Economia

EMPRESA LÍDER MUNDIAL - Chipideia, o trunfo de pensar global

  • 10 de Junho de 2008
  • 284 Visualizações, Última Leitura a 21 Agosto 2017 às 00:47
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José Epifânio da Franca, engenheiro electrotécnico, professor universitário no Instituto Superior Técnico de Lisboa e membro de diversos comités internacionais no sector da electrónica foi o convidado da VII Conferência Memorial José Duarte Monjardino que decorreu na passada sexta-feira em Angra do Heroísmo.

A razão do convite não derivou do seu currículo académico ou cientifico, mas sim do facto de, em 1997, ter sido o fundador da Chipideia, actualmente a fornecedora de circuitos integrados analógico-digitais para 15 das 20 maiores empresas de semicondutores do mundo, tendo sido considerada entre 2000 e 2007 uma das 500 empresas europeias com melhores índices de desenvolvimento e líder mundial entre 2004 a 2007 do segmento de “analog/mixed-signal Semiconductor Intellectual Property”.

Epifânio da Franca confessa em decalrações à “a União” nunca ter pensado que passados 10 anos a empresa atingisse o patamar em que se encontra actualmente, ainda para mais quando o projecto serpe foi abordado como “sendo um contra relógio, chegar tão longe quanto se puder e o mais rápido que se puder, mas sem saber quanto tempo vai durar o fôlego”.

Epifânio da Franca considera que uma empresa como a Chipiedia, que depende fundamentalmente do capital humano,  as principais dificuldades iniciais foram “ter acesso às pessoas com os conhecimentos que necessitávamos e convencê-las a vir para uma empresa pequena que ninguém sabe o que é ou se iria existir daqui a um ano ou dois, em vez de irem para uma grande empresa com emprego garantido”.

Esta é, aliás, uma das maiores diferenças que o fundador da Chipideia encontra na mentalidade dos jovens portugueses quando comparados com outros países.

“ Em Sillicon Valley, na Califórnia, os jovens não têm receio de aceitar o desafio de uma nova iniciativa, pensam que vai ser um grande sucesso quando muitas delas acabam em fracasso, e isso, em Portugal não existia e ainda não existe de maneira generalizada”.

Fruto dessa mentalidade, um dos primeiros objectivos de Epifânio da Franca foi o de fazer crescer a Chipideia de modo a que as pessoas deixassem de olhar par a empresa com “um projecto de garagem” de forma a incutir uma maior confiança aos seus colaboradores. Apesar de ter a noção que tinha em mãos um projecto sólido, tinha a consciência que existia alugam insegurança, que aliás ainda se mantém.

“ A Chipideia depende do conhecimento das pessoa que lá trabalham. Mesmo tendo hoje 350 pessoas, se saíssem 30 ou 40 a empresa desaparecia. Por isso, é absolutamente fundamental garantir a estabilidade de quem lá trabalha” – refere.

O arranque do conceito Chipideia foi feito em parceria com uma multinacional americana “que nós percebemos que precisava de nós, mas que essa necessidade seria limitada no tempo”, pelo que Epifânio da Franca e os seus colaboradores tiveram um prazo de dois, três anos para construir a independência da empresa, “ pois se não o fizéssemos estaríamos acabados”.

O seu fundador considera mesmo que este planeamento a longo prazo foi um dos factores fundamentais para a Chipideia ter conseguido sobreviver, aliado a uma percepção que eram uma empresa à escala global que teria de pensar globalmente para vingar.

O estigma de vir de um país tecnologicamente pouco evoluído como Portugal foi algo sentido no inicio dos contactos com os clientes, mas ao longo do tempo a Chipideia fez valer a qualidade do seu produto tendo vindo a mostrar ao longo destes 10 anos “ que jovens portugueses podem ser reconhecidos no mundo, se nos derem a hipótese de o demonstrar”.

Epifânio de Franca defende  que não há razão nenhuma para não existirem mais exemplos coo a Chipideia em Portugal, atribuindo a isso o facto de haver uma “falta clara da noção que estamos no mundo. Se a Chipideia tivesse nascido com clientes em Portugal se calhar tinha-se acomodado, não tinha procurado vingar no mercado global”.

Visão global

Epifânio da Franca escreveu, numa das suas colunas de opinião num semanário, que tem a ambição de em 10 anos “serem criadas em Portugal 100 novas empresas, 10 mil novos quadros altos e mil milhões de euros de capital de risco”.

O professor universitário considera que para isso são necessários redefinir os objectivos da formação e deixar de criar jovens tendo em conta as necessidades do país, mas sim forma-los para um mercado global, acreditando que esse objectivo é “fundamental para a sobrevivência do pais com dignidade no panorama internacional”.

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