Economia

Portugal continua, aparentemente, a interpretar a importância da base das Lajes do ponto de vista político e diplomático, esquecendo-se de o fazer pelo prisma da estratégia e da ciência militar.

  • 29 de Março de 2008
  • 294 Visualizações, Última Leitura a 22 Novembro 2017 às 08:55
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A opinião é de Miguel Monjardino, do Instituto de Estudos Políticos da Universidade Católica.

 

 

 

Em declarações ao DI, o académico exemplifica este “erro” com a posição nacional em relação às movimentações dos EUA e de alguns parceiros europeus em direcção a África. Não posso assegurar indubitavelmente esta percepção, mas, pelos dados que chegam ao exterior, Portugal, no elemento que lhe permite o diálogo com a potência dominante, continua a ver a base das Lajes como um trunfo para manter o relacionamento privilegiado com os Estados Unidos”, justifica Miguel Monjardino professor da Católica adianta ainda que os círculos diplomáticos e políticos nacionais, aparentemente, persistem na ideia de que a infra-estrutura militar na Terceira já não tem o peso na estratégia americana que teve na Guerra fria. “E isto quando todas as evidências apontam no sentido contrário. Aliás, quero acreditar que tudo não passa de uma mera aparência e que, de facto, há uma visão portuguesa correcta deste assunto. Caso contrário, será algo extraordinário”, sublinha. “Será, por isso, fundamental que Portugal defina a sua posição em relação à importância da base das Lajes para si e para os Estados Unidos, mas em todas as vertentes”, alega Miguel Monjardino. Nesta análise, não pode esquecer que as Lajes sobreviveram a todas as convulsões estratégicas do mundo. O papel das Lajes tem sido desenvolvido pela potência dominante, e esta não mudou”, sublinha. As considerações do professor do Instituto de Estudos Políticos da Universidade Católica decorrem das actuais movimentações mundiais em relação ao continente negro, particularmente as dos EUA.“Esta administração americana tem implementado um vasto programa em África. Os EUA perceberam que naquele continente vai jogar-se uma parte do futuro. Da mesma forma, a China tem assumido a mesma postura, tal como a França e a Inglaterra”, contextualiza o académico. “Mas os Estados Unidos, ao contrário da China, não olham para África apenas do ponto de vista militar. Procuram criar condições para a democratização e a consolidação dos Estados naquela área. Daí a criação do comando africano, o africom: um comando que não será estritamente militar, mas sobretudo manterá funções como uma instituição de apoio à consolidação dos Estados africanos”, explica. E, segundo Miguel Monjardino, é nesta visão que entra a base das Lajes. “Em termos de projecção de forças, quer militares quer humanitárias, os EUA suportam a sua mobilidade numa rede de apoio. Ora, no sentido de África e, sobretudo, tendo em conta as distâncias envolvidas nessas rotas (aquele continente é enorme), a base das Lajes é importante para o apoio da rede de comunicações americana para o atlântico sul”, argumenta. Miguel Monjardino, partindo desta base de reflexão, alerta para a necessidade de Portugal não perder estas alterações e, acima de tudo, procurar marcar terreno. “Por exemplo, além das Lajes, a marinha Portuguesa pode ter um papel de relevo na fiscalização e no patrulhamento das águas na costa ocidental de África”, sugere Miguel Monjardino, inserindo essa ideia na necessidade da salvaguarda do controlo das rotas de comunicação navais no atlântico sul e na África ocidental. “Mas, por tudo isso, Portugal terá também de definir a sua posição em relação a África”, enfatiza.

 

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