Economia

Líder da Atlântico Line aconselha privatização

  • 5 de Agosto de 2010
  • 225 Visualizações, Última Leitura a 20 Agosto 2017 às 15:26
    • *
    • *
    • *
    • *
    • *

Privatizar as estruturas portuárias é a visão que o presidente da Atlântico Line, o comandante António Raposo, defendeu para resolver a situação complicada dos transportes marítimos, num encontro entre o responsável e empresários da ilha Terceira, promovido pela Câmara de Comércio de Angra do Heroísmo.

O comandante justificou esta posição com aquilo que é feito noutros países da União Europeia, onde os portos não são dissociados das lotas. Estas constituem uma estrutura do porto e estão, portanto, juridicamente unidas pelo sistema de domínio sobre os portos.

“Na posição de vice presidente da Associação Europeia de Portos e Lotas, verifiquei que, em toda a Europa, a gestão dos portos é privada e faz a gestão daquele espaço da melhor forma possível e rentabilizando os comerciantes locais”, lançou.

Acrescentou o presidente que, na sua experiência, notou que, por ser este um “negócio apetecível”, a maioria dos donos das empresas ligadas a esta área são bancos e seguradoras.

“Eu acredito nesta solução como melhor forma de responder aos interesses dos açorianos”, lançou o comandante.

O conselho foi lançado enquanto forma de fugir à difícil gestão das estruturas que recebem os navios de transporte de passageiros e mercadorias no arquipélago.

Ainda assim, o presidente lançou alguns números que, analisados de forma simplista, afiguram uma luz ao fundo do túnel.

Comparativamente a 2009, até ao mês de julho, a Atlântico Line transportou mais 23 por cento de passageiros e 18 por cento de viaturas. A núvem de cinzas do vulcão das Islândia, no entanto, será responsável por sensivelmente metade deste aumento, acrescentou o comandante.

Erros do Passado

Quase em fim de funções, o comandante admitiu que, “até ao ano passado, a Atlântico Line não terá satisfeito os interesses dos açorianos e da região”.

Para António Raposo, foram cometidos erros, pelos quais assumiu responsabilidade. O comandante referia-se, entre outras, às peripécias entre a empresa de transporte e os estaleiros de Viana do Castelo, que não cumpriram, no ano passado, o contrato de construção de navios, atrasando o início da época de ligações marítimas.
“Todas estas situações levaram a que tentássemos ‘desenrascar’ e, como todos sabemos, quando tentamos fazer isso, as coisas não correm bem”, admitiu.

De acordo com o presidente, o antigo secretário da Economia, Duarte Ponte, não terá seguido o melhor caminho para satisfazer as necessidades da região.

Outro erro assumido terá sido apostar em navios um pouco mais luxuosos, associados às viagens em cruzeiros, em detrimento de um transporte mais pragmático. O comandante defendeu que o que os açorianos querem é um transporte marítimo tipo “autocarro”, seguro, de confiança, regular e barato, mas sem descurar o conforto necessário às viagens mais longas.

Outra alteração a fazer é a colaboração necessária entre as várias formas de transporte. De acordo com Raposo, tem de haver concertação entre transportadoras aéreas e marítimas. “Vivemos numa região pequena e, por isso, é preciso conjugar esforços para que não haja esbanjamento”, afirmou.

Atlântico Line quer viagens todo o ano e ligações regulares com o continente

Manter ligações entre as ilhas durante todo o ano e estabelecer rotas entre a região e o continente foram duas das ideias lançadas para a próxima temporada de transportes marítimos da Atlântico Line num encontro promovido, na passada terça feira, pela Câmara de Comércio de Angra do Heroísmo.

De acordo com o comandante António Raposo, à frente da empresa de transportes de passageiros e mercadorias, será viável esta ligação, tal como acontece com a Madeira, que tem uma ligação entre Portimão e o Funchal.

Alguns dos empresários presentes no encontro, no entanto, mostraram-se céticos a tão drásticas mudanças, especialmente na intenção de ligar as ilhas ao continente, e lançaram o aviso: primeiro melhorar o serviço nos Açores para só depois pensar numa extensão das rotas.

