Economia

Petróleo e comida têm a maior subida desde 1973

  • 1 de Julho de 2008
  • 338 Visualizações, Última Leitura a 17 Dezembro 2017 às 02:27
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A inflação na Europa atingiu o valor recorde de 4%. Os aumentos da energia e alimentação, semelhantes aos da primeira crise petrolífera, são a razão principal. Os juros vão subir.



O balanço do primeiro semestre do ano é positivo para as ‘commodities’ e contrasta com a instabilidade vivida nos mercados accionistas. O ‘boom’ das matérias-primas ganhou consistência, o que se comprova pelo desempenho do índice Reuters/Jefferies CRB - que integra o preço de 19 ‘commodities’. O índice valorizou 29%, encaminhando-se para o melhor primeiro semestre desde 1973, altura em que estalou a “crise petrolífera”, provocada pelo embargo da OPEP e dos países do Golfo Pérsico à distribuição de petróleo para os Estados Unidos e Europa. Se compararmos com a evolução dos segundos semestres entretanto decorridos, seria preciso recuar cinco décadas para encontrarmos uma valorização mais elevada. Os preços da energia e de bens alimentares, como milho, cacau e soja apresentaram as maiores subidas.

Para além do sector energético - o petróleo tocou ontem em novos máximos - e das matérias-primas agrícolas, também os metais preciosos e industriais acumulam retornos positivos desde Janeiro. A excepção vai para o sumo de laranja e para o níquel, as únicas matérias-primas que recuaram, 23,7% e 17,3%, respectivamente.

A contracção da oferta, condições climatéricas adversas, a queda da divisa norte-americana face a outras moedas, sobretudo face ao euro, e tensões geopolíticas são os principais factores apontados pelos especialistas para a valorização das matérias-primas.

Nos período em análise, gás natural, óleo para aquecimento e crude mais do que duplicaram o preço, com este a ultrapassar a barreira psicológica dos 100 dólares, logo no segundo dia do ano.

A procura dos investidores por activos de refúgio, mais seguros, para se protegerem contra a inflação, e as desvalorizações nos mercados de capitais impulsionaram metais como o ouro, prata, cobre e alumínio. O cobre, por exemplo, subiu cerca de 27% no primeiro semestre para 4,26 dólares por libra. No que se refere ao ouro, apesar de em Março ter ultrapassado os 1.000 dólares por onça, a procura por parte dos joalheiros - o principal mercado - está estagnada. De acordo com John Reade, um analista da UBS, “o ouro deverá situar-se este ano nos 850 dólares e recuar para 750 dólares em 2009”. Por sua vez, o alumínio avançou 25%, impulsionado sobretudo pela China, o maior produtor mundial mas também o mercado onde a procura mais cresce.

Nas matérias-primas agrícolas, milho, trigo, soja e cacau têm influenciado a subida do índice. A falta de água a nível global e o aumento de produção de etanol nos Estados Unidos fez disparar o preço dos cereais. O milho, por exemplo, disparou 61,8% este ano. No entanto, apesar das fortes valorizações, os próximos meses podem não ser tão rentáveis para quem investe nas matérias-primas. Os máximos ameaçam travar a procura e pode assistir-se a uma forte inversão da tendência.

“Estamos próximos de algum do juízo final nas commodities”, afirmou à Bloomberg Michael Aronstein, da Marketfield Asset Management. “Tenho sido optimista nos investimentos e esta é a primeira vez que penso numa inversão dramática, não apenas numa correcção”

 

 

 

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