Economia

Natureza e mercado nacional oferecem garantias de sucesso

  • 28 de Fevereiro de 2011
  • 236 Visualizações, Última Leitura a 24 Junho 2017 às 08:53
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Na tentativa de dar um rumo ao turismo nos Açores, a Associação de Turismo dos Açores, pela voz da sua presidente, Luísa Schandler, diz que a tónica está no produto Natureza associado às belezas naturais do arquipélago, mas, sublinha, de um modo activo e não apenas contemplativo.

Actividades como percursos pedestres e ‘birdwatching’, a par de cartazes de festas populares, são consideradas potencialidades que, segundo a responsável, devem ser consolidadas no sentido de aumentar o número de turistas e visitantes nas unidades hoteleiras dos Açores, sobretudo vindos do continente português onde estão centradas as atenções de mercado.

As declarações de Luísa Schandler foram prestadas no decorrer da edição de 2011 da Bolsa de Turismo de Lisboa.

Mais do que um modo contemplativo, o produto Natureza nos Açores, associado às suas belezas naturais, deve conter uma forte componente prática orientada para as actividades desportivas e de lazer em terra e mar.

As palavras são de Luísa Schandler, presidente da Associação de Turismo dos Açores (ATA), e foram expressas no decorrer da Bolsa de Turismo de Lisboa (BTL) que terminou ontem na FIL no Parque das Nações.

“Os nossos produtos-âncora foram e continuam a ser os tradicionais: Natureza. Mas temos de evoluir e a Natureza deve ser vista como algo que pode ser participada, vivida e partilhada”, afirma a responsável pela ATA, em declarações ao nosso jornal, quando questionada sobre a possível ausência de um “produto-âncora” no turismo nos Açores como ponto de partida de um rumo que aparentemente manifesta dificuldade em ser traçado.

“Portanto, nós vamos investir em todos os produtos de Natureza associados às nossas belezas naturais como, por exemplo, percursos pedestres, observação de cetáceos, canoagem, birdwatching, entre outros”, acrescenta. 

No entanto, sublinha, os interesses turísticos nos Açores estendem-se muito para além das paisagens naturais, e, por isso, indica Angra do Heroísmo, cidade Património Mundial e as festas populares de renome como, por exemplo, Sanjoaninas e Festas do Senhor Santo Cristo dos Milagres.  

“Nunca podemos esquecer que a cidade de Angra é Património Mundial, e por não ser uma paisagem não deixa de ser atractiva; que nós temos festividades únicas como as Sanjoaninas e as Festas de Santo Cristo que também podem ser vendidas como produto turístico muito interessante”, considera.

Da ideia à prática, a dirigente associativa acredita que os resultados surgirão por meio de uma acção de consolidação dos produtos regionais reforçando as potencialidades e oferecendo alternativas a quem visita o arquipélago.


Mercado nacional é “tradição”

Embora cientes da tão falada crise financeira no país, os responsáveis pelo turismo nos Açores estão de olhos postos no mercado nacional justificando as apostas com a “tradição” do número de visitantes provenientes do continente a cada ano.

“A nossa tradição é termos cerca de 49 a 50 por cento de turistas visitantes do continente nas nossas ilhas.

Não podemos de deixar de fazer esse esforço de aumentar a notoriedade do destino Açores [no território nacional] ”, considera a presidente da ATA.

Sobre os mercados internacionais, anteriormente colocados na linha da frente pela tutela, como França, Escandinávia e Alemanha, Luísa Schandler adianta que os responsáveis vão continuar a fazer uma campanha de promoção turística em países estrangeiros. 
 
“Uma coisa é certa: vamos continuar a fazer [campanha de promoção turística] no continente e reforçar naqueles países que não estão numa situação tão crítica a nível financeiro como a Alemanha, Canadá e Holanda”, assegura sem adiantar os resultados desse trabalho promocional no sector.

“Esperamos a curto prazo já poder quantificar os esforços dessa campanha nesses mercados a nível de aumento de turistas nas unidades hoteleiras dos Açores”, diz.

No que concerne à participação dos Açores na BTL, Luísa Schandler sintetiza as suas palavras no número total de marcas participantes – 23 individuais e colectivos – e na prestação da ATA junto dos seus associados.

“A ATA, como associação que quer colaborar na promoção de todos os seus associados, proporcionou espaços reservados para fazerem os seus negócios”, remata.


Menos stands na BTL

Aparentemente, a nível geral a edição 2011 da BTL, que decorreu entre 23 e 27 de Fevereiro, reuniu menos stands em comparação com os anos anteriores.

Em relação ao arquipélago dos Açores, segundo o presidente da Associação Regional de Turismo (ART), Sandro Paim, verificou-se também um decréscimo no número de representações individuais e colectivas.
 
Ainda assim, questionado sobre o balanço final da considerada maior mostra nacional do negócio no sector do turismo, diz que os resultados foram positivos.

“Nós temos objectivos bem definidos que têm a ver com consolidação do mercado nacional de forma a garantir que esses fluxos turísticos para a região não decrescem, pois nós sabemos que a Economia entrou em recessão no nosso país”, declara Sandro Paim, em entrevista ao jornal “a União”, reforçando que “as expectativas são boas no que diz respeito ao mercado nacional”.

“A região tem de se preocupar em consolidar o mercado nacional e, acima de tudo, captar novos fluxos dos mercados de destinos cuja Economia prevê-se um crescimento como o caso da Alemanha.

A esse nível estamos a trabalhar e apareceram uma quantidade de operadores interessados. Agora temos de concretizar esses negócios num trabalho entre a ATA e o Governo Regional”, avança.

Quanto ao trabalho da ART, o responsável diz que estão a consolidar as linhas traçadas para a promoção dos produtos dos Açores, sobretudo das ilhas do Grupo Central, e, nesse contexto, indica as novas edições de guias de actividades desportivas associadas às belezas naturais da região e à temática do empreendedorismo para incentivar o investimento nas empresas locais. 

“Falámos muito este ano em promover a indústria cultural, portanto promover as nossas festas populares, e focalizar o potencial que temos e que não é explorado em termos turísticos no mercado nacional”, acrescenta.

Sandro Paim indica ainda o trabalho em desenvolvimento, pela primeira vez, nas ilhas do Grupo Ocidental – Flores e Corvo – que, no seu entender, terá retorno a curto longo prazo.
 
Uma das prioridades da ART para 2011, diz, passa por aumentar o máximo possível a estadia média nos Açores, de 3 dias para 5, sendo certo, conforme o anunciado, um investimento de meio milhão de euros e o lançamento de uma campanha interna de Verão designada “Hello Azores”.

“Sabendo que há ilhas na região em que a estadia média é muito baixa, de 2 dias, e, portanto, as mesmas deverão ter um destaque especial no sentido de tentarem alcançar a média regional. Assim sendo estaremos a subir o todo da região em termos de estadia média”, conclui.

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