Economia

Câmara do Comércio desenvolve programa de "Requalificação da Imagem"

  • 12 de Agosto de 2009
  • 168 Visualizações, Última Leitura a 19 Agosto 2017 às 18:33
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A Câmara do Comércio de Angra do Heroísmo (CCAH) está a levar a cabo um projecto que visa a requalificação das pequenas e médias empresas (PME) açorianas. Este programa financiado pelo Quadro de Referência Estratégico dos Açores (QRESA) tem como objectivo principal incutir qualidade, inovação, diversificação, diferenciação e competitividade às empresas e produtos das ilhas Terceira, Graciosa e São Jorge.
  
Os mercados estão em mudança e são cada vez mais competitivos. Se é verdade que a abertura das fronteiras trouxe uma série de novos concorrentes, também não é menos verdade que abriu um mundo de novas oportunidades aos empresários. Para isso é necessário que as empresas inovem e se preparem para as novas exigências. Nesse sentido a Câmara do Comércio de Angra do Heroísmo está a levar a cabo um projecto designado “Requalificação das PME Açorianas”.

Os objectivos estão bem definidos: “incutir a qualidade, a inovação, a diversificação, a diferenciação e a competitividade” nas empresas, pretendendo que este seja “um caso piloto nas ilhas Terceira, Graciosa e São Jorge, mas que se possa alargar às outras ilhas nos próximos anos”. O caminho não é simples nem fácil, mas a CCAH tem uma rota bem traçada, que passa por uma tomada de consciência da mais-valia e importância que representa a imagem e a qualidade dos produtos e serviços açorianos.

O projecto envolve um programa de requalificação de imagem, dividido em duas fases. A primeira traduz-se num workshop de sensibilização e programa de intervenção nas empresas (que engloba auditoria, formação, planeamento, monitorização e implementação), seguindo uma seria de visitas exploratórias a outros mercados, como Gilroy, na Califórnia (já realizada), possivelmente Angola e Macau.

Ferramenta de inovação

O projecto de Requalificação das PME Açorianas tem um sentido único: ser uma ferramenta importante no processo de desenvolvimento e expansão das empresas locais. O principal objectivo está em avaliar as problemáticas que as empresas encontram no seu dia-a-dia e tentar abrir caminhos de conhecimento suficientes para os empresários inovarem, evoluírem e expandirem.

Nesse sentido a CCAH pretende promover iniciativas que estimulem a actividade das empresas ao nível da internacionalização e da atitude exportadora dos seus produtos, desenvolver acções que visem criação de abordagem a novos mercados, abrir horizontes a empresas com pouco “know-how” de exportação, fomentar a componente da qualidade, inovação, capacidade tecnológica e de design, melhorar as técnicas comerciais e de marketing, envolvendo a marca Açores.

Na prática o programa vai ajudar os empresários a identificar oportunidades de negócio, ajudar à penetração das empresas nos mercados alvo, vai permitir um levantamento de informações de carácter prático (hábitos de consumo, estruturas de compra, etc), apoiar à exportação e parcerias entre empresas açorianas e dos mercados alvo e colocar os empresários em contacto com as mais recentes tecnologias, metodologias e processos dos seus ramos de actividade, para que possam ser mais competitivos e solucionar alguns dos problemas actuais.

Processo de requalificação

O programa está divido em fases. Inicialmente vai realizar-se um workshop de sensibilização que consiste numa palestra, onde um orador vai aprofundar os temas “a importância da marca” e como iniciar um processo de exportação”. Depois segue-se uma maratona de entrevistas individuais aos empresários para um pré diagnóstico e despiste de potenciais interessados.

Numa segunda fase terá lugar o programa de intervenção. Aqui as empresas interessadas passam por varias etapas. Primeiro serão alvo de uma auditoria, para que se conhecer o estado real das empresas e o seu potencial de posicionamento no mercado, depois segue-se a formação, o planeamento das estratégias a aplicar e finalmente a monitorização da implementação desse mesmo plano.

A CCAH tem também em vista um conjunto de visitas exploratórias a outros mercados. Estas visitas tem duas vertentes essenciais, aprender com exemplos de sucesso de outras empresas e conhecer o potencial de mercados emergentes para exportação. Gilroy, na Califórnia, foi uma das visitas exploratórias já efectuadas, que levou aquela cidade americana os produtores de alho da Graciosa. Seguem-se visitas a Angola e possivelmente Macau.

Os alhos da Graciosa

São poucos os produtos nos Açores com certificação europeia de origem controlada. Os alhos da Graciosa são um desses raros produtos. A realidade da produção do alho no entanto tem vivido dificuldades que os produtores não estavam a conseguir solucionar sozinhos. Inserido neste programa, a cooperativa em conjunto com a CCAH, através do seu núcleo da Graciosa, realizou uma visita exploratória a Gilroy, denominada “capital mundial do alho”.

“Esta visita foi de uma importância vital para o desenvolvimento da cultura do alho na Graciosa. Lá, junto das empresas de sucesso do sector, aprendemos novas técnicas que vão facilitar em muito a produção e tomamos conhecimento de novas formas de comercializar o alho, enquanto produto transformado”, explica Carlos Brum, responsável do núcleo da CCAH na Graciosa.

Na prática os produtores descobriram em Gilroy tecnologia que permite descascar o alho de forma simples e rentável e novas metodologias de armazenamento e secagem. Este foi um passo muito importante que se traduziu já num aumento da área de cultivo do alho para o dobro.

A Graciosa que era responsável por 1% de toda a produção de alho nacional, viu esse número crescer para os 2%, e encontra no alho transformado, um leque de produtos que permitem crescer ainda mais esta cota de mercado. Também nesse sentido foi muito importante a visita a Gilroy. “Junto das empresas americanas vimos exemplos de aplicações que ate desconhecíamos. De certa forma aprendemos como rentabilizar ao máximo o produto através da transformação, fugindo ao artesanal processo de comercialização do alho em restas”, destaca o responsável.

Outra das mais-valias foi a troca de tecnologia e contactos. Os produtores da Graciosa já trouxeram maquinaria que estão a utilizar na cooperativa e contactos para compra de novas sementes, que vão permitir uma qualidade ainda maior do alho graciosense.

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