Economia

Açores precisam de produtos caros

  • 12 de Abril de 2011
  • 225 Visualizações, Última Leitura a 24 Junho 2017 às 08:52
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Os Açores devem apostar em produtos com valor acrescentado e não de baixo custo, porque a "insularidade vai ter de ser paga de alguma forma".

Quem o defendeu foi o professor catedrático de Gestão no ISCTE (Instituto Universitário de Lisboa), José Crespo de Carvalho, que participou na primeira Conferência Internacional de Empreendedorismo, que se realizou no passado sábado, no Centro Cultural e de Congressos de Angra do Heroísmo.

"Há, no vosso caso, sempre uma penalização logística. O vosso mercado não é o interno", considerou, deixando palavras positivas. "Se me perguntarem se Portugal é viável respondo 'sim', e se me questionarem ao mesmo respeito quanto aos Açores, respondo 'claro'".

José Crespo de Carvalho destacou vários exemplos que podem ser seguidos pelo arquipélago, mas frisando que se tratavam apenas de ideias.

"O importante é encontrarem aquilo em que são bons, em que há mesmo potencial e levarem as coisas até ao fim. E escolham apenas algumas coisas, não todas. O problema de Portugal tem sido querer tudo e não saber decidir nada", avançou.


Chá e barcos

O professor do ISCTE considerou que o chá pode ser um produto a apostar, mas não numa vertente simplista. "Pode ser sintetizado em cápsulas de emagrecimento", adiantou. "Podem também criar a marca Chá Verde dos Açores".

Quanto ao setor dos laticínios, afirmou que também é preciso inovar. "Têm 90 mil vacas na ilha? Ponham-nas a dar lucro. Porque não produzir leites mais avançados, com um tempo elevado de durabilidade, dirigindo-os a mercados mais sofisticados e a preços mais altos?", questionou.

Outra área, disse, são as energias renováveis. "Têm as condições para se tornarem autossustentáveis em termos energéticos".

O especialista dá ainda outro exemplo, o da construção de embarcações. "A Ericeira tem uma coisa chamada Ericeira Surf Shop. Porque não criam um Azoresboat e o vendem?", prosseguiu.

José Crespo de Carvalho foi também duro quanto a críticas que se ouviram ao longo da manhã em termos de acesso a subsídios do Estado para iniciativas empreendedoras.

"Nenhum empreendedor se fez à conta de subsídios e de incentivos do Estado. Basta lerem as biografias dos grandes. Para se vencer é preciso trabalhar mesmo muito, levantar-se da cama e não ficar a dormir. É a única maneira".

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