Economia

Ferreira Leite vai dar credibilidade à política

  • 2 de Junho de 2008
  • 281 Visualizações, Última Leitura a 18 Agosto 2017 às 07:06
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O líder do PSD/Açores, Costa Neves, afirmou que Manuela Ferreira Leite, sábado eleita nas “directas” do partido, vai garantir credibilidade à política portuguesa.

Manuela Ferreira Leite “vai ser uma excelente presidente para o PSD e vai trazer à política portuguesa a credibilidade que lhe está a faltar”, adiantou Carlos Costa Neves aos jornalistas, à margem do Congresso Regional da JSD/Açores.

A eleição de Manuela Ferreira Leite “é um bom resultado para o PSD e para o país”, salientou o dirigente social-democrata açoriano, para quem os outros candidatos às eleições que se realizaram hoje são “militantes de primeira água” do partido.

 “Espero é que, agora, haja trabalho e união e uma consideração muito séria de que os nossos adversários, nos Açores, são o PS e Carlos César e, no continente, o PS e José Sócrates”, adiantou Costa Neves.

Manuela Ferreira Leite foi sábado eleita líder do PSD com 37,6 por centos dos votos, anunciou o Conselho de Jurisdição Nacional (CJN) do partido.

Vitória nos Açores

A candidata à liderança do PSD, Manuela Ferreira Leite, venceu as eleições directas do partido nos Açores, com 61,3 por cento dos votos dos militantes que foram às urnas.

Pedro Passos Coelho recolheu 21,4 por cento dos votos, enquanto que Pedro Santana Lopes ficou em terceiro lugar, com 16,6 por cento.

Patinha Antão obteve 0,2 por cento do total de votos, adiantou a fonte do PSD/Açores.

Votaram nos Açores um total de 463 militantes de um total de 759 que estavam em condições de exercer o seu direito de voto nas “directas” do partido.

A primeira mulher

Manuela Ferreira Leite tornou-se sábado a primeira mulher a presidir ao PSD em 34 anos de história do partido ao ganhar as eleições directas antecipadas, sucedendo no cargo a Luís Filipe Menezes.

No discurso de vitória, na sede da sua candidatura, Ferreira Leite afirmou que o seu partido já está “a virar a página”, levando o PS a apelar aos socialistas para “cerrarem fileiras”.

“Começámos há um mês com partido sem credibilidade e que todos escutavam. Saímos desta campanha com o PS a sentir necessidade de apelar aos socialistas ainda há poucos dias para cerrarem fileiras”, afirmou Manuela Ferreira Leite.

 “É este o melhor sintoma de que já estamos a virar a página e soubemos trazer para a agenda política os problemas que preocupam os portugueses. A história do PSD é isso mesmo, sempre que soube identificar-se com os problemas do país fortaleceu-se”, acrescentou a ex-ministra das Finanças e primeira mulher a chegar à presidência do PSD.

Economista, 67 anos, Ferreira Leite entrou para o partido pela mão do Presidente da República, Cavaco Silva, seu grande amigo e principal referência política.

Maria Manuela Dias Ferreira Leite nasceu em Lisboa a 3 de Dezembro de 1940, filha de um casal de advogados e neta do protagonista do “último duelo realizado em Portugal” e autor de um Tratado de Finanças Públicas.

A tradição familiar na área das Finanças vai ainda mais longe no tempo. Manuela Ferreira Leite é bisneta de José Dias Ferreira, que foi ministro da Fazenda do rei D. Carlos, que o nomearia presidente do Conselho em 1892.

Licenciou-se em Economia pelo Instituto Superior de Ciências Económicas e Financeiras (ISCEF) em 1963 e pouco depois conheceu Cavaco Silva, com quem dividiu aulas práticas de Finanças Públicas e Economia Pública e de quem foi chefe de gabinete quando este exerceu o cargo de ministro das Finanças de Sá Carneiro.

Manuela Ferreira Leite filiou-se no PSD alguns anos mais tarde, depois de Cavaco Silva se tornar presidente do partido no Congresso da Figueira da Foz de 1985 - momento a que assistiu pela televisão.

A seguir, foi directora-geral da Contabilidade Pública, secretária de Estado do Orçamento e ministra da Educação dos governos de maioria absoluta do PSD chefiados pelo actual Presidente da República.

Foi como ministra da Educação que ganhou a imagem pública de austeridade e passou a ser comparada à ex-primeira-ministra britânica Margaret Thatcher, recebendo o seu epíteto “Dama de Ferro”, que alguns que a conhecem de perto desmentem.

 “É das pessoas mais humanas e sensíveis que conheço”, afirmou o eurodeputado do PSD Carlos Coelho.

 “Toda a gente diz que tenho um ar de bruxa, e não posso fazer nada contra isso. Não sou é pessoa que mostre um grande à-vontade nos primeiros contactos”, observou a própria.

Manuela Ferreira Leite é católica, divorciada e mãe de três filhos.

 “É muito mãe galinha. A vida dos filhos ocupa um espaço enorme na cabeça dela”, segundo o seu director de campanha, Luís Marques Guedes. A candidata à liderança do PSD cancelou mesmo a campanha na sexta-feira para se deslocar a Londres para assistir ao nascimento do seu primeiro neto varão.

Cavaco Silva escreveu sobre a sua ex-ministra e amiga, na sua autobiografia política: “Viria a revelar-se mais tarde uma mulher de grande visão política, qualidade de que, na altura, confesso, não me apercebi”.

Depois dos governos cavaquistas, Manuela Ferreira Leite foi deputada da oposição, vice-presidente e presidente do grupo parlamentar do PSD e liderou a distrital do partido de Lisboa.

Voltou ao Governo em 2002 para ser a “número dois” de Durão Barroso, despenhando as funções de ministra de Estado e das Finanças.

Afastou-se de cargos políticos quando em Pedro Santana Lopes substituiu Durão Barroso na liderança do Governo e do PSD em 2004, mas aceitou o convite de Cavaco Silva para ser membro do Conselho de Estado, após este ter vencido as presidenciais de 2006.

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