Economia

Crise faz disparar venda de produtos de marca branca

  • 9 de Junho de 2008
  • 291 Visualizações, Última Leitura a 17 Dezembro 2017 às 02:28
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Continente ganha 450 milhões só com estes produtos. Mercado cresceu 25%. Menor orçamento das famílias é um dos factores.

A marca Continente já representa 450 milhões de euros nas vendas de produtos alimentares da Sonae Distribuição. E a tendência é para crescer, assegura Isabel Dias da Costa, administradora da empresa, que perspectiva que este ano a marca responda por vendas brutas na ordem dos 600 milhões.

O crescimento que se está a registar deve-se essencialmente a dois factores: à conjuntura económica que obriga muitas famílias a encontrarem soluções de poupança e à progressiva perda da desconfiança dos consumidores face a esses produtos. De acordo com os dados da empresa, cerca de 85% dos clientes das lojas Modelo e Continente compram, pelo menos, um produto de marca própria por mês.

O mercado nacional das marcas próprias está a registar crescimentos superiores a 25% ao ano e isso deve-se “ao enquadramento económico e à inovação de produtos”, afirma Isabel Dias da Costa. E exemplifica: “não havia espinafres congelados no mercado, nós identificamos a apetência pelo produto e lançámos”. Como salienta, a marca Continente já deverá gerar 800 milhões de euros de vendas brutas em 2009, o que representará um peso de 25% no total do volume de negócios da área alimentar da Sonae Distribuição.

Para Isabel Dias da Costa, a marca Continente apresenta uma “proposta de valor muito interessante”, que é o preço e a qualidade. A estratégia da marca assenta na premissa de que “todos os artigos têm que ter qualidade igual ou superior ao líder e um preço de venda inferior em cerca de 35%”.

Com a entrada no mercado dos ‘hard discount’ – cuja grande aposta se dirige aos produtos de marca própria a preços altamente competitivos – a Sonae Distribuição diversificou a sua estratégia e lançou as marcas de produtos económicos “é”, “sou”, “sim” e “para”. Aqui o posicionamento é o preço, abdicando um pouco da qualidade. “Tivemos que fazer um movimento de defesa”, explica Isabel Dias da Costa. “Se os consumidores querem produtos baratos, nós também temos”, continua.

O mercado vai ditando as tendências e eliminando algumas referências. É exemplo o caso da água marca “é”, que não teve a esperada adesão dos clientes e acabou retirada das lojas há cerca de um mês. Neste negócio, “quando não há lugar para o primeiro preço é preciso combater com a marca própria”, diz a responsável. Este insucesso é compensado por uma política de inovação. Neste momento, as novas apostas da empresa são o lançamento dos segmentos Continente Gourmet e Continente Bio.

Os fornecedores dos produtos marca própria da Sonae Distribuição são preferencialmente nacionais e, alguns, bem conhecidos dos consumidores, como o grupo Cerealis, que detém as marcas Milaneza ou Nacional, e a Sovena, que produz o óleo Fula. A empresa é também responsável pelo desenvolvimento dos produtos que para a fase de fabrico são entregues a entidades externas.

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