O comandante voltou a insistir que a frota será renovada para o ano de 2012, mas que o facto de estar a atual garantida até ao próximo ano dará à empresa mais espaço para preparar a época e estudar a possibilidade de fazer algumas melhorias ao sistema existente, nomeadamente, cultivar parcerias entre empresas regionais de transporte, melhorar o sistema de venda de bilhetes e ponderar a margem de lucro conseguida pelos agentes para cada viagem vendida.

Horários atrasados prejudicam jorgenses

À margem do jantar promovido pela Câmara de Comércio de Angra do Heroísmo para discutir o serviço de transportes marítimos oferecido pela Atlântico Line, DI foi falar com Fátima Silveira, a presidente de núcleo da Câmara de Comércio em São Jorge, sobre as lacunas no serviço garantido para aquela ilha.

Quais considera serem, especificamente, os problemas dos jorgenses em relação aos sistema de transportes marítimos?

Em primeiro lugar, os jorgenses e os operadores turísticos precisam que os horários sejam disponibilizados atempadamente, o que não tem acontecido até aqui. Esperemos que este ano isso não aconteça, para que os operadores turísticos tenham tempo de preparar a época alta.

Também queremos que os transportadores da Sata, da Transmaçor, da Atlânticoline, se sentem à mesa e conversem para que haja uma ligação no estabelecimento de horários e para que haja articulação entre eles.

Considera que, mesmo dentro do Triângulo, São Jorge é a ilha menos privilegiada?

Sim. São Jorge, por incrível que pareça, é a ilha mais central do Grupo Central, mas não é a mais bem servida a nível de transportes. Este ano as coisas compuseram-se, embora tardiamente e com todos os constradimentos que houve conseguiu-se resolver, mais ou menos, o problema. As expectativas estão no próximo ano: que barcos vão operar no Triângulo, se vamos ter barcos com qualidade e se serão feitos os horários atempadamente.

Concorda com o facto de São Jorge ser passada para segundo plano por ter poucos habitantes?

Não, de modo algum. Coesão não é isso. Para haver coesão tem de haver livre circulação de bens e pessoas, e enquanto isso não existir não há coesão, não há democracia, não há tratamento igual para todos. E o facto de as ilhas pequenas, como São Jorge, movimentarem menos pessoas não pode ser de jeito nenhum tido em conta para a definição dos horários.

Quem garante que, se os horários começarem a ser distribuídos atempadamente e em articulação com outros meios de transporte, São Jorge não começara a ter mais movimento? Como podemos saber se há menos pessoas a circular e se, até aqui, os horários têm sido suficientes?

As pessoas têm tido conhecimento deles tardiamente e não puderam programar as suas férias. O que esperamos é que comece a haver mais movimento, com horários mais adequados e articulados com outros transportes e postos à disposição atempadamente, para que as pessoas possam programar as suas férias e ir a São Jorge.

Quando colocou algumas questões bem mais pragmáticas, o comandante Raposo escusava-se repetidamente, dizendo que não seriam as suas funções adequadas para resolver alguns dos problemas que adiantava. O que achou desta posição?

Pois, se calhar ele não tinha as respostas que eu pretendia. Da parte dele foi, sem dúvida, uma forma inteligente  de lidar com a situação.

Perguntou, também, se era suficiente a frequência de transportes oferecida. Considerou satisfatória a resposta dada?

O que está em causa nem é se são suficientes os toques, porque dizer que a ilha tem determinado número de toques pode não dizer muito se não forem devidamente adequados com outros meios de transporte e atempadamente divulgados. 

Que mercado tem São Jorge para oferecer para o transporte marítimo de passageiros?

Temos uma oferta turística específica, como qualquer ilha, e no nosso caso, é muito concentrada no turismo de natureza. Concretamente, temos para oferecer dias de paz e de tranquilidade. Temos muito para oferecer.


 

Comentários

Deixar Comentário

Quantos são Nove mais Um? O que é isto?

Pesquisar

Conhecer Todos
Conhecer Todos