Economia

"Os Açores são uma terra de oportunidades"

  • 22 de Março de 2011
  • 221 Visualizações, Última Leitura a 25 Junho 2017 às 20:43
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João Crispim estará em Angra, a nove de Abril, para a "Conferência Internacional de Empreendedorismo"O coordenador do Centro de Empreendedorismo da Universidade dos Açores defende que a Região tem dos melhores sistemas de incentivos ao empreendedorismo da Europa.


Que importância tem o empreendedorismo neste cenário de crise?

Com crise ou sem crise, o empreendedorismo é importante.

O empreendedor é aquele que deteta oportunidades, que consegue interpretar os problemas e encontrar soluções para os desafios.

A criação de empresas é fundamental para qualquer economia, uma vez que possibilita a criação de riqueza e a criação de postos de trabalho, ou seja, é um fator determinante para o desenvolvimento e para o progresso.

Em cenários de crise há, teoricamente, mais dificuldades em perseguir estes desígnios, pelo que o papel dos empreendedores reforça a sua importância.

Muitas e boas oportunidades surgem em alturas destas e é necessário que apareçam esses visionários e as aproveitem, as potenciam e impulsionem, deste modo, as economias.

O empreendedorismo não é a panaceia, mas faz, certamente, parte da solução.


A crise tem a dimensão que lhe tem vindo a ser dada ou trata-se também de um sentimento generalizado?

Segundo os dados socioeconómicos que vão sendo conhecidos, existe de facto uma crise económica generalizada.

O que se poderá discutir é a profundidade dessa crise e se a mesma está a ser exagerada, nomeadamente nos Açores.

Todavia, aquilo que mais importa é perspetivar soluções, identificar oportunidades e assumir rumos de ação.


Que maiores áreas com potencial para iniciativas empreendedoras existem nos Açores?

Ao contrário do que muitas vezes se faz crer, os Açores são uma terra de oportunidades, como tem sido recorrentemente vincado, por exemplo, pela APIA.

O turismo é, desde logo, uma das áreas com maior potencial ainda por explorar, com nichos de mercado que se poderão tornar extremamente atrativos O mar é, porventura, a maior riqueza da Região e está muito longe de ser totalmente capitalizado.

A modernização das pescas e da agricultura representa um grande potencial de oportunidades, da mesma forma que o ambiente e o setor da Saúde e bem-estar.

Podemos considerar ainda as tecnologias de informação e comunicação e a investigação aplicada, nomeadamente com a perspetiva de surgimento dos parques tecnológicos.


Considera os incentivos financeiros disponibilizados pela Região aos novos empresários satisfatórios?

Nos Açores, temos dos melhores sistemas de incentivos a nível europeu. Existem vários programas, de acordo com enquadramentos específicos, mas todos eles apresentam taxas extremamente atrativas para novos empresários.

Por exemplo, através do sistema Empreende Jovem, poderá chegar-se a montantes de financiamento de 80 por cento do investimento elegível, partindo de uma base de 50por cento.

Outros programas existem e que conferem condições igualmente interessantes, como o SIDER ou PRORURAL.

Para além disso, foi apresentado no início de 2011 o primeiro fundo de capital de risco dos Açores, o FIAEA - Fundo de Investimento de Apoio ao Empreendedorismo dos Açores, que é mais um elemento que tem o verdadeiro mérito de possibilitar o financiamento a iniciativas empreendedoras, com a oportunidade de ser cumulativo com os sistemas de incentivo anteriormente referidos.


Que trabalho concreto está a ser desenvolvido pela UA neste campo?

Em 2006, foi criado o Centro de Empreendedorismo da Universidade dos Açores com o intuito de abordar a problemática do empreendedorismo.
 
Este Centro, para além de ser um veículo de estímulo ao surgimento de PME (pequenas e médias empresas) de fomento à inovação, constitui-se igualmente como um elo de ligação entre o meio académico e o meio empresarial.

É um facto que a transferência de conhecimento e tecnologia da Academia para o mercado é um fator de diferenciação que confere normalmente uma vantagem competitiva às empresas que o conseguem e favorece o surgimento das empresas de valor acrescentado.

O Centro de Empreendedorismo tem-se empenhado fortemente nesta tarefa, procurando criar as condições para que tal aconteça e estimulando os alunos, os docentes e os investigadores a implementar as suas ideias e os seus projetos Para além de ter sido criada a Marca Spin-off Universidade dos Açores/Centro de Empreendedorismo, recentemente foi apresentado publicamente o Projeto InCUBE, desenvolvido em parceria com o Governo Regional dos Açores, que tem por objetivo a construção de uma incubadora de empresas e de uma júnior empresa na Universidade dos Açores, garantindo-se assim mais uma valência no apoio à inovação e ao empreendedorismo tecnológico e científico.

Ainda nesta vertente, em parceria com o Millennium bcp, foi criado o Prémio Melhor Ideia de Negócio, em 2009, dirigido exclusivamente a alunos da Universidade dos Açores, procurando incentivar este público a pensar em projetos e a arriscar o seu planeamento.

Desde 2008, o Centro de Empreendedorismo oferece Cursos de Formação em Empreendedorismo, que visam dotar qualquer indivíduo com as ferramentas básicas da gestão empresarial.

Este curso já foi oferecido em várias ilhas da Região, incluindo Santa Maria, São Miguel, Terceira, Pico e Faial, totalizando 385 formandos.

Já se começam a registar casos de sucesso, como a Táxi Menu e a Digital Media Network.

A recente reformulação do Sistema de Incentivos Empreende Jovem inclui uma majoração de 5% para projetos cujos promotores tenham este tipo de formação.

O Projeto Educação Empreendedora: O Caminho do Sucesso! é um dos grandes projetos em que o Centro de Empreendedorismo se encontra envolvido, levando o conceito de empreendedorismo e a cultura empreendedora às salas de aula do 2.º ciclo, 3.º Ciclo, Ensino Secundário e Ensino Profissional de 26 escolas da Região.

São mais de 1.000 alunos e 60 professores envolvidos direta e indiretamente neste projeto, que promove uma aprendizagem através do conceito learning by doing e que tem como objetivo preparar as gerações futuras e incutir-lhes um maior sentido de iniciativa e dinamismo.

Numa valência mais académica, o Centro de Empreendedorismo desenvolve também trabalhos de investigação sobre esta temática.

Neste momento, está a participar no maior estudo internacional sobre empreendedorismo, o Global Entrepreneurship Monitor, que inclui pela primeira vez a Região Autónoma dos Açores.

Os resultados finais serão apresentados no segundo trimestre do ano.


Que importância atribui à conferência que decorre em abril na Terceira?

A conferência que irá decorrer na Terceira é naturalmente de grande importância, na mesma medida que todos os eventos que se têm desenvolvido sobre a temática do empreendedorismo nos últimos anos nos Açores.
 
Todas as iniciativas deste género são fundamentais para continuar a estimular o espírito empreendedor regional e para manter este tema na ordem do dia. É imperioso que se crie uma mentalidade que favoreça o surgimento de mais empresas, sobretudo as que incluam algum tipo de inovação e que apresentem potencial de crescimento.

Nos últimos anos, têm sido vários os eventos a focar estes assuntos, partindo de diferentes entidades que estão empenhadas neste trabalho, onde se inclui o Centro de Empreendedorismo da Universidade dos Açores, a Direcção Regional de Apoio ao Investimento e à Competitividade, a Cresaçor, as Câmaras do Comércio e a APIA.

Assim, percebe-se a pertinência desta conferência e o seu papel de fomento ao empreendedorismo no contexto regional.

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