Economia

Empreiteiros fazem “descontos”

  • 13 de Julho de 2010
  • 243 Visualizações, Última Leitura a 21 Outubro 2017 às 22:13
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O presidente da Associação dos Industriais de Construção Civil e Obras Públicas dos Açores (AICOPA) assume haver empreiteiros que tentam sobreviver à crise, apresentando preços 25 a 30% abaixo do valor mínimo dos concursos (públicos e particulares) a que se candidatam.

Albano Furtado manifesta-se preocupado pelo facto de se estar a assistir na Região a uma deflação de preços associados àqueles concursos, o que se traduz depois numa degradação dos praticados pelo sector e na consequente descapitalização das empresas.

“Os donos de obras já põem os preços baixos e as empresas, no desespero de terem trabalho e de se manterem vivas, concorrem com custos 25 a 30% abaixo do valor base do concurso. Ora, esta situação continuada de deflação leva à depressão”, admitiu ao Açoriano Oriental.

O problema agudiza-se, juntando as dificuldades de crédito na banca, que vinham de trás, a execução aquém do esperado dos projectos aprovados no âmbito do SIDER e o não pagamento de obras públicas já executadas e ainda não pagas.

Albano Furtado entende que o abaixamento de preços é mais complicado do que o estado de pré-falência em que se encontram algumas empresas (3 ou 4) do ramo.

É por isso que o presidente da AICOPA defende uma mexida na legislação, por forma a que “o valor mínimo de aceitação de uma proposta não seja o que está no Código da Contratação Pública, ou seja, 40% abaixo do valor base do concurso, mas no máximo 20%”.

O dirigente associativo considera não ser possível no futuro que pequenos e grandes empreiteiros sobrevivam no mercado com os ‘descontos’ que têm estado a fazer.

Por exemplo, “já houve um concurso em que a empresa concorrente, ganhadora e significativa da nossa praça, fez um preço 40% abaixo. Quem vai conseguir aguentar isto? Os pequenos, médios e grandes empreiteiros têm de se unir”, alertou.

A tendência de deflação dos preços não diz apenas respeito a obras relacionadas com concursos públicos, verifica-se também ao nível das particulares, de que são exemplo as lançadas por santas casas ou associações de bombeiros, que “vão na mesma senda das obras públicas”.

Albano Furtado critica que, na actual conjuntura desfavorável, os donos de obra e projectistas “já pegam nos preços e esmagam um bocadinho, colocando em 300 de valor base aquilo que antes valia 500”.

Na verdade, trata-se de um cenário “muito preocupante”, porque potenciamente agrava as dificuldades das empresas que ainda se vão aguentando.

À TSF o líder da Câmara do Comércio e Indústria de Ponta Delgada chamou a atenção para o facto de “nada de muito significativo” ter sido ainda feito para a retoma da construção.

Mário Fortuna entende que “é preciso gastar melhor” os orçamentos do Governo e das autarquias, além da criação de mecanismos de discriminação positiva das empresas regionais e a diminuição de obras junto ao mar, por serem mais onerosas e menos potenciadoras de emprego.

 

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