Economia

Base das Lajes - Comissário facturou 459 mil dólares/mês

  • 11 de Julho de 2009
  • 217 Visualizações, Última Leitura a 18 Agosto 2017 às 07:02
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A facturação mensal do Comissário na Base das Lajes, em 2005, ascendeu aos 459 mil dólares, segundo informações oficiais norte-americanas. Um valor que provoca as críticas do presidente da Câmara do Comércio de Angra do Heroísmo.
Em declarações ao DI, Sandro Paim diz que o montante revela o dinheiro que o comércio terceirense perde ao não fornecer os militares na base localizada na costa Norte da ilha.

 


“Há muito tempo que vimos criticando o fluxo financeiro que sai da ilha via base das Lajes. É uma parcela de dinheiro muito importante, que as empresas da Terceira perdem devido a este comércio informal. É uma situação que provoca um impacto grave no nosso tecido”, sublinha.

 


O Comissário é uma das várias superfícies comerciais existentes no interior da base (ver caixa), direccionada para o abastecimento dos militares e familiares.
Além desta, a base conta com as cantinas BX, uma “shoppette”, dois snack-bar, uma estação de serviço auto e uma oficina auto, uma lavandaria, um bowlling, uma casa económica, uma loja de artigos de recreio, entre outros estabelecimentos comerciais.

 

Impostos

 

Em declarações ao DI, o presidente da Câmara do Comércio de Angra do Heroísmo duvida que o valor da facturação mensal média do Comissário nas Lajes (números a que DI teve acesso) represente apenas compras dos militares e familiares.
“O Acordo da Base das Lajes define que essas zonas comerciais no interior da base têm por destinatários os militares e os seus familiares. Contudo, sabemos que não são só estes que ali consomem. Aliás, duvido que a base tenha tantos familiares e militares que, num mês, consumam 459 mil dólares de produtos”, diz.

 


Sandro Paim defende que as vendas a portugueses devem estar sujeitas a impostos.
“Os comerciantes na ilha pagam IVA e IRC. Porque estes estabelecimentos não paguam? Em nosso entender, ou se proíbe o acesso português a estas lojas, que foram constituídas para os norte-americanos. Ou então elas são abertas a todos e sujeitas aos impostos nacionais. Caso contrário, o comércio terceirense continuará a ser alvo de concorrência desleal”, diz o representante do tecido empresarial terceirense.

 

Beneficiários

 

Além dos militares e familiares americanos na base das Lajes, o acesso aos estabelecimentos comerciais no interior da infra-estrutura militar é concedido a qualquer pessoa por decisão do Comando da Zona Aérea dos Açores.
No entanto, há responsáveis militares e civis a quem não pode ser recusado o acesso, caso, por exemplo, do Representante da República, dos comandantes das zonas militares no arquipélago (Exército, Marinha e Força Aérea) ou dos comandantes da PSP e da Brigada Fiscal.

 


A estes, segundo DI apurou, o acesso é ilimitado.
No caso dos funcionários civis das instituições militares e outros funcionários públicos, o acesso pode ser condicionado, mediante a atribuição de um determinado tipo de cartão (com validade de um dia, com limite de compras, etc). 

 


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Compras 30 por cento mais baratas
do que nos supermercados civis

 

O preço dos produtos vendidos nos comissários norte-americanos (destinados aos militares em serviço, na reserva ou reformados) é, em média, 30 por cento mais baixo do que nos supermercados civis locais, segundo informações recolhidas no sítio da Internet da rede de comissários americanos.

 


A mesma fonte indica que esses descontos são “um dos vários benefícios dos militares” norte-americanos actualmente.
Segundo dados oficiais a que DI teve acesso, o Comissário nas Lajes vende mais de 8500 tipos de produtos, desde artigos de mercearia a equipamentos domésticos, entre outros.

 


Este tipo de estabelecimentos foi fundado em 1825, servindo os oficiais americanos. A partir de 1841, os familiares destes começaram a aceder aos mesmos estabelecimentos. Em 1867, todos os militares acederam a estas lojas.
Actualmente, os comissários providenciam mais de 11 mil itens.
Uma família de quatro pessoas que se abasteça num comissário pode poupar 2700 dólares por ano, segundo contas norte-americanas.

 


As mesmas fontes indicam que, actualmente, a facturação da rede de comissários norte-americanos ascende a cinco biliões de dólares. 

 

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