Economia

Prestações continuam a cair e BCE deve voltar a baixar taxas de juros

  • 31 de Dezembro de 2008
  • 270 Visualizações, Última Leitura a 22 Agosto 2017 às 01:31
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Quem tiver marcada para Janeiro uma revisão da taxa de juro do seu empréstimo à habitação vai sentir uma redução significativa da prestação, uma tendência que se deverá manter porque o Banco Central Europeu (BCE), com o crédito a abrandar e a taxa de inflação a cair, deverá ver-se forçado a baixar ainda mais as taxas.

Apesar de Jean-Claude Trichet ter, nas suas últimas intervenções, dado a entender que o BCE quer evitar, depois de três cortes de taxas de juros consecutivos, a continuação de uma descida tão rápida do preço de dinheiro, os indicadores económicos ontem divulgados poderão obrigar o banco central a actuar mais cedo.

Por um lado, a variação homóloga do crédito concedido ao sector privado na Zona Euro voltou a abrandar em Novembro, passando de 7,8 para 7,1 por cento, a 11.ª descida consecutiva. Isto mostra que as famílias e as empresas estão a sentir crescentes dificuldades em obter empréstimos. Depois, o indicador de expectativas para o comércio a retalho calculado pela agência Bloomberg voltou a baixar em Dezembro e a registar um valor inferior a 50 pontos, o que indica a possibilidade de uma contracção. Por último, a taxa de inflação homóloga na Alemanha passou de 1,4 para 1,1 por cento em Dezembro, mostrando que as pressões inflacionistas deixaram de ser, para já, um problema.

Deste modo, entre os analistas, a expectativa é a de que o BCE possa, já na reunião do próximo dia 15 de Janeiro, voltar a descer as taxas de juro, que actualmente se encontram em 2,5 por cento.

Prestações mais suaves

Esta evolução da política monetária na Zona Euro é o principal motivo para o alívio que os portugueses têm vindo a sentir na prestação dos empréstimos indexados à Euribor.
Em Janeiro, um empréstimo de 150 mil euros, por 30 anos, indexado à Euribor a seis ou a três meses e com um spread (margem do banco) de 0,7 por cento, vai pagar menos 155 euros mensais.

Esta redução, que por enquanto só abrange os contratos com revisão de taxa a ocorrer em Janeiro, ocorre porque as médias das taxas Euribor em Dezembro desceram perto de dois pontos percentuais face à média de Junho e de Setembro, respectivamente os meses que serviram de referência ao créditos que foram revistos em Julho (para quem tem Euribor a seis meses) ou em Outubro (Euribor a três meses).

Com menos uma sessão, a de hoje, a média de Dezembro da Euribor a três meses atinge os 3,313 por cento, contra 4,238 de Novembro. A Euribor a seis meses, o prazo mais utilizado nos contratos à habitação em Portugal, atingiu ontem a média de 3,385 por cento, bem longe dos 4,295 do mês anterior. Por último, o prazo de 12 meses vai atingir uma média mensal muito próxima de 3,472 por cento, menos do que os 4,350 por cento de Novembro.

Assim, quem tivesse adiado de Dezembro para Janeiro a concretização de um empréstimo de 150 mil euros, indexado à Euribor a seis meses, acrescido de um spread de 0,7 por cento, pelo prazo de 30 anos, irá pagar menos 81,21 euros na prestação mensal.

As taxas Euribor já desceram mais de dois pontos percentuais desde os máximos atingidos até 9 de Outubro, dia a partir do qual iniciaram uma descida ininterrupta, completando ontem 57 sessões em queda. Essa queda já colocou a Euribor a três meses abaixo dos três por cento, e a de seis meses fixou-se ontem nos três por cento, os níveis mais baixos desde Abril de 2006.

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