Economia

EUROPEU DE FUTEBOL - Um Natal de Verão em termos de facturação

  • 6 de Junho de 2008
  • 301 Visualizações, Última Leitura a 17 Agosto 2017 às 17:25
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“Estamos todos convocados”, parece ser o lema da selecção. Na realidade os campeonatos de futebol, quer sejam europeus ou mundiais, que envolvam a participação da ‘nossa’ selecção é gerador de ondas de euforia e paixões contagiantes à maioria das gentes. A adrenalina que inunda o país estende-se ao consumismo, a maioria das empresas preparam campanhas de promoção, tendo como pano de fundo o verde e vermelho da bandeira nacional. Para o país é um Natal de Verão!

A febre das Tvs

Um dos electrodomésticos mais vendidos nestas alturas de bola é sem dúvida alguma os televisores. Com a desculpa de juntar amigos para apoiar a selecção as pessoas trocam os seus velhos televisores pelos maiores da moda, aqueles que proporcionam uma imagem mais real, transportando o adepto o mais perto possível para o rectângulo do espectáculo.

Luís Vasco, responsável da Suziarte e da Euronics, sublinha este pico de vendas dos televisores: “temos reparado que desde 2000, época em que a selecção começou a ter uma participação assídua nos campeonatos, temos registado picos de venda semelhantes ao Natal”. A moda é o LCD, “nestas alturas as pessoas gostam de comprar o topo de gama e as tecnologias mais de ponta, os LCDs dominam as vendas, e nos Açores é onde se compram os maiores aparelhos”, sublinha o mesmo.

Os hipers

A maior cadeia de hipermercados dos Açores também se uniu a este apoio em massa aos lusos. O Modelo juntou as cores da selecção às suas e vestiu os funcionários com um cachecol de Portugal. Ferdinando Silva realça que “é uma forma de promover a união do grupo de trabalho e associar a empresa ao desporto, principalmente dos mais jovens”. Para dar mais projecção ao campeonato, são criadas promoções para todos os gostos e para todos os produtos, inclusivamente são lançados produtos específicos de promoção do ‘euro’, como cachecóis, lenços e dvds. “Vender este tipo de produtos a preços muito baixos é uma forma de o Modelo ajudar a construir uma moldura humana em torno da selecção”, frisa o responsável.

Os cafés

Os locais de excelência para ver os jogos de futebol são os muitos cafés e esplanadas que têm ecrãs. Até nesses espaços as campanhas de incentivo ao consumo são uma constante, petiscos especiais, cervejas com preços de promoção durante os jogos, a imaginação não conhece limites quando se trata de vender.

Rui Duarte, proprietário do Copos & Companhia, deseja rentabilizar esta época de jogos e para isso vai “alargar o horário de funcionamento do bar para abranger a totalidade dos jogos”. Desta forma consegue não só transmitir os jogos da selecção, mas os jogos de outras selecções de turistas que estão de passagem pela cidade. Para enriquecer as partidas Rui Duarte tem uma ementa especial “de petiscos” para os adeptos.

Outra moda que nasceu recentemente é a criação de espaços próprios para os adeptos assistirem às partidas. Por norma são locais amplos, ao ar livre e inseridos num contexto de festa. Exemplo será o Epicentro, um festival que se realiza no dia em que Portugal defronta a Suiça, dia 15 de Junho, que vai criar um espaço exclusivo para juntar adeptos. “Queremos que as pessoas participem no festival, mas não sintam vontade de se desmobilizar no fim, o jogo será mais um incentivo para as pessoas ficarem por cá”, explica Rute Meireles da organização. I

As Sanjoaninas também não escaparam à febre do europeu, prevendo a passagem da selecção, a comissão de festas criou um espaço para os visitantes verem os jogos.

A publicidade

Somos invadidos por horas a fio de reportagens e directos que envolvem o dia-a-dia da selecção. Para quem pensa que pelo nos intervalos o europeu vai dar um descanso ao telespectador, engana-se. As marcas e empresas aproveitam ao máximo a temática para dar a conhecer ao mundo os seus produtos sob o ponto de vista patriótico de apoio à selecção lusa.

Desde cervejas, a marcas de telecomunicações, de empresas de crédito a automóveis, tudo tem a carimbo do europeu, o rosto de um jogador nacional, actual ou antigo, convocado ou não.

Mas não é só na televisão, se está farto de ver o europeu na caixa que mudou o mundo, abrir um jornal ou revista não vai aliviar essa saturação. A publicidade estende-se a todo o tipo de meio de comunicação, seja em suporte de papel, seja na Internet. Sair à rua para passear poderá ser uma solução, desde que não olhe para os imensos cartazes nas paredes, nas paragens de autocarros, nas montras das lojas, porque o europeu e a selecção estão em todo o lado.  

Um Natal no Verão!

Esta euforia é só comparada em termos de números de vendas e de investimentos à época natalícia. As grandes diferenças são que o Pai Natal não ocupa tanto tempo de antena, é todos os anos e todos nós sabemos quando começa e acaba. Já a selecção proporciona um Natal de verão sempre que passa às fases finais dos campeonatos, e tem sido fielmente de dois em dois anos. Os lucros das empresas duram enquanto durar a participação lusa nas provas, o que é sempre uma incógnita. No caso as esperanças de chegar á final não só para dar alegria às paixões ferverosas dos amantes do futebol, mas também para manter em alta esta micro economia que gira em torno do esférico.

Hajam Euros Selecção!!!

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