Economia

Escolas Açorianas começam a aplicar acordo ortográfico em 2011

  • 20 de Dezembro de 2010
  • 247 Visualizações, Última Leitura a 23 Agosto 2017 às 00:42
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No início do ano lectivo 2011-2012, em Setembro, as escolas açorianas vão começar a aplicar o novo acordo ortográfico. A garantia é da directora regional da Educação que lembra que, “desde que se começou a formação para os novos programas de Português, nós sempre afirmamos que a Região aplicaria o acordo ortográfico simultaneamente com o resto do país e assim será feito”.

O Governo aprovou, em Conselho de Ministros (9 de Dezembro) a aplicação das novas regras de ortografia nas escolas no próximo ano lectivo e, na administração pública, em Janeiro de 2012.

Como explica Fabíola Cardoso, “nós ainda não recebemos informação oficial do Ministério da Educação, mas já é público que o Ministério tem intenção de aplicar o acordo ortográfico no ano lectivo 2011-2012”, e além disso, “as novas regras do acordo ortográfico vão integrar os novos manuais que se forem adoptando em todas as disciplinas e claro que a Região vai seguir a calendarização”, garante (ver caixa).

Questionada se as escolas, e em especial os docentes, estão preparados para a mudança, a directora regional admite que “não houve ainda formação em relação ao novo acordo ortográfico”. No entanto, adiantou, “há uma plataforma online com todas as explicações sobre a aplicação do novo acordo e vai haver um dicionário oficial para aplicação nas escolas”. E a avaliar pela apreciação que a Direcção Regional da Educação fez, salvaguarda a responsável, “a aplicação das regras não requer uma formação muito intensa do pessoal docente”.

Contudo, reconhece que é necessário desenvolver medidas que promovam o esclarecimento dos docentes, em especial dos professores de outras disciplinas que não a Língua Portuguesa. “Julgo que os docentes de Língua Portuguesa não terão qualquer dificuldade nessa transição para uma nova ortografia, mas reconheço que para os docentes das outras disciplinas será necessário algum apoio, esclarecimento e a direcção regional está a delinear a melhor maneira de o fazer”, afirmou.

Na resolução aprovada pelo Governo explicita-se que o novo acordo ortográfico deverá começar a ser aplicado no próximo ano lectivo, mas também que a partir de Janeiro de 2012 seja aplicado no próprio Diário da República electrónico e em toda a actividade do Governo e dos serviços dependentes da administração pública.

A própria Assembleia da República decidiu na semana passada aplicar o novo Acordo em 2012, adoptando o vocabulário do Instituto de Linguística Teórica e Computacional (ILTEC) e, até os documentos apresentados na grafia anterior ao Acordo serão transformados na nova grafia através da utilização de um software específico de conversão de texto (o Lince).

Para a directora regional da Educação, a familiarização da população com as novas regras depende em muito não só do trabalho desenvolvido nas escolas, mas também da adopção do Acordo pelos órgãos de comunicação social. “Toda a gente reconhece que serão os grandes veículos para que o acordo ortográfico se implemente”, diz.

Alunos vão ter manuais com nova grafia e livros escolares com a antiga escrita A aplicação da nova grafia arranca no ano lectivo de 2011/2012, no entanto será faseada até ao ano lectivo 2013/2014. Deste modo, quando começarem as aulas no próximo ano escolar, os alunos terão já manuais escolares escritos segundo as regras estabelecidas no novo Acordo Ortográfico, mas também livros escolares com a grafia antiga, pelo menos durante o período de transição. Está definido um calendário que irá permitir diminuir o impacto da aplicação do Acordo Ortográfico não só nas editoras e livrarias, como para as famílias.

O referido calendário que irá permitir racionalizar stocks resulta de um acordo entre a Comissão do Livro Escolar da Associação Portuguesa de Editores e Livreiros (APEL) e as editoras. Alterações a ter em conta na escrita com novo Acordo O Acordo Ortográfico está em vigor desde 2009 em vários países da CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa). Traz alterações a ter em conta.

O alfabeto português que era formado por 23 letras, vai comportar 26, ao incluir o K, W e Y. Os meses do ano, as estações do ano e os pontos cardeais que se escreviam com maiúsculas, passam a escrever-se com minúsculas. E algumas consoantes mudas deixam de estar grafadas - por exemplo acto passa a ato, óptimo a ótimo, actividade a atividade, ou peremptório passa a perentório.

Há ainda outras mudanças previstas: os verbos com duas vogais juntas que eram acentuados deixam de o ser - vêem passa por exemplo a veem; palavras com hífen deixam de ter (por exemplo, contra-senso passa a contrassenso) e formas do verbo haver que eram conjugadas com recurso a hífen, deixam de o ser - hei-de, passa a hei de, por exemplo. Deixam também de ser acentuadas palavras iguais ou parecidas na escrita, mas com pronúncia diferente, por exemplo, “pára” (verbo parar) deixa de ser acentuado escrevendo-se da mesma forma que a preposição “para”.

Todas estas alterações têm o objectivo de globalizar a Língua Portuguesa e unificar a escrita nos países que assinaram o Acordo - Brasil (2004), Cabo Verde (2005), São Tomé e Príncipe (2006), Portugal (2008) e Timor-Leste (2009). Para facilitar a transição, já existe uma ferramenta de apoio à implementação do Acordo Ortográfico.

Chama-se “Lince” e converte o conteúdo de ficheiros de texto para a nova grafia. Suporta vários formatos e permite converter em simultâneo um número elevado de ficheiros de qualquer dimensão. Pode ficar a saber mais sobre o Acordo Ortográfico e o Lince no Portal da Língua Portuguesa www.portaldalinguaportuguesa.

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