Economia

Cavaco e Sócrates com perspectivas divergentes no Dia de Portugal

  • 11 de Junho de 2010
  • 226 Visualizações, Última Leitura a 18 Novembro 2017 às 21:33
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O Presidente da República afirmou ontem que Portugal chegou a “uma situação insustentável, defendendo o estabelecimento de um “contrato de coesão nacional”, no qual cabe aos agentes políticos uma “especial responsabilidade”.

“Como avisei na altura devida, chegámos a uma situação insustentável. Pela frente, temos grandes trabalhos, enormes tarefas, inevitáveis sacrifícios”, afirmou o chefe de Estado, Aníbal Cavaco Silva, na sessão solene das comemorações do 10 de Junho, que decorreram em Faro.
Porém, notou, “não foi com o desalento que se construiu Portugal”, e por isso este é o tempo de “fazer um esforço suplementar para concertar posições e gerar consensos”. “No contrato de coesão nacional que temos de estabelecer, transversal à sociedade portuguesa, cabe especial responsabilidade aos agentes políticos, aos governantes, aos deputados, aos autarcas de todo o País”, defendeu.

“As horas de infortúnio são momentos de responsabilidade. Este não é o tempo para querelas partidárias ou quezílias ideológicas que nos possam distrair do essencial”, acrescentou, reafirmando que “o essencial são os problemas concretos dos Portugueses”. Num discurso dominado pela actual situação de crise, o chefe de Estado voltou, contudo, a repetir um apelo que tem vindo a fazer ao longo dos últimos meses para a união dos portugueses.

“Temos de encontrar em nós próprios a força para vencer. Não baixemos os braços”, pediu, já depois de recordar que “a coesão nacional constitui um dos nossos bens mais preciosos”. “É necessário deixar para trás divisões estéreis e sem sentido para nos concentrarmos no essencial, para podermos olhar mais longe para o que é verdadeiramente importante, num espírito de unidade e de harmonia cívica”, pois, disse mais à frente “se o horizonte que avistamos é de dificuldades e de incerteza, mais razões temos para nos unirmos”.

“Estou certo de que juntos conseguiremos”, assegurou. Sócrates discorda O primeiro ministro, José Sócrates, recusou a ideia de que Portugal chegou a uma “situação insustentável”, expressão utilizada pelo Presidente da República, Cavaco Silva, no seu discurso do Dia de Portugal.

Minutos depois, à margem do final da sessão solene, José Sócrates, em declarações aos jornalistas, recusou a classificação de Portugal viver uma “situação insustentável” e afirmou que Portugal estava sim numa “situação de dificuldade”.

José Sócrates, por seu lado, acrescentou que “estamos numa situação de dificuldade, como estão todos os países europeus, mas não estamos numa situação insustentável”.

Para o primeiro-ministro, o discurso do Presidente da República na sessão