Economia

Preços do pão nos Açores preocupa associação de consumidores

  • 4 de Janeiro de 2011
  • 299 Visualizações, Última Leitura a 20 Novembro 2017 às 07:23
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A Associação de Consumidores da Região Açores (ACRA) está preocupada com o actual regime de preços vigiados que se pratica no sector da panificação na Região.

Referindo tratar-se de matéria sobre a qual foi solicitado, pela secretaria regional da Economia, um parecer à ACRA, Mário Reis, o seu responsável, explicou que este é um sector que poderá agravar o nível de vidas das populações açorianas em 2012.

“O pão nunca devia ter ido para o regime de preços vigiados porque este regime traduz-se, na prática, num regime de preços livres”.

O presidente da direcção da ACRA explica melhor: “os industriais de panificação apenas têm de que dizer ao governo que querem praticar o preço x, a partir da data y. Se não avisarem previamente, também não sofrem sanções”. Ou seja, resume: “cada um pratica o preço que quer”.

“De modo que, na prática, há uma liberalização de preços. Daquilo que se conhece, o pão é dos negócios mais rentáveis que há no mercado”.

“O governo aqui, tendo em conta o que disse o então secretário na altura, era de que a situação seria assim, em São Miguel e na Terceira, já que em ilhas mais pequenas, a situação já não é a mesma”.

Trata-se, no seu entender, de uma regra para situações diferentes: “o mercado de pequena dimensão condiciona e muito a industria de panificação. É mais complicado porque a dimensão do mercado não permite rentabilizar o negócio da mesma maneira”.

 

IVA a 16% nas ilhas

Sobre o facto de a taxa máxima do Imposto de Valor Acrescentado (IVA) no continente ter passado dos 21 para os 23 por cento e nos Açores de 15 para 16 por cento, mantendo-se as restantes taxas nos mesmos valores percentuais (quatro para a mínima, e nove para a média), o responsável pela ACRA, antevê “piores condições para a bolsa do consumidor”.

“A vida vai ficar mais cara por todo o lado e um pouco por todas as áreas”.

“A única que não vai aumentar, em princípio, são os salários”, recorda.

O facto de na função pública não haver aumentos, denota, vai ter reflexos na privada: “muito provavelmente, as empresas privadas vão tomar como ponto de referência esse não aumento dos salários na função pública”.

“Se aumentarem os salários nas empresas privadas, serão aumentos simbólicos que nunca darão para compensar o crescimento económico derivado dos impostos”.

 

“Consumidor é que paga sempre”

Questionado sobre o alerta que o presidente da Câmara de Comércio e Indústria da Horta fez, ontem, para o facto do aumento da sobretaxa de combustíveis no transporte de contentores poder fazer subir o preço das mercadorias junto dos consumidores, Mário Reis é peremptório: “o consumidor é que paga. Sempre. Mas isso não é de hoje”.

“Qualquer mexida de preço que haja nos factores de custo, como taxas – como acontece nos transportes marítimos nos Açores –, ela reflecte-se sempre no consumidor. Sempre”

“E isso reflecte-se duas, três, quatro vezes, consoante os impostos que sejam aplicados nas diferentes áreas de comercialização”.

“A vida vai ficar mais cara, sem dúvida. Não haja ilusões quanto a isso” e “o empresário poderá sentir uma diminuição no volume de negócio porque os consumidores irão retrair-se e consumir o mínimo possível”.

 

Exportadores com vida complicada

Não querendo correr o risco de fazer futurismo, o responsável pela Associação de Consumidores da Região Açores refere que para os industriais, sobretudo os que exportam, a vida “poderá ser ainda mais complicada”: “porque, por via do imposto, vão ter um custo maior à produção e quando essas empresas forem exportar vão ter de competir com outras indústrias estrangeiras que são mais competitivas, eventualmente porque pagam salários mais baixos, ou têm mão-de-obra indiferenciada”.

 

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