Economia

PME perderam 80 milhões em 5 anos

  • 27 de Julho de 2010
  • 160 Visualizações, Última Leitura a 22 Agosto 2017 às 03:25
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Entre Janeiro de 2005 e Dezembro de 2009 a facturação das PME decresceu. O Estado continua ser mau pagador e deve 3.000 milhões.

As Pequenas e Médias Empresas (PME) são a estrutura base da economia portuguesa, representam 99% do tecido empresarial e assumem--se como a maior fonte geradora de crescimento e criação de emprego do País. No entanto, nos últimos anos as dificuldades económicas e a falta de competitividade têm ditado o fecho de empresas com a consequente perda de emprego. Em declarações ao Diário Económico, Fernando Augusto Morais, presidente da Associação Nacional das PME (ANPME) garante que nos últimos cinco anos estas empresas "entre Janeiro de 2005 e Dezembro de 2009 perderam 80 milhões de euros na sua facturação ou transacções comerciais".

Em 2005, de acordo com dados apurados pela ANPME nos balancetes do fecho dos exercícios, o volume de negócios gerado situou-se em 250 milhões de euros, valor que tem vindo a decrescer até aos 170 milhões de euros registados em 2009.

No que diz respeito ao emprego, as contas também não são animadoras. Augusto Morais afirma que as PME nacionais, empregam actualmente dois milhões de trabalhadores, numa população activa de 5,2 milhões de pessoas, distribuídos por 45% do sexo feminino e 55% masculino. Em média são 8,5 trabalhadores por empresa, mais ou menos a média europeia que é de 9,5. No entanto, em Abril de 2005 existiam em Portugal 479.616 PME, contando neste grupo os empresários em nome individual, ‘freelancer', microempresários, pequenos empresários e médios empresários. Hoje, são apenas 235 mil entidades (dados do Eurostat), feitas as contas, entre 2005 e Junho de 2010, saíram do mercado 244.616 empresários. Augusto Morais explicou que, neste total, é preciso ter em conta que cerca de 43 mil dissolveram as empresas e aguardam a retoma da economia, enquanto 11 entraram em processo de insolvência. No conjunto perderam-se 350 mil empregos.

Estado continua a ser mau pagador

Questionado sobre os constrangimentos que as empresas com este estatuto ainda enfrentam, Augusto Morais destaca o facto de "o Estado continua a dar exemplos de mau pagador. Atrasa pagamentos correntes às PME, a quem, neste momento, já deve 3.000 milhões de euros, agravando a conjuntura de crise, provocando o encerramento de muitas empresas". E refere ainda o pagamento do IVA por emissão de factura e "não pela via correcta da verificação do fluxo de cobrança, é um autêntico escândalo". Isto porque a empresa "sem ter recebido o valor da mercadoria mais o IVA, e muitas vezes não o recebe do cliente, mas entretanto já pagou ao Estado, porque legalmente a isso é obrigado, 21% da transacção", acusa Augusto Morais.

Segundo a Associação Nacional das PME, baseada na Recomendação Europeia 29003/361/CE de 6 de Maio, existe em Portugal, até Junho de 2010, cerca de 235 mil empresas com este estatuto. O critério para caracterizar uma PME são os definidos pela União Europeia: as empresas com menos de 250 trabalhadores, um volume de negócios igual ou inferior a 50 milhões de euros e um balanço menor ou igual a 43 milhões de euros.

Por sectores, o comércio e serviços dominam, já que 60% das entidades são PME, seguido da indústria com 17%. Empresas de construção e turismo têm uma quota de 10% cada, enquanto a agricultura e pescas são o sector menos representativo com apenas 3%.

Seis distritos concentram 75% das PME, são eles: Lisboa, Porto, Aveiro, Setúbal, Braga e Leiria, sendo que esta concentração é mais elevada em Lisboa e Porto, ambos com 51% destas empresas.

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