Economia

Três em cada quatro empresas teme problemas de liquidez

  • 7 de Julho de 2009
  • 216 Visualizações, Última Leitura a 19 Setembro 2017 às 15:13
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Três em cada quatro empresas têm medo que o atraso no pagamento dos suas facturas origine problemas de liquidez, segundo os dados apresentados hoje no estudo Intrum Justitia.

Segundo os dados do último relatório do Índice de Risco Portugal 2009, 90 por cento das empresas inquiridas confirmam que recebem os pagamentos atrasados porque os devedores estão a enfrentar dificuldades financeiras e 77 por cento teme um aumento dos riscos de pagamento durante o próximo ano.

De facto, o estudo conclui que quer os consumidores, quer as empresas estão a demorar mais tempo a pagar as suas contas, permanecendo o nível de incobráveis nos 2,7 por cento, acima da média europeia de 2,4 por cento do volume de negócios.

A "boa notícia" apontada no estudo é que o Estado está a pagar as suas contas com oito dias de avanço face a 2008, embora ainda assim "o tempo para receber um pagamento da parte das entidades públicas portuguesas permaneça elevado".

Relativamente ao balanço da percentagem dos pagamentos recebidos, verifica-se que existem mais facturas a serem pagas dentro do prazo de 30 dias, mas também mais dívidas que permanecem por pagar após os 90 dias.

Como consequência, 66 por cento das empresas inquiridas espera perdas de rendimentos devido a atrasos de pagamentos ou incobráveis e 74 por cento receia pela sua liquidez.

Questionados sobre os efeitos da crise nas suas empresas, a maioria dos inquiridos disse ter verificado uma redução nas vendas e na liquidez, um maior atraso nos pagamentos dos clientes e condições de crédito mais restritivas por parte dos fornecedores.

Para a Intrum Justitia, "tendo em conta a redução nas vendas, menor liquidez e o aumento dos pagamentos efectuados com atraso, os próximos tempos não parecem muito favoráveis para Portugal".

Segundo o director-geral da Intrum Justitia ibérica, Luís Salvaterra, a redução dos prazos de recebimento e dos incobráveis nas pequenas e médias empresas é, por isso, "uma questão de sobrevivência".

Falando em Matosinhos durante a apresentação do "European Payment Index" e do Índice de Risco Portugal 2009, o responsável afirmou que a demora nos pagamentos "é um problema europeu" resultante da "legislação existente e do funcionamento dos tribunais", mas salientou que os procedimentos das próprias empresas não são, por vezes, os mais adequados.

"As empresas começam, por vezes, a tentar cobrar as facturas muito tempo depois [do fim do prazo do pagamento], mas o período de actuação é fundamental porque quanto mais tarde se actuar, mais dificuldades haverá", considerou.

Por outro lado, impõe-se que as empresas analisem "mais frequentemente" as carteiras de risco, monitorizem "continuamente" a capacidade de financiamento dos clientes, contactem o cliente antes da data de pagamento e garantam um acompanhamento directo após a data de vencimento da factura.

A Intrum Justitia recomenda ainda que "as facturas vencidas sejam enviadas para uma entidade externa profissional" e que as empresas se concentrem "nos clientes certos".

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