Economia

Portos açorianos têm de ser estudados

  • 27 de Maio de 2009
  • 277 Visualizações, Última Leitura a 24 Novembro 2017 às 05:26
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O conjunto dos portos dos Açores deve ser estudado, para que se potencie o seu uso interno externo. A reivindicação parte de Ernâni Lopes, antigo ministro das Finanças, e está impressa no estudo “Hypercluster da Economia do Mar”, documento que sinaliza o Atlântico como motor futuro do desenvolvimento nacional e regional.

No documento, é feita a defesa de uma análise pormenorizada às plataformas portuárias regionais, no sentido de serem conhecidos seus pontos fortes e fracos e, a partir daí, a sua exploração num cenário futuro de interligação com as rotas mundiais do transporte de mercadorias.

“Os estudos de mercado para os portos comerciais são realizados por empresas nacionais, espanholas ou multinacionais, existindo ainda a necessidade de um estudo para o conjunto dos portos do continente e para o conjunto dos portos dos Açores, bem como de estudos que analisem, em conjunto, os portos do Norte - Viana do Castelo, Leixões, Aveiro e Figueira da Foz -, que disputam ‘hinterlands’ sobrepostos, e os portos da região de Lisboa e Sudoeste Alentejano - Lisboa, Setúbal e Sines pelo potencial de complementaridade entre eles”, explica o documento.

No retrato da realidade insular, o estudo de Ernâni Lopes destaca Ponta Delgada e a Praia da Vitória.

“Na Região existem dois portos que se distinguem pela sua dimensão: o porto de Ponta Delgada que, com 1,8 milhões de toneladas movimentadas em 2007 e 30 por cento de “saídas”, assegura alguma distribuição (hub) na Região Autónoma, e o da Praia da Vitória, onde das cerca de 800 mil toneladas movimentadas, cerca de 90 por cento correspondem a “entradas”. Dos restantes portos merecem ainda destaque o porto da Horta e o conjunto dos portos do Pico que movimentam valores próximos das 120 mil toneladas. O porto de Ponta Delgada que já reunia a maior parte das visitas de navios de cruzeiros, viu a sua capacidade agora ampliada com a inauguração das “Portas do Mar”. Para apoio à náutica de recreio distinguem-se os portos de Ponta Delgada, Horta, Praia da Vitória e Angra do Heroísmo, existindo ainda alguns apoios noutros locais, designadamente em Vila Franca do Campo e Vila do Porto”, sintetiza o documento.

O estudo realça o papel que os portos regionais e nacionais podem ter nas seis oportunidades futuras detectadas: a vontade dos grandes armadores de reduzirem os percursos em que os navios viajam com os contentores vazios; a ampliação do Canal do Panamá, que vai alterar as ligações Ásia/América do Norte/Europa Ocidental/Ásia; a aposta europeia no transporte marítimo de curta distância; a procura europeia pela segurança energética e o transporte de gás natural; a tendência dos grandes armadores de se tornarem concessionários dos portos ou terminais portuários.

A construção e reparação navais são outra oportunidade que Ernâni Lopes destaca neste estudo, sublinhando que essa indústria tem vindo a aumentar os seus ganhos e a procura.

“Será necessária a reestruturação das empresas e a reconversão de algumas actividades, mas também será essencial identificarem o que poderá ser o seu novo mercado, por captação directa ou através da entrada em redes de estaleiros associados que repartam entre si as actividades existentes no mercado regional (…)”, argumenta o estudo, que dá relevância também ao recreio náutico, onde a travessia do Atlântico pode ser explorada na Região, quer no abrigo dos iates quer na sua reparação.

Neste documento, Ernâni Lopes sublinha que os Açores não podem colocar de lado o potencial económico que o mar representa, quer ao nível portuário, quer de investigação e náutica de recreio e turismo.

Na próxima edição de DI-Revista será publicada uma reportagem sobre o assunto.

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