Economia

Produtos açorianos não são devidamente aproveitados

  • 13 de Fevereiro de 2009
  • 254 Visualizações, Última Leitura a 23 Setembro 2017 às 12:43
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Os produtos tradicionais dos Açores não estão devidamente aproveitados e nem todos são regularmente usados numa gastronomia de qualidade, simples e diversificada, alertou ontem o gastrónomo Eduardo Reis.

“Há restaurantes que mantêm a mesma lista há uma década, o que é cansativo não só para os habitantes locais como para quem nos visita pois não ouvem falar nem de inovação nem de diversificação”, sublinhou o gastrónomo.

Eduardo Reis intervinha na apresentação do projecto, apoiado por fundos europeus, “Novos Rumos para a Gastronomia Açoriana”, uma série de 12 programas televisivos (RTP/Açores), radiofónicos (Rádio Horizonte) e edição de um livro multimedia, com receitas executadas com recurso a produtos endógenos dos Açores.

Para o gastrónomo, “é fundamental a inovação, a qualidade e a diversificação” sendo que esta “não tem custos elevados”.

Quanto à inovação propõe que se trabalhe com produtos “frescos, como o peixe que é pescado de noite e pode estar no prato dos clientes ao almoço do dia seguinte”.

Defende que “o peixe não se deve congelar e muito menos por muito tempo” alegando que “a sua frescura até permite servi-lo cru não sendo, por isso, necessário ir ao Japão para o fazer porque sai muito mais caro ao consumidor”.

Já a carne aconselha que “descanse por cinco ou seis dias para que possa ser servida tenra quando as fibras já deixaram de estar tensas”, apurando-se assim “um sabor especial de um bife tirado a um animal criado com erva da pastagem”.

Eduardo Reis preconiza ementas com nomes apelativos como “Empada de Coelho Bravo com Espinafres do Calhau” porque permitem explicar aos turistas que “os espinafres vêm de pedras próximas da costa marítima com aroma a iodo”.

Além disso, acrescenta, “é um nome que permite estabelecer um diálogo entre cliente e funcionário, o que pode valorizar a região”.

Por seu turno, Sandro Paim, presidente da Câmara do Comércio de Angra do Heroísmo, disse que “novas receitas deverão estar a ser usadas nos restaurantes das ilhas até ao próximo mês de Março”.

As mesmas receitas gastronómicas vão ser promovidas no exterior, nomeadamente em feiras de turismo nacionais e estrangeiras onde os Açores marquem presença.

Os responsáveis sublinham que o programa “Novos Rumos para a Gastronomia Açoriana” não significa “uma nova cozinha” mas somente “aconselhar o uso dos produtos tradicionais que são bons e por isso atravessaram os tempos e porque preservam a identidade local”.

Sandro Paim sustentou que “a inovação, a diferença e a diversificação são meios fundamentais para atrair turismo” nacional e estrangeiro.

“A mudança na restauração açoriana é muito lenta atitude que é preciso mudar”, preconizou.

Os programas televisivos vão ser emitidos pela RTP/Açores e na RTP/Internacional, de acordo com o director do canal açoriano Pedro Bicudo, que celebrou para o efeito um acordo de entendimento com a Câmara do Comércio de Angra do Heroísmo.

Eduardo Reis, que profissionalmente é educador de infância, sentiu-se atraído pelos “mistérios e cheiros da cozinha, particularmente a intimista”, sendo também proprietário do bar, o Bodegon do Jazz, onde experimenta os novos sabores.

 

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