Economia

Petróleo: União Europeia quer aumento de produção

  • 23 de Junho de 2008
  • 205 Visualizações, Última Leitura a 23 Setembro 2017 às 12:58
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A União Europeia vai reunir terça-feira com a OPEP, o poderoso cartel que controla os preços do petróleo, numa altura de escalada dos combustíveis ameaça a economia europeia, faz subir a inflação e está a criar tensões sociais.

Com cerca de 42 por cento do total, a OPEP - Organização dos Países Exportadores de Petróleo mantém o domínio da produção de petróleo mundial, vantagem que lhe dá maior poder face à produção isolada dos novos países petrolíferos.

Ferran Tarradellas, porta-voz da Comissão Europeia responsável pela Política Energética, disse à agência Lusa que a União Europeia vai insistir na terça-feira junto da OPEP num aumento da produção de crude que ajude a diminuir o preço dos combustíveis.

No entanto, na sexta-feira o presidente da OPEP, Chakib Khelil, veio já afirmar que os pedidos do aumento da produção são "ilógicos e irracionais".

"Os países da OPEP, apesar da perda de alguma influência do cartel desde os anos 90, controlam 42 por cento da produção mundial o que, em uníssono, aumenta o seu poder em relação à produção dos novos países que o fazem isoladamente", disse à agência Lusa o director da Espírito Santo Research, Francisco Mendes Palma.

Um estudo da Weeden & Co reforça esta ideia afirmando que os países que não integram a OPEP não conseguem controlar, por si só, o poder da produção de petróleo bruto mundial.

No entanto, as suas reservas tornaram-se fonte de riqueza, devido à escassez e a sua exploração tornou-se rentável, atraindo fundos e investidores à indústria petrolífera, embora estes países não controlem a produção mundial.

De um ponto de vista global e estrutural, as reservas de petróleo mundial cresceram mais do que a produção e o preço dos combustíveis passou de 10 dólares por barril, em 1980, para um máximo histórico de quase 140 dólares, em meados de Junho deste ano.

Em 1980, as reservas provadas correspondiam a 650 mil milhões barris em relação às reservas totais, tendo quase duplicado o valor em 2006, para 1,2 mil milhões de barris por dia, enquanto o crescimento médio anual atingiu uma taxa de 2,3 por cento.

Neste período, o aumento da produção de petróleo passou dos 60 milhões de barris diários, em 1980, para os 82 milhões, em 2006, representando uma taxa de crescimento médio anual de 1 por cento no final deste ano.

Esta evolução originou "um estímulo ao crescimento das reservas, uma forte pressão nos preços do lado da oferta, propiciando a exploração de novas jazidas de petróleo" explicou Francisco Palma exemplificando com os países de África (Argélia, Marrocos e Líbia), Venezuela e Brasil.

Angola é o primeiro produtor africano

Os países menos desenvolvidos fora do cartel da OPEP, entre os quais aqueles que produzem petróleo com menor qualidade, passaram a explorar jazidas até aqui não rentáveis, ficando mais ricos.

"Já Angola, país que só aderiu à OPEP em 2007, com um forte potencial petrolífero, tornou-se no primeiro produtor de petróleo africano em 2007, ultrapassando a Nigéria, país que tradicionalmente ocupava esta posição", destacou Francisco Palma.

A pressão crescente das economias emergentes (nomeadamente China e Índia), com padrões de consumo cada vez mais assentes em combustíveis (gasolina e gasóleo), constitui outro factor estruturante da alta dos preços dos combustíveis.

Embora os recursos sejam limitados e a percepção do pico [máximo] petrolífero, também conhecido por Pico de Hubbert (a produção combinada OPEP e não OPEP), não seja verdadeiramente clara, a pressão por parte dos mercados vai continuar forte.

"Há que trabalhar em soluções de "mix energético" (combinação de diferentes fontes de energia, como sejam a hídrica, eólica, biomassa, biocombustiveis, entre outras) para responder à dependência e fornecimento de matérias-primas energéticas" salientou o director da Espírito Santo Research.

O ritmo sustentado do crescimento dos preços resulta também das expectativas dos agentes económicos.

O não investimento e modernização em tecnologia também influencia uma maior pressão na subida do preço dos combustíveis.

"Se no caso dos petróleos leves, mais facilmente refináveis, não se realizaram investimentos em prospecção e novas refinarias, nos petróleos peados (existentes nos novos países produtores) são necessários avultados investimentos e ainda maior inovação tecnológica", frisou à Lusa o economista.

 

 

 

 

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