Economia

Consumidores vão sentir subida das matérias-primas

  • 4 de Março de 2011
  • 226 Visualizações, Última Leitura a 25 Julho 2017 às 22:47
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Os preços dos lacticínios subiram em Fevereiro 3,97% e a carne 2% nas cotações internacionais.

Mas foram os cereais que mais contribuíram para a subida do índice de preços dos bens alimentares da FAO ( Food And Agriculture Organization), organismo das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura.

O milho foi a matéria-prima alimentar que mais subiu, ao ganhar 92% nos últimos 12 meses, o trigo aumentou 62% e a soja 42%. Apenas o açúcar escapou a este aumento.

Assim, os preços mundiais dos alimentos atingiram um novo recorde, pelo oitavo mês consecutivo e desde que nos anos 90 foi instituído o índice.

A organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura revelou ontem que esse mesmo índice que acompanha a evolução dos preços de 55 matérias-primas aumentou 2,2% até aos 236 pontos em Fevereiro, o que compara com os 230,7 pontos registados em Janeiro. Ou seja, um novo valor recorde.

O especialista da FAO, Abdolreza Abbassian, citado pela Lusa, considera que “o preço dos alimentos no mercado mundial deverá permanecer próximo do nível recorde atingido em Janeiro pelo menos até ao Verão, sendo o factor determinante as condições meteorológicas”.

Comentando a eventual ligação entre o aumento do preço dos alimentos e as revoltas que se vivem no norte de África, Abdolreza Abbassian afirmou que “é um problema adicional” mas não “o principal” factor. No entanto, tem sem dúvida um efeito dominó.

Além da recuperação da procura (mais consumo) por parte dos países em desenvolvimento e dos fenómenos meteorológicos que afectaram as colheitas estarem a ser determinantes para a subida dos preços, o facto é que “a subida inesperada do preço do petróleo [resultante dos conflitos] pode exacerbar ainda mais a já precária situação nos mercados de bens alimentares”.

Isso mesmo admitiu, por sua vez, David Hallam, director do departamento de Comércio e Mercados da FAO, num comentário divulgado pela Bloomberg e referido pelo Jornal de Negócios.

Impacto nos consumidores

De acordo com dados da Kantar Worldpanel, especializada em estudos de mercado, divulgados pelo jornal Público, 73% das famílias portuguesas já sente o impacto da crise (desemprego, aumento de impostos e de preços e corte de salários).

O estudo, feito a partir do acompanhamento de três mil agregados familiares, revela que 27% dizem não sentir esse impacto e, conforme a mesma notícia, do universo total das famílias, 19,2% afirmam sentir muitas dificuldades económicas e admitem não ter margem para suportar novas despesas.

Mesmo assim, o gasto médio dos lares portugueses em produtos de grande consumo (incluíndo produtos alimentares), registou uma subida de 1,57% no segundo semestre do ano passado, face ao período homólogo de 2009.

Por outro lado, o aumento do IVA em alguns produtos, bem como a subida de bens alimentares e matérias-primas também contribuiu para que o custo dos alimentos pesem mais nos bolsos portugueses.

Prevendo-se mesmo que o aumento dos cereais e das oleaginosas possa criar uma subida entre 7,4 e 12% nos gastos mensais em bens alimentares. E nos custos das importações.

 

Produção regional

Nos Açores, o secretário regional da Agricultura e Florestas admite que os aumentos dos cereais induzem ao aumento, por exemplo, das rações.

Isto do ponto de vista dos custos de produção, mas frisa que isso “não significa que se reflicta na mesma proporção no litro de leite”.

De resto, Noé Rodrigues refere que a fileira do leite na Região, comparativamente ao território do continente português, beneficia de alguns instrumentos que possibilitam, apesar das dificuldades, que se mantenha competitiva no mercado.

Como exemplo, refere um diferencial do preço de gasóleo que tem oscilado entre os 25 e os 26%, assim como as pastagens.

Questionado sobre a nossa autonomia alimentar (logo menor dependência de importações que vão reflectir o aumento de preços generalizado), Rodrigues diz que ‘já lá vai o tempo’ em que o armazenamento garantia o auto-aprovisionamento alimentar.

Hoje, diz, essa reserva resulta da capacidade produtiva, acrescentando, contudo, que “nunca” teremos capacidade para produzir “tudo o que consumimos”.

Refira-se ainda que alguns bens alimentares estão na Região sujeitos a preços vigiados, como é o caso do arroz, azeite, carne de frango e pão.
 

Aumento da produção regional pode contrariar importação de bens alimentares

Questionado sobre eventuais medidas no sentido de aumentar a produção própria de bens alimentares, o titular da Agricultura embora reconheça que “nunca vamos produzir para todas as nossas necessidades” (caso do milho grão ou do trigo, que recorrem actualmente a meios altamente mecanizados e áreas extensas de terreno ou de outras produções por razões climáticas), revela que têm-se verificado aumentos de produção, por exemplo ao nível da horticultura.

A Região, afirma, tem vindo a incentivar a constituição de produtores e a sua organização com a distribuição.

Brevemente, revelou, o Modelo irá promover produtos regionais. Pretende-se, explica, aumentar o consumo, a bem dos produtores e, espera-se, dos consumidores.

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