Economia

Águas termais dos Açores pouco aproveitadas

  • 2 de Agosto de 2010
  • 790 Visualizações, Última Leitura a 19 Outubro 2017 às 02:50
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As águas mineromedicinais dos Açores têm qualidades reconhecidas pelos especialistas ao nível das doenças de pele e reumáticas, mas as termas do arquipélago ainda estão longe dos tempos áureos do passado. 

A variedade das águas minerais e termais fazem dos Açores um destino especialmente vocacionado para o turismo de saúde, que foi definido como uma das prioridades do plano de marketing estratégico da região.

Nesse sentido, o executivo regional lançou um plano de investimentos nos principais centros termais do arquipélago para aproveitar as potencialidades das águas mineromedicinais, que têm estado desaproveitadas nas últimas décadas.

O primeiro resultado concreto desta aposta na valorização das águas termais tornou-se visível no início de Junho, quando foram inauguradas as obras de remodelação das Termas da Ferraria, em S. Miguel.

As novas instalações termais foram apresentadas pelo presidente do governo regional, Carlos César, como uma “referência da qualidade que se pretende transmitir ao destino Açores, reforçando o acolhimento na componente turística da saúde e bem-estar”.

Apesar disso, as Termas da Ferraria continuam fechadas dois meses depois da sua inauguração, permanecendo as suas águas termais inacessíveis ao público.

Esta semana, também no quadro deste plano de investimentos, foram inauguradas as novas instalações das Termas do Carapacho, na Graciosa, ficando a faltar apenas a remodelação das Termas do Varadouro, no Faial, cujas obras ainda não arrancaram.

No que se refere às termas tradicionais existentes nos Açores aguarda-se também a abertura das Termas das Furnas, em S. Miguel, as primeiras a serem adjudicadas, que já deveriam estar a funcionar há cerca de dois anos.

Nas Furnas vai funcionar o primeiro Hotel Spa dos Açores, já pronto mas ainda de portas fechadas à espera que se resolvam os problemas financeiros da empresa a quem foi adjudicada a exploração das termas.

Além destes pólos termais tradicionais, o arquipélago dispõe de outros locais de interesse termal, como as Caldeiras da Ribeira Grande, em S. Miguel, ou o Posto Santo, na Terceira.

Para estudar o aproveitamento sustentado destes recursos hídricos, alguns com características únicas no mundo, o governo regional lançou o TERMAZ, um projecto de investigação que visa também a obtenção de produtos inovadores num quadro de preservação ambiental.

A actividade vulcânica e sismotectónica associada à formação do arquipélago originou numerosas nascentes termais e fumarolas cujas potencialidades se pretende aproveitar numa estratégia de consolidação da oferta turística dos Açores.


Propriedades curativas

As propriedades curativas das águas termais dos Açores, especialmente ao nível das doenças de pele e reumáticas, são conhecidas há centenas de anos, existindo referências às suas características especiais datadas do século XVI.

As Termas da Ferraria datam de meados do século XX, mas as qualidades da sua água já eram referidas quatro séculos antes por Gaspar Frutuoso na obra ‘Saudades da Terra’.

Consideradas um caso único no mundo, devido à existência de água salgada termal com um teor de enxofre muito elevado, as águas da Ferraria, além de curarem problemas de reumatismo e nevrites, são também usadas para tratar de doenças do foro gástrico.

Depois de um abandono de várias décadas, as Termas da Ferraria sofreram obras de remodelação orçadas em mais de quatro milhões de euros que mantiveram a traça original do edifício e o dotaram de moderno equipamento.

Na Graciosa, as águas cloretadas, sódicas, sulfatadas e cálcicas das Termas do Carapacho são usadas desde 1750 no tratamento de reumatismo, colites e doenças de pele.

A estância termal, situada no sopé de uma alta falésia junto ao mar, abriu esta semana depois de sofrer obras de requalificação orçadas em mais de três milhões de euros que a dotaram, entre outras valências, de zonas para massagens e electroterapia.

Ainda a aguardar obras estão as Termas do Varadouro, no Faial, cujas águas sulfurosas foram descobertas em 1868 e são consideradas das melhores do país para o tratamento de doenças de pele e reumáticas.

O edifício termal, da autoria do arquitecto Read Teixeira, está fechado há vários anos, mas a sua reabilitação faz parte do plano de investimentos que o executivo regional definiu para promover o turismo de saúde no arquipélago.

Nas Termas das Furnas, em S. Miguel, as duas nascentes são utilizadas há cerca de 140 anos para banhos que os especialistas consideram um excelente tratamento para problemas de reumatismo e bronquite, dermatoses e doenças do aparelho digestivo.

A oferta termal dos Açores inclui ainda, entre outros locais, as Termas das Caldeiras da Ribeira Grande, em S. Miguel, cujo edifício principal foi construído em 1811.

O espaço é dominado por uma caldeira fervente de grandes dimensões, cujas águas em tons de azul claro estão em contínua ebulição, existindo ainda uma fumarola junto à qual foram construídos três tanques de pedra para água quente natural.


Mulheres são clientes habituais

Ainda são sobretudo as mulheres à procura de tratamento quem mais frequenta os balneários termais, mas a oferta de pacotes de bem-estar leva às termas cada vez mais clientes que não esperam uma cura, mas alguns dias sem stress.

De acordo com dados da Associação Termas de Portugal (ATP), em 2009 procuraram as termas 97 mil clientes, mais 1,1 por cento do que no ano anterior.

Embora a maioria dos clientes ainda procure as termas no sentido clássico, o número das pessoas que procuram as novas valências de bem-estar está a crescer exponencialmente nos últimos anos, já que representou 31 por cento do total em 2009, quando era apenas de dois por cento do total em 2004.

Segundo a ATP, 61 por cento dos clientes que procuram as termas no sentido tradicional são mulheres, 81 por cento do total de clientes tem mais de 44 anos e 14 por cento menos de 35 anos.

A classe social dominante é, neste caso, a média e média-baixa, com origem na Grande Lisboa ou no Grande Porto.

A maioria destes clientes mais tradicionais fica nas termas, em média, por 14 dias e volta por várias vezes, já que, segundo a ATP, verifica-se uma taxa de fidelização de 70 por cento.

Já quem procura mais a indústria do bem-estar tem sobretudo entre 25 e 45 anos, é de classe média/média–alta e vive em grandes centros urbanos.A relação entre os sexos que procuram este produto é mais equilibrado, mas a taxa de fidelização do cliente é mais baixa.

Normalmente ficam dois ou três dias, mas em hotéis de três estrelas ou superior.

O volume total de negócios dos balneários termais em 2009 foi de 20,1 milhões de euros (mais 2,1 por cento em relação a 2008), segundo a ATP.

 

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