Economia

Arrendamento é saída para a crise

  • 28 de Janeiro de 2009
  • 262 Visualizações, Última Leitura a 18 Agosto 2017 às 22:05
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Para fazer face à estagnação do mercado e porque as pessoas que querem comprar casa não conseguem financiamento junto da banca, o arrendamento é cada vez mais uma alternativa para os promotores imobiliários e pode regressar em força, após anos em que a compra de casa claramente dominou.

Nos Açores, já começa a ser aplicada a modalidade do arrendamento como fase transitória entre uma possível compra por parte do arrendatário, um novo arrendamento ou a recolocação do imóvel para venda no mercado. Ou seja, para os apartamentos não ficarem fechados e o dinheiro parado, os promotores apostam no arrendamento a pessoas que podem estar apenas à espera de financiamento do banco para comprarem efectivamente a casa, como podem, ao fim de um certo tempo, sair da casa, libertando-a, ou para outro arrendamento, ou para a sua venda efectiva.

Há já também promotores que optam logo à partida por não colocar todas as habitações de um empreendimento à venda, separando desde logo uma parte para arrendamento, tentando desta forma segurar todo o mercado disponível. O mercado de arrendamento é aliás, a exemplo do que já acontece noutros países da Europa, um mercado de futuro em Portugal, pois face à necessidade cada vez maior que uma pessoa que entre hoje no mercado de trabalho tem de mudar várias vezes de emprego ao longo da vida, a simples compra de uma casa quando se tem menos de 30 anos pode “amarrar” as pessoas a uma dívida e a um lugar, fazendo-as perder oportunidades de vida noutros lugares que, se não tivessem encargos, poderiam aproveitar.

As novas modalidades de arrendamento ajudam também os promotores a suportarem os fortes encargos com a banca relativos ao financiamento dos seus empreendimentos. Isto porque, antes o sistema estava montado para que um prédio de apartamentos se vendesse rapidamente, liquidando-se logo de seguida os empréstimos. Agora, muitos promotores imobiliários estão com partes substanciais dos prédios por vender e, se não entrar dinheiro rapidamente, nem que seja por via do arrendamento, os encargos perante a banca começam a tornar-se insuportáveis, principalmente se forem muitas as habitações por vender e poucas as garantias para dar à banca.

A intenção do Governo de criar nos Açores um fundo imobiliário que receba as habitações dos proprietários em dificuldades e transforme as prestações numa renda, com direito de reaquisição da habitação, tal como se prevê para o continente, é entendida também pelo sector do imobiliário como um factor que pode ser muito positivo, quer para as famílias, quer para o mercado. Esse fundo a criar nos Açores deverá vir também a tomar prédios inteiros de apartamentos a promotores que não os conseguem vender, colocando-os no mercado para arrendamento.

O problema neste momento no mercado imobiliário não é tanto a falta de procura, porque este tem-se mantido alta, pelo menos em São Miguel, mas sim a paragem nas vendas resultante da não concessão ou do maior atraso na concessão do crédito bancário. “Continua a haver procura de habitação num ritmo muito semelhante ao que havia. O que não está a acontecer de igual modo é a percentagem de sucesso das pessoas que procuram”, afirma ao AO online o presidente da Associação dos Industriais de Construção Civil e Obras Públicas dos Açores (AICOPA), Albano Furtado.

Os bancos estão muito retraídos desde o final do ano passado, ou por estarem a concentrar esforços na recuperação do crédito malparado, ou pela centralização de decisões que antes eram tomadas localmente. Quer isto dizer que créditos que antes poderiam ser aprovados no espaço de semanas e através das agências bancárias locais, hoje têm de ter aprovação a um nível mais elevado. Muitas pessoas que já tinham tomado a sua decisão de comprar casa e contavam com o crédito aprovado, deixaram de o ter. Como explica o presidente da AICOPA, “em cada dez que procuram, antigamente oito apareciam compradores e agora só dois ou três conseguem financiamento”.

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