Economia

SÓCRATES ADMITE- Portugal atravessa "momento de dificuldade"

  • 28 de Maio de 2008
  • 338 Visualizações, Última Leitura a 24 Novembro 2017 às 05:31
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O primeiro-ministro reconheceu ontem o “momento de dificuldade” que Portugal atravessa manifestando “total compreensão” pelos problemas que afectam a população, mas recordou a “situação social muito desequilibrada” deixada pelo PSD.

“É um momento de dificuldade que Portugal enfrenta, que todos os países da Europa enfrentam”, admitiu o primeiro-ministro e secretário-geral do PS, José Sócrates, no discurso de encerramento das jornadas parlamentares socialistas, que decorreram em Angra do Heroísmo.

Sublinhando que “é justamente nos momentos de dificuldade que é preciso mais firmeza no rumo”, José Sócrates recusou ceder “à facilidade ou à demagogia”, apesar de manifestar a sua “total compreensão” por problemas como a alta do preço do petróleo, que provoca aumentos nos preços dos combustíveis.

Mas, acrescentou, “o dever do Governo é utilizar a margem de manobra que consegue para ajudar os sectores mais frágeis”, mantendo “o rumo” traçado.

Ainda a propósito das dificuldades que o país está a atravessar, o primeiro-ministro recordou que nunca teve um “período de governação que fosse fácil e simples”, garantindo estar “habituado às dificuldades”.

Numa parte do seu discurso onde argumentou sobre as medidas que o Governo tem vindo a tomar para combater as desigualdades, reiterando que essa é uma “questão vital para os socialistas”, José Sócrates atacou os partidos mais à direita, em especial o PSD.

Lembrando o relatório da União Europeia divulgado a semana passada sobre a situação social em Portugal, José Sócrates acusou “algumas forças políticas” de tudo terem feito para esconder que se tratava de um documento baseado em dados de 2004.

 “A direita não hesitou em explorar o relatório que era na verdade uma verdadeira sentença em julgado da sua própria governação”, sublinhou, considerando que se tratou de uma atitude do “máximo descaramento”.

Ou seja, continuou, quando o Governo tomou posse, não só enfrentou o problema de défice excessivo, como também encontrou uma “situação social muito desequilibrada”.

“Foram três anos de governação orientados pelo rigor, para pôr as contas públicas em ordem, mas o Governo sempre teve a possibilidade de canalizar recursos financeiros para minorar as desigualdades e acudir os grupos mais frágeis”, declarou.

Num discurso de mais de 40 minutos, José Sócrates rejeitou ainda a proposta dos sociais-democratas para que o Serviço Nacional de Saúde (SNS) deixe de ser universal e gratuito, sublinhando que se trata de um sistema que representa uma “arma contra as desigualdades”.

 “Queremos um SNS que sirva todos por igual, que todos tenham acesso ao mesmo”, referiu.

Igualmente posta de parte, acrescentou, está a privatização de parte da Segurança Social, também defendida pelo PSD.

 “Querem um regime social obrigatório privado, criar um limite a partir do qual as contribuições sejam entregues para os caprichos da bolsa”, criticou, insistindo na necessidade de uma “segurança social pública, mas eficiente, ao serviço da igualdade”.

César sem vergonha do primeiro-ministro

Por seu turno, o presidente do Governo Regional dos Açores e líder do PS na Região Autónoma disse 2ª feira não ter "vergonha" do primeiro-ministro, garantindo que tem "muito gosto" que José Sócrates visite o Arquipélago.

"Tenho sempre muito gosto na vinda do primeiro-ministro. Não tenho vergonha do meu primeiro-ministro", afirmou o presidente do Governo Regional dos Açores, Carlos César, em declarações aos jornalistas em Angra do Heroísmo, no final de um encontro com o líder parlamentar socialista, Alberto Martins.

Na segunda-feira, também em Angra do Heroísmo, na Ilha Terceira, o vogal da Comissão Política Regional do PSD/Açores Clélio Meneses acusou o primeiro-ministro, José Sócrates, de se deslocar ao Arquipélago açoriano "ultimamente uma vez por mês, para as habituais festas e ajuntamentos socialistas".

"É importante que Sócrates e os deputados à Assembleia da República [que estão na Ilha Terceira em Jornadas Parlamentares] conheçam o povo açoriano apesar de não o terem reconhecido na revisão do Estatuto Político-Administrativo", acrescentou.

Instado a comentar estas declarações, Carlos César disse que saúda sempre a vinda de representantes políticos aos Açores, se "vierem por bem".

Relativamente à realização das jornadas parlamentares socialista em Angra do Heroísmo, o presidente do Governo Regional dos Açores sublinhou ser "um motivo de orgulho", considerando que se trata de uma ocasião para mostrar o que o executivo açoriano tem "feito bem" e o que "aflige" mais os açorianos.

Questionado se não teme vir a ser penalizado pela actuação do Governo nas eleições regionais de Outubro, onde se irá recandidatar para mais um mandato à frente do Governo Regional, Carlos César desvalorizou a questão, considerando que os socialistas açorianos serão julgados pelos "méritos e deméritos" do Governo Regional.

"Mas sentimos que temos obra feita. Boa obra", salientou, lembrando que na Região Autónoma dos Açores a economia tem crescido acima da média nacional.

 

Antes de ter ido apresentar cumprimentos ao presidente do Governo Regional dos Açores, o líder parlamentar do PS na Assembleia da República, Alberto Martins, tinha já deixado elogios ao "ciclo de desenvolvimento iniciado em 1996" com a liderança de Carlos César no executivo açoriano. Um ciclo que, para Alberto Martins, "exige continuação".

 

"Estamos confiantes que o PS voltará a merecer nas eleições que se avizinham o apoio dos açorianos para uma estratégia de coesão social e territorial e de aprofundamento dos princípios democráticos da autonomia no respeito por padrões de exigente ética republicana", afirmou Alberto Martins.

Na sua intervenção, o líder da bancada do PS reiterou ainda os elogios ao novo Estatuto Político-Administrativo dos Açores, sublinhando que os socialistas "assumem com frontalidade a autonomia regional como processo gradual e dinâmico, aberto ao aperfeiçoamento e à mudança".

"Em três anos de Governo, a maioria parlamentar socialista mostrou-se coesa, participativa e à altura das suas responsabilidades", acrescentou, deixando críticas à actuação da direita parlamentar e aos partidos mais à esquerda do PS.

"Em três anos de oposição parlamentar, os partidos de direita em especial o PSD, têm oscilado entre o despesismo inveterado e a desvalorização da maior redução na despesa pública feita em 30 anos", declarou, acusando ainda a direita de "conservadorismo social" na lei da procriação medicamente assistida e de ter sucumbido "a pulsão neoliberal" ao querer privatizar a segurança social.

Os partidos mais à esquerda do PS, continuou, estiveram contra decisões como a avaliação da Administração Pública por "imobilismo e situacionismo".

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