevada incerteza e à volatilidade dos indicadores.

A instituição afirma que existem sinais crescentes de estabilização da actividade económica dentro e fora da zona euro, perspectivando agora um "período de estabilização e uma recuperação muito gradual".

A recuperação das exportações, os pacotes de estímulo às economias e as medidas para restabelecer o sistema financeiro deverão continuar a beneficiar a zona euro no curto prazo, com o BCE a destacar que as medidas de estimulo macroeconómico deverão ainda ter um efeito mais forte que o previsto a nível global.

O banco central projecta também que a confiança "aumente mais rapidamente", que a deterioração do mercado de trabalho seja "menos acentuada do que o esperado" e a procura externa "mais forte que o projectado".

Apesar das previsões positivas, há ainda áreas muito fragilizadas, com as preocupações a centrarem-se nas reacções negativas mais fortes na economia real e o nervosismo dos mercados financeiros, devido aos recentes aumentos das matérias-primas e à intensificação das medidas proteccionistas.

A inflação deverá ainda continuar a recuperar, impulsionada sobretudo pelo aumento dos preços das matérias-primas e pela recuperação da actividade económica.

Para as famílias, as notícias poderão não ser tão boas, já que o Banco Central Europeu projecta ainda um aumento maior que o esperado dos impostos indirectos e dos preços administrados devido à necessidade de consolidação orçamental, após os desequilíbrios das contas públicas provocados pelos sucessivos pacotes de estímulo aplicados nas respectivas economias.

A instituição perspectiva também a manutenção do reduzido fluxo de crédito às empresas, recomendando ainda aos bancos para reforçar as suas bases de capital e que utilizem os apoios estatais se necessitarem de se recapitalizarem.

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