Economia

Legislação das Armas também reduziu caçadores nos Açores

  • 25 de Agosto de 2010
  • 227 Visualizações, Última Leitura a 20 Agosto 2017 às 17:17
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As associações de caça regionais e praticantes confirmam que, tal como se verificou a nível nacional, a Lei das Armas também tem diminuído o número de praticantes na Região.

Alguns caçadores dos Açores apontam mesmo que a última legislação sobre as armas é tão burocrática e restritiva que quando expirarem as licenças, vão acabar por entregar as armas ou vendê-las, abandonando assim completamente a caça.

A situação é agravada pela falta de novos praticantes na modalidade, o que leva a que o número de caçadores esteja a diminuir nos últimos anos, conforme explica Olívio Ourique, presidente do Clube Cinegético e Cinófilo da ilha Terceira.

“De entre 6 a 10 anos o número de caçadores aqui na ilha Terceira poderá reduzir para cerca de um terço dos actuais”, aponta, sendo que actualmente serão cerca de mil os caçadores só naquela ilha.

“A maioria dos caçadores aqui tem entre 40 e 60 anos de idade e já não têm paciência nem tempo para andar a fazer exames complexos, preencher licenças e pagar seguros.

Então eles próprios dizem-me que quando caducar a licença, abandonam a caça de vez”, explica.

“E como não há jovens a entrar na caça, a geração não se renova e, como tal, diminuem os caçadores”, conclui, indicando ainda que a quebra verifica-se tanto no número de praticantes de caça como do tiro desportivo (tiro ao alvo ou aos pratos).

Paulo Cruz, caçador e ex-presidente da Federação de Caçadores dosAçores, confirma os mesmos problemas entre os caçadores em SãoMiguel.

“Com tanta restrição à volta da caça aqui, só os verdadeiros apaixonados por ela é que podem manter interesse na actividade”.

Para explicar algumas das particularidades a que é obrigado o caçador micaelense Paulo Cruz toma por exemplo a caça à codorniz, que só pode ser feita entre as 9 e as 12 horas dos quatro Domingos do mês de Dezembro .

“Uma pessoa que se interesse só pela codorniz, vai treinar os cães e mantê-los para caçar doze horas no ano inteiro? É muito complicado assim”, aponta, dando também o exemplo dos coelhos, que na ilha de São Miguel, estão limitados a um máximo de duas peças por caçador.

“Para abater dois coelhos por dia, valerá a pena pagar todas as licenças das armas e guardá-las em cofres-fortes, como obriga a lei, cujos preços podem chegar a 1000 euros?”, questiona.

No entanto Paulo Cruz salienta que o grande problema da caça nos Açores é a caça ilegal, indicando que o caçador moderno tem que preservar a natureza, o que não sucede na caça furtiva.

“O caçador hoje em dia, que já não caça para comer, é um ecologista. É alguém que preserva a natureza de hoje para poder caçar amanhã, não matamos 80 coelhos num dia”, explica.

“Mas como não há muitos caçadores legais e organizados, a reivindicarem os seus direitos, acaba por haver mais a caçar ilegalmente, até porque raramente são punidos”, conclui.

Paulo Cruz indica também que a situação é agravada pela dificuldade em apanhar os prevaricadores, que pelo uso de telemóveis e outros meios tecnológicos, são cada vez mais difíceis de apanhar pelas autoridades.

De acordo com dados indicados pela Agência Lusa no início da semana, o universo de caçadores encartados em Portugal ronda os 300 mil, mas na última década o país perdeu quase 80 mil caçadores, isto quando na última época de caça estes rondaram os 145 mil.

O ministro da Agricultura, António Serrano, afirmou no passado dia 22 que a alteração da lei das armas já está concluída e aguarda agendamento para aprovação pelo Conselho de Ministros, prevendo-se neste novo diploma uma simplificação da carta de caçador.

 

Número de licenças de caça tem diminuído nos Açores durante os últimos quatro anos

Dados fornecidos pela Direcção Regional de Serviços Florestais indicam que o número de licenças de caça tem registado uma diminuição desde 2006.

Na época venatória de 2006/2007 foram vendidas na Região um total 2419 licenças de caça s.

Nos dados relativos ao ano transacto (a época de caça actual decorre de 1 de Julho até 31 de Junho de 2011), foram vendidas 2122 licenças.

A maior quebra registou-se entre 2008/2009, na qual se verificou a emissão de menos 244 licenças de caça.

Relativamente à época venatória decorrente, até 5 Maio de 2010 haviam sido vendidas 1620 licenças de caça na Região e até ao dia 5 de Abril um total de 3860 caçadores açorianos possuía uma carta de caçador regional válida.

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