Economia

Açores devem criar Escola de Negócios

  • 11 de Abril de 2011
  • 216 Visualizações, Última Leitura a 20 Julho 2017 às 18:31
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Entrevista a Sandro Paím, Presidente da Câmara do Comércio de Angra do Heroísmo:


Como encara a crise a nível nacional e o seu impacto, presente e futuro, na Região?

Encaro com grande apreensão. A crise começou em 2008 com impactos muito significativos na economia regional, o que levou a que muitas empresas apresentassem insolvência e cessassem a sua atividade.

Esses impactos sentiram-se igualmente na contração do consumo local e na liquidez financeira da banca e das empresas, conduzindo a uma retração da nossa economia.

Os acontecimentos das últimas semanas levaram a um inevitável pedido de resgate ao FEEF e ao FMI, sendo as consequências variadas e não só negativas.

Os aspetos mais preocupantes dizem respeito ao facto de termos um peso de 35% do orçamento regional que provém do orçamento do Estado, e termos perspetivas de cortes a este nível, com um possível decréscimo do investimento público na Região. Outro aspeto negativo prende-se com a diminuição do rendimento disponível das famílias que terá impactos no consumo.

Por outro lado, é importante ter em atenção que um dos setores vitais da nossa economia é o turismo e que está muito dependente do mercado nacional, ora com a conjuntura atual possivelmente iremos ter uma acentuada diminuição deste fluxo turístico.

No entanto, este resgate tem como mais-valias a estabilização do setor financeiro, perspetivando-se com isso o aumento da capacidade da banca para financiar o investimento privado, podendo prever-se assim o aumento do investimento e uma retoma futura dos principais indicadores da economia e do emprego em particular.


João Crispim, do Centro de Empreendedorismo da Universidade dos Açores, afirmou que a Região tem dos melhores sistemas de apoio a jovens empresários. Concorda?

Concordo. O Empreende Jovem assume-se hoje como o sistema de incentivos mais vantajoso para jovens empresários, entre os 18 e os 35 anos, e permitindo a criação de empresas de caráter inovador e contribuindo para a diversificação e renovação do tecido empresarial.

Os subsídios não são reembolsáveis e têm taxas base de 50 a 60% e majorações que podem atingir os 20%, bem como a possibilidade de recorrer a mecanismos de adiantamento e antecipação no pagamento dos incentivos, permitindo um menor esforço no financiamento dos projectos.

A atual conjuntura adversa torna igualmente necessário o apoio à iniciativa privada de empresas já estabelecidas, destacando-se o SIDER - Sistema de Incentivos para o Desenvolvimento Regional dos Açores, que, num futuro próximo, será alvo de novas reformulações, para promover as condições para o relançamento e incremento do Investimento Privado, considerando a sua importância no processo de recuperação económica.


Qual é o papel que considera que o empreendedorismo tem a desempenhar no arquipélago?

Os empreendedores têm um papel decisivo em todas as economias. Obviamente, os Açores não são exceção.

O futuro da economia e do emprego regional passa, sobretudo, pela criação, inovação, desenvolvimento e expansão das empresas locais.

São elas que criam emprego, geram riqueza, potenciam a competitividade e o crescimento económico.

Os empreendedores têm um papel fundamental na inovação, na produtividade e na renovação do tecido empresarial.

Por vezes, as grandes organizações são avessas a mudanças.

No entanto, para as jovens empresas, a inovação é o seu motor de desenvolvimento.


Que áreas identifica como vitais nos Açores e que merecem atitudes empreendedoras?

São várias as áreas vitais, onde há um grande espaço para o aparecimento de novas e inovadoras empresas. Desde as indústrias criativas, à Industrias relacionadas com o Mar, passando pela área da saúde ou das energias renováveis.

Fundamental é, também, o desenvolvimento e aparecimento de empresas que inovem no setor agrícola, hortícola e frutícola, permitindo à Região diminuir as importações, aumentando, também, o volume de exportações.


Como classifica o grau de empreendedorismo dos Açorianos?

Está em expansão. Estudos recentes do Innovation Union Scoreboard, publicado pela Comissão Europeia, apontam para uma subida substancial do empreendedorismo português, subindo mais do que qualquer outro país da União Europeia nos últimos 5 anos.

É um tema cada vez mais recorrente na opinião pública e publicada, e sabemos que as novas gerações estão mais despertas para este assunto.


Que papel devem as câmaras de comércio ter no desenvolvimento e promoção do empreendedorismo?

O papel das Câmaras do Comércio passa, sobretudo, pela divulgação, promoção e incentivo ao empreendedorismo.

A Câmara do Comércio de Angra do Heroísmo disponibiliza serviços que apoiam a criação das empresas, bem como desenvolve um conjunto de ações, formações de incremento do empreendedorismo.

Tem, também, alertado para a necessidade de se avançar rapidamente com a criação do Parque Tecnológico na Ilha Terceira, capaz de impulsionar o número de empresas empreendedoras e inovadoras na Região, permitindo o aparecimento de novos produtos, serviços, processos que contribuem para o aumento da competitividade.


Qual acha ser a missão da escola nesta área?

Fundamental! Precisamos de uma educação mais virada para o fomento do empreendedorismo, que dê aos estudantes a capacidade para detetar novas oportunidades de mercado e gerar ideias de novos negócios.

A Câmara do Comércio de Angra do Heroísmo propôs, já, a criação da 1ª Escola de Negócios dos Açores, que irá disponibilizar formação de excelência para os empresários, em parceria com as melhores universidades do país e do Mundo.

Permitirá desenvolver um programa formativo inovador, de excelência, com professores altamente qualificados, estabelecendo uma forte ligação entre teoria e a prática, entre o mundo académico e o mundo empresarial, bem como potenciar a captação de jovens licenciados e alunos de pós-graduação.


Porque escolheu a CCAH aliar-se a esta Conferência Internacional de Empreendedorismo?

A iniciativa do André Leonardo foi acolhida de imediato pela CCAH, integrando-a no Ciclo de Conferências que a CCAH está a programar para este ano, já que todo o projeto apresentado, desde a Conferência até ao concurso nas Escolas, é de louvar e insere-se inteiramente na política da CCAH de apoio a projetos empreendedores.

São iniciativas como estas que devemos acolher e incentivar, demonstrando que, apesar da nossa insularidade, temos tanta, ou mais capacidade, de criar eventos de excelência! O exemplo disso mesmo é a adesão das mais de 500 pessoas que lotaram a sala do Centro Cultural de Angra.

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