Economia

Emprego e concorrência seguram preços em alta

  • 19 de Março de 2009
  • 230 Visualizações, Última Leitura a 18 Agosto 2017 às 21:54
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Os preços no consumidor na Zona Euro subiram 1,2% e na União Europeia 1,7%, em Fevereiro, face ao mês homólogo de 2008, com Portugal e Irlanda a registarem a menor subida, de 0,1%.

Em Portugal o índice de preços inverteu a tendência e está muito abaixo da média da Zona Euro e da União Europeia, sendo que apenas a Irlanda apresenta uma taxa semelhante à de Portugal, com Chipre e Espanha a ficarem a alguma distância. Mas, é notório que os Açores têm tido dificuldade em acompanhar a tendência nacional.

Com efeito, em Fevereiro, para além da taxa de variação homóloga que nos Açores se fixou nos 2,3% tendo a nacional atingido 0,1%, também a taxa de inflação média nos Açores se manteve nos 3% enquanto a nível nacional desceu para 2,1%.

Três explicações

Economistas contactos pelo Açoriano Oriental avançam três explicações para o facto de nos Açores os preços se manterem em alta: a influência do emprego na procura interna, a intervenção do Estado (Região Autónoma) na economia e a concorrência.

Relativamente ao primeiro item, os economistas sustentam que em Portugal continental será mais notória a quebra a nível da procura interna devido à situação em que se encontram muitas famílias, até porque a taxa de desemprego é superior à verificada nos Açores.

Portanto, existindo um volume maior de pessoas empregadas e “subsidiadas”, na Região, é natural que tal facto se reflicta positivamente no consumo.

Por outro lado, as nossas fontes consideram que o facto da Região Autónoma ter um peso considerável na economia local poderá também explicar a menor variabilidade dos preços.

É o que se passa, por exemplo, com os combustíveis, que na Região são fixados administrativamente pelo Governo Regional ao contrário do que se passa no continente, com a livre concorrência a ditar alterações “constantes”.

Por último, os economistas consultados pelo “Açoriano Oriental” referem a própria natureza da oferta regional, que em muitos sectores regista fraca concorrência.

Por exemplo, o facto de existirem nos Açores poucas cadeias de hipermercados, ao invés do que sucede no continente, faz com que tendencialmente os preços se mantenham constantes ou até aumentem.

Basta observar os dados do Serviço Regional de Estatística, em que as maiores variações médias (últimos doze meses) ocorreram na classe “Produtos alimentares e bebidas não alcoólicas ” (6,2%).

Também a nível da taxa mensal do índice de Fevereiro, é na classe “Produtos alimentares e bebidas não alcoólicas”, com 0,6%, onde mais se realça o sentido da alta.

Inflação “mais lenta” no arquipélago

A economia açoriana tende a responder mais tarde aos estímulos exteriores, pelo que os resultados da crise nos agentes económicos (o conjunto da sociedade que não se esgota, portanto, nos comerciantes e compradores ), e destes nos preços, se prolonga no tempo.
Segundo apurou o “Açoriano Oriental”, o histórico da inflação nos Açores demonstra que as descidas no continente “são acompanhadas na Região seis meses a um ano mais tarde”.

Ou seja, quando a taxa de inflação a nível nacional “bate no fundo” - para cima ou para baixo - é que começa a notar-se o movimento contrário nos Açores.

O “tempo extra” poderá servir para governantes e governados estudarem a lição.

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