Economia

Região prejudicada pela aposta em produtos lácteos de marca branca

  • 29 de Junho de 2010
  • 327 Visualizações, Última Leitura a 23 Novembro 2017 às 23:52
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O mercado nacional está a adquirir queijo de marcas brancas (sem marca) no estrangeiro e os Açores são a região do país mais prejudicada.

Os produtos chegam a Portugal a um preço mais acessível do que é praticado no país, o que traz prejuízos para os produtores nacionais.

Segundo Pedro Pimentel, Secretário Geral da Associação Nacional dos Industriais de Lacticínios (ANIL), os Açores são a região em que se registam mais prejuízos com esta situação, “O impacto desta alteração faz-se sentir mais nos Açores”, realça.

O responsável da ANIL acredita que a Região tem potencialidades para produzir queijo de qualidade, no entanto salienta que neste momento a entrada no mercado é mais complicada.


Investigação e inovação

José Matos, especialista em leite e lacticínios, defensor da aposta em produtos transformados de qualidade, diz que ainda há tempo para mudar, desde que se recorra à “investigação e inovação”.

O professor da Universidade dos Açores recorda que já existem produtos com qualidade na Região, citando como exemplos a manteiga e os vários tipos de queijo. Contudo, segundo José Matos, falta divulgação.

“A manteiga dos Açores é muito boa. Tem um gosto especial”, frisa.

De acordo com o investigador da Universidade dos Açores, é preciso apostar em marketing, em novas formas de apresentar os produtos açorianos.“Há que investir muito nessa área”, sublinha.

José Matos alerta no entanto para as exigências do mercado. A conjuntura económica atual não facilita a entrada de novas marcas.“As famílias procuram marcas mais baratas”, adverte.


Aposta na diferenciação

Segundo José Matos, os Açores devem apostar na diferenciação dos produtos. De outra forma não conseguem competir com produtos do estrangeiro. Os motivos são óbvios. Por um lado, os Açores estão afastados do mercado, por outro falta-nos a inovação tecnológica de outros países. “Os Açores apesar de produzirem à nossa escola bastantes lacticínios, em termos quantitativos ficam a perder, em comparação com outros países”, salienta.


Estímulo do Governo

Para José Matos, o Governo Regional tem responsabilidade de estimular a aposta em produtos de qualidade. “A indústria tem um grande papel, mas é ao Governo que cabe o papel de estimulador deste processo”, defende.

O investigador salienta ainda que a solução não passa apenas pelo investimento financeiro. “O dinheiro é importante, mas é preciso claramente competências”, adianta.


Solução errada

A transformação de leite em marcas brancas é um dos principais problemas dos lacticínios na ilha Terceira, de acordo com Paulo Simões Ferreira, Presidente da Associação Agrícola da Ilha Terceira.

Tirando alguns exemplos de manteiga e queijo, Paulo Simões Ferreira diz que só se produz na Região leite em pó e queijo de barra, que desvaloriza o leite. “O preço ao produtor é consequência da má venda”, critica. 


“Açores nunca apostaram em marcas brancas”

Apesar das declarações do Secretário Geral da Associação Nacional dos Industriais de Lacticínios (ANIL), que afirma que os produtores dos Açores são os principais prejudicados com a entrada de produtos de marca branca estrangeiros em Portugal, o Governo Regional refuta a aposta dos Açores em marcas brancas.

“Não há nenhuma unidade industrial regional que faça aposta na marca branca. As marcas brancas são imposições das grandes superfícies”, frisou o Secretário Regional da Agricultura e Florestas, Noé Rodrigues. “Os Açores nunca apostaram em marcas brancas”, acrescentou.

De acordo com o Secretário Regional da Agricultura, a situação não é exclusiva do arquipélago, verificando-se também noutras regiões de Portugal e em diferentes países da Europa.

Segundo Noé Rodrigues, o Governo Regional não tem meios para intervir nesta situação. “O Governo não tabela preços. O Governo não tem mecanismos de intervenção no mercado”, salienta.

O governante acrescentou, no entanto, que o executivo açoriano promove a aposta em marcas açoriana.

Noé Rodrigues lembrou ainda que existem incentivos financeiros para marcas da Região.

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