Economia

Faltam estudos específicos sobre mergulho nos Açores

  • 11 de Outubro de 2010
  • 255 Visualizações, Última Leitura a 18 Dezembro 2017 às 22:31
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Saber o número de turistas e visitantes que se deslocam anualmente aos Açores, de propósito para a prática de mergulho, e o retorno social, cultural e financeiro dessa procura é apenas uma de muitas questões lançadas sobre a temática, que, até ao momento, parecem estar sem resposta.

Em causa está a falta de estudos específicos sobre a modalidade, pelo menos do conhecimento público, conforme as palavras de João Gonçalves, investigador do Departamento de Oceanografia e Pescas da Universidade dos Açores (DOP).

“Não há um estudo dedicado a esta actividade; não há dados históricos”, preconiza o investigador, em declarações ao nosso jornal, justificando os contributos desse eventual trabalho.

“Seria importante saber em que ponto é que estamos. Toda a gente tem ideia de que os Açores são um sítio muito bom para mergulho. É um sítio interessante e temos que aproveitar o melhor possível para tentar retirar mais-valias desse interesse”, considera.

Questionado sobre as qualidades dos mares dos Açores no que concerne à prática de mergulho, João Gonçalves reforça a ideia de que a beleza natural do local, por si só, é razão insuficiente para fazer deslocar profissionais e entusiastas desse desporto subaquático.

Para o investigador do DOP, a riqueza histórica e a prática do trabalho no sector turístico e comercial requerem também atenções especiais.

Por isso, sublinha, devemos começar por tomar conhecimento da realidade envolvente e, depois, consoante a indicação dos estudos, trabalhar no sentido de “limar as arestas” do que poderá revelar-se menos bem.

À escala mundial, refere, os Açores são ultrapassados por lugares como o Mar Vermelho e as Caraíbas, por exemplo, em termos de património arqueológico marinho e biodiversidade selvagem das suas águas, mas, naturalmente, trata-se de realidades diferentes.

“Provavelmente não queremos uma situação daquelas cá nos Açores. É muita gente dentro de água. Mas queremos certamente uma situação um pouco maior do que a actual. Temos capacidade para isso”, adianta.

 

Primeiros passos

Considerando a pergunta lançada pelo próprio, “em que ponto é que estamos?”, e a data em que, provavelmente, apareceram os primeiros interessados em explorar o mergulho nos mares dos Açores, nos anos 70/80, João Gonçalves diz que hoje em dia os Açores encontram-se ainda numa fase muito inicial.

“Se compararmos ao Whale Whatching, que nasceu nos anos 90, o mergulho nunca cresceu muito. E isso interessa para o turismo”, refere o investigador do DOP ao dar como válida a razão de esse “pouco crescimento” poder estar intimamente ligada aos custos financeiros dos transportes de carga.

“Tem mais custos comparativamente ao WW. Mas há campanhas em determinadas linhas aéreas destinadas a praticantes de modalidades como mergulho e golfe, para o transporte de equipamento. É preciso haver alguma tolerância para esse tipo de actividade desportiva”, diz.

Actualmente, segundo informa, existem mais de duas dezenas de centros de mergulho em actividade nos Açores, um pouco por todas as ilhas, com prevalência nas de maior fluxo populacional – São Miguel e Terceira.

Já em termos de locais de mergulho, os guias e desdobráveis publicados pela Associação Regional de Turismo – ART, indica um pouco mais de meia centena na sua totalidade. Na ilha Terceira, por exemplo, estão expressos seis “spots”: Calheta do Lagador, Gruta do Ilhéu das Cabras, Fradinhos, Cemitério das Âncoras, Lidador e Cinco Ribeiras.

“Depende da procura por parte dos turistas. Não me parece ser excessivo e tudo se revela com potencialidade para crescer”, considera João Gonçalves quando questionado sobre o número actual de empresas dedicadas e organizações dedicadas a essa prática.

“Em cada mergulho deve existir um guia a acompanhar. Tem de haver sempre uma grande diversidade de centros”, conclui.

 

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