Economia

Carros eléctricos e redes inteligentes no próximo ano

  • 8 de Novembro de 2010
  • 294 Visualizações, Última Leitura a 17 Outubro 2017 às 23:20
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No início do próximo ano o projecto de autonomização energética dos Açores - “Green Islands” - começará a ter aplicação prática.

Concluída a fase de caracterização dos recursos das nove ilhas e o desenho dos projectos-piloto através dos quais se testarão as soluções de autonomização encontradas, arrancam no início do ano os projectos da rede inteligente e da mobilidade sustentável, e em meados de 2011 o do Corvo “Smart Island”.

Deste modo, começará por ser implementado, num bairro de Ponta Delgada, um “projecto pequeno” de rede inteligente, revelou Nuno Ferreira Domingues, coordenador do “Green Islands” nos Açores.

Os objectivos serão, por um lado, observar “o verdadeiro impacto da microgeração na rede” e por outro, “educar as pessoas para as vantagens de migrarem consumos do dia para a noite”, explicou o responsável, que acrescentou ainda que com a rede inteligente as pessoas poderão controlar a sua factura energética, sabendo em tempo real o que está a ser consumido.

Também no início do ano será possível às pessoas, mediante inscrição, testar durante uma ou duas semanas um carro eléctrico.

O projecto de mobilidade sustentável irá incluir ainda a instalação das infra-estruturas necessárias ao carregamento dos carros eléctricos e o desenvolvimento dos planos de mobilidade eléctrica nas nove ilhas dos Açores.

O projecto Corvo “Smart Island” só mais tarde será implementado.

Como explicou Nuno Domingues, “o projecto do Corvo é mais demorado porque é um projecto bem mais integrado e exige por isso uma maturação maior”.

Mas a expectativa é que o desenho do projecto esteja concluído a meio do próximo ano e que então avance, até porque, salvaguarda Nuno Domingues, há empresas interessadas nele. Segundo o responsável, houve desafios a ultrapassar neste projecto, admitindo que “a conjuntura internacional não tem ajudado nada, pois as empresas retraíram-se um pouco”.

Mas o projecto será importante, na medida em que permitirá comprovar a possibilidade de uma ilha se tornar “quase 100% renovável, não só na geração de energia eléctrica (aí já temos o exemplo das Flores) mas também a nível da energia primária (transportes, combustíveis e gás)”.
 
E como será isso possível? Nuno Domingues explica: produzindo quase 100% de energia eléctrica, conseguindo que a maioria dos carros sejam eléctricos e que a água sanitária seja aquecida com recurso à energia solar, de modo a minimizar o transporte de combustíveis e de gás para o Corvo.

Cerca de 80 por cento dos relatórios dos grupos de investigação da Universidade dos Açores envolvidos no projecto “tiveram comentário de excelência”.

Segundo Nuno Domingues, “os avaliadores [docentes do MIT e do MIT Portugal] foram unânimes em dizer que se conseguiu criar nos Açores uma massa crítica na área das renováveis”, tal como já foi feito na área da indústria, com a EDA e a SOGEO.

Ora, a estratégia da equipa do “Green Islands” tem sido projectar esse potencial no exterior, tendo apostado na celebração de protocolos com outros centros de investigação de renome mundial, além do MIT.

Assim, já foi assinado um protocolo com um centro de energias renováveis com sede em Navarra (Espanha) que tem investigação “de ponta” desenvolvida na área das energias eólica e solar, e em breve será assinado um protocolo de cooperação com um laboratório de investigação de Nova Iorque, também com investigação na área das renováveis.

Também o governo de uma província da China que está já investir nas energias renováveis já demonstrou interesse na oficialização de uma parceria.

A meta resume-se na frase do coordenador: “hoje estamos a desenvolver projectos-piloto nos Açores, amanhã poderemos estar a desenvolver projectos-piloto liderados por estes centros de investigação - trazendo conhecimento para os Açores e dando a possibilidade da academia açoriana se projectar e vender serviços”.

 

Empresas envolvidas

Os projectos-piloto serão viabilizados não só com a academia açoriana e com o MIT mas também com empresas privadas (regionais e não só) interessadas em trabalhar na autonomização energética.

São elas a EDA; a Nova Base (empresa “de ponta” em sistemas informáticos sediada nos Açores), que tem muito interesse nos sistemas inteligentes; a Curry (empresa americana que veio através do MIT), também com interesse na área das redes inteligentes; e ainda fabricantes de automóveis como a General Motors e a Nissan, interessadas na mobilidade eléctrica, entre outras.

 

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