Economia

Relógios de luxo passaram pela Terceira

  • 2 de Junho de 2008
  • 518 Visualizações, Última Leitura a 24 Novembro 2017 às 00:03
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O espaço AquaEmotion, em Angra do Heroísm,  recebeu nos passados dias 24 e 25 de Maio a exposição “Relógios Antigos e Semi-Novos”, que trouxe até à ilha Terceira 120 relógios de bolso e de pulso de algumas das maiores marcas da relojoaria mundial.

 

A iniciativa partiu de uma conversa entre o relojoeiro terceirense José Gil Ferreira Jardim com o vendedor lisboeta Miguel Silva, que conseguiram trazer até aos Açores Gil Rua, um dos mais prestigiados relojoeiros nacionais e responsável por todo o espólio exposto, onde se incluíam também vários relógios restaurados, alguns deles com mais de 60 anos.

Marcas de prestígio como Patek Philippe, Omega, Cartier, Franck Muller ou Breitling, a fina-flor da alta relojoaria Suiça tinham exemplares expostos, com o mais caro um Franck Muller que atinge os 27 mil euros de preço de venda ao público.

“Investir neste tipo de relógios é como comprar arte. São máquinas que se valorizam, são comprados como sendo jóias e por isso muitos deles são guardados em cofres de bancos”, refere José Jardim.

Perante valores tão elevados, os organizadores da exposição optaram por não publicitar a mesma nos meios de comunicação social, mas apesar disso José Jardim ficou satisfeito com a afluência do publico, tendo ficado no ar potencias ideias para novas exposições.

O relojoeiro terceirense assinala que o mercado para este tipo de relógios na Terceira é muito reduzido, pois é preciso uma grande capacidade financeira para adquirir e coleccionar relógios que podem atingir os 300 mil euros caso do exemplar mais caro actualmente, da marca Patek Philippe que José Jardim classifica como a “Rolls-Royce” dos relógios.

A Suiça é a pátria de todas estas marcas, que apostam em tecnologia de ponta e materiais topo de gama na confecção dos seus relógios, onde o digital é “palavra proibida”.

“ Os relógios de todo são todos mecânicos, são máquinas onde tudo bate certo e é pensado ao pormenor e com um desenho muito tradicional, os suíços são muito tradicionalistas, não acompanham as modas”.

Esta tendência tradicionalista das marcas de topo contrasta com o que José Jardim entende ser o papel do relógio na sociedade actual.

“ A maioria das pessoas, especialmente os jovens compram um relógio como um utensílio de moda. No ano seguinte sai um modelo com desenho novo e vão procurar esse”, explicando um pouco o sucesso de marcas com a Swatch entre o publico mais novo

Trinta anos a viver do passar do tempo

Desde 1977 que José Jardim é o proprietário da Ourivesaria Santo Espírito em Angra do Heroísmo. A sua ligação aos relógios começou não por uma paixão de infância mas sim por um acaso com influência familiar.

Após ter deixado os estudos ainda cedo e ter começado a trabalhar na construção civil, o seu pai conseguiu-lhe um trabalho na Ourivesaria Amarante onde aprendeu a recuperar relógios.

“ Na altura os relógios eram todos mecânicos, os digitais só apareceram em meados dos anos 70 e eu na loja fui aprendendo a consertar os relógios e evoluindo. Passado um tempos veio trabalhar connosco um senhor de São Miguel e com ele aprendi muito sobre relógios”.

Após seis anos na Ourivesaria Amarante, decidiu começar o seu próprio negócio. Nessa época ainda apareciam muitos relógios por reparar, mas, com 90% dos relógios de gama média-baixa a serem digitais, actualmente as pessoas apenas vão à loja para mudar a pilha dos seus relógios.

“ Os relógios que se vendem mais custam 20, 30 euros, e quando avariam as pessoas deitam-nos fora e compram outro. Mas ainda vão aparecendo relógios de bolso ou de parece antigos para reparar mas cada vez menos”, diz o relojoeiro.

 Devido ao avanço da tecnologia, José Jardim considera que a actividade de relojoeiro terá tendência a acabar, isto no que se refere aqueles que classifica como “relojoeiros montadores”, que, como ele, desmontam, reparam e montam os relógios mas não sabem construí-los.

“ Somos como mecânicos que abrem o motor para o reparar mas não conseguem construir um motor de raiz”, compara.

Outro entrave ao negócio prende-se com a invasão de produtos chineses, vendidos a preços incomparavelmente mais baratos que os praticados pelos restantes vendedores, que inundaram o mercado com réplicas.

“Sempre houve contrabando de relógios, mas agora com os chineses não podemos competir quando se vai a uma loja deles e se compra um relógio por sete euros” – concretiza.

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