Economia

Bancos já cobram juros mínimos de 10% às PME

  • 2 de Fevereiro de 2009
  • 259 Visualizações, Última Leitura a 24 Outubro 2017 às 10:37
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As taxas Euribor estão a cair, mas as pequenas empresas continuam a não ter acesso barato ao crédito. Com o agravamento do risco, os bancos estão já a cobrar 'spreads' de pelo menos seis e sete pontos percentuais. Os empresários alertam para a "situação difícil" face às difículdades de tesouraria.

Os bancos estão a agravar os spreads dos empréstimos às empresas e, apesar da forte descida da Euribor, há já PME - as que têm maior risco -a pagar financiamentos na ordem dos 10%. A Associação Empresarial de Portugal (AEP) garante que é confrontada "diariamente com as queixas" dos seus associados que estão a pagar "spreads de 6% e que, por isso, apesar da Euribor ter caído para pouco mais de 2%, acabam a pagar um juro bem acima dos tempos em que as taxas estavam quase nos 5%". Paulo Nunes de Almeida, vice-presidente da associação, sublinha que "a descida da Euribor é mais do que compensada pela subida dos spreads", o que coloca as empresas "numa situação muito difícil" num momento em que se defrontam com "dificuldades de tesouraria por via da redução de cobranças".

O vice-presidente da AEP considera, por isso, fundamental que o Estado "cumpra a promessa de pagar as suas dívidas". Há empresas a queixar-se que esse dinheiro "não está a chegar", e a AEP apela para que, a 15 de Fevereiro, o Governo faça um "ponto de situação sobre os pagamentos efectuados e os montantes ainda em dívida". Quer ainda que seja adiada, para finais de 2010, a exigência de elevação para 8% do rácio de solvabilidade Tier 1 da banca e o fim imediato do Pagamento Especial por Conta (PEC). "É imoral exigir-se o pagamento do PEC em Abril quando se sabe que a maioria delas vai ter lucros reduzidos ou negativos", diz.

Ricardo Salgado, presidente do BES, reconheceu, na apresentação das contas do banco, que as PME portuguesas pagam hoje spreads de 7% nos seus empréstimos, reflectindo o maior custo do funding e a subida do risco. Augusto Morais, presidente da Associação Nacional das PME (ANPME) diz ter conhecimento de empresas a pagar este tipo de taxas, a par do aumento das exigências de garantias - "não só da empresa, mas do empresário a título individual" .

Joaquim Rocha da Cunha, líder da PME Portugal diz não ter conhecimento de uma subida tão grande dos spreads cobrados pelos bancos. No entanto, lembra que "sem dinheiro não há negócios", e, por isso, defende que é tempo de "reinventar Portugal e os mercados financeiros", dando como exemplo as Caixas Económicas Regionais. E explica: "Ao contrário de Espanha, nós não temos nenhum mecanismo de amortecimento, o nosso é o chão. Nós, por cá, estamos a salvar instituições como o BPP, que nunca foi um banco de retalho, em vez de nos preocuparmos em criar instrumentos de apoio à criação de bancos associativos e regionais a exemplo do que existe por essa Europa fora". Para o presidente da PME Portugal, é "de extrema gravidade estarem a ser praticadas taxas de juro dessa ordem [acima dos 9% e 10%] e só pondo fim ao oligopólio bancário se resolve a questão".

 

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