Economia

Cultura da vinha deve ser repensada

  • 13 de Fevereiro de 2009
  • 310 Visualizações, Última Leitura a 20 Novembro 2017 às 02:12
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É preciso repensar a cultura da vinha nos Açores, especialmente em ilhas como a Graciosa, onde este sector tem vindo a perder drasticamente terreno.

A opinião é de Luís Vasco Gregório, antigo presidente de Adega Cooperativa da Graciosa, que considera os apoios da Comunidade Europeia e do Governo Regional “positivos”, mas defende que é necessário mais acompanhamento técnico e um estudo aprofundado sobre “qual é o melhor caminho a seguir em termos de cultivo da vinha”.

“O que é preciso é repensar este sector, falar com quem verdadeiramente sabe do assunto, com os investigadores e com os técnicos qualificados. Actualmente temos uma técnica cá, mas a verdade que esta presta mais apoio à adega do que à cultura da vinha em geral. É preciso fazer mais ”, afirma.

A posição do antigo dirigente da adega surge depois da publicação de uma portaria da secretaria regional da Agricultura e Florestas, que fixa apoios para a requalificação e reconversão de vinhas no arquipélago que podem ascender a 75 por cento do total investido.


Luís Vasco Gregório considera os apoios como necessários, mas afirma que é preciso a Região e cada ilha definirem a estratégia que querem seguir. “Os apoios são óptimos, mas a Comunidade Europeia nunca sabe muito bem o que é que quer. Umas vezes é para arrancar, outras é para plantar. Os nossos produtores devem aproveitar as ajudas, bem como outros apoios dados pelo Governo Regional para melhorarem o seu cultivo, de acordo com aquilo que pretendem”, diz.

Os custos da vinha

Ainda na opinião do antigo responsável pela Adega Cooperativa da Graciosa, repensar o sector passa também por contornar aspectos que tornam esta exploração cara.

“Os antigos cultivavam a vinha com meios artesanais, com a navalha... Hoje há uma panóplia de aparelhos sofisticados e, mesmo assim, não se consegue fazer nada. É preciso retirar a necessidade grande de mão-de-obra, porque esta é muito cara e a verdade é que cada vez menos há gente para trabalhar”, considera.

“Na Graciosa, há necessidade de muita mão-de-obra, ao contrário do que sucede no Pico, onde a vinha é cultivada no lajido. Na Graciosa a terra é muito fértil e isto significa que é fértil para tudo, incluindo para as ervas daninhas. Isto exige depois muita mão-de-obra”, adianta.

Na opinião de Luís Vasco Gregório existem várias técnicas para se ultrapassar o problema da mão-de-obra. “No caso das ervas daninhas já se tentou cobrir a terra com plásticos, o que se revelou de grande sucesso e existe maquinaria que também é bastante útil. O que é preciso é reunir produtores, técnicos e cientistas e repensar o que se está a fazer”, sustenta.

Apostar na qualidade

Embora considere que no Pico tem sido dados grandes passos no sentido de aumentar a competitividade do sector da vinha, que está em ascensão, Ernesto Ferreira, presidente da Cooperativa Vitivinícola do Pico, acredita que no resto do arquipélago o caminho é apostar em castas de qualidade e não das canalizadas para a produção de vinho de cheiro.

“Para estas castas de qualidade os apoios devem aumentar, embora já sejam aceitáveis”, afirma. “Noutras ilhas já existem alguns pólos piloto neste sentido, também um pouco reflexo do que já se faz no Pico, e do mercado global dos vinhos. Nos Açores, já é possível produzir bons vinhos, como foi provado pelos recentes prémios conquistados pela Terceira e São Miguel”, avança.

Quer Ernesto Ferreira como Luis Vasco Gregório acreditam que a cultura da vinha é uma boa aposta. “Estamos a falar de terrenos que não são usados para a cultura da vaca. É rendimento acrescido”, conclui Luis Vasco Gregório.

Não foi possível entrar em contacto, até ao fecho da edição, com a Adega Cooperativa dos Biscoitos.

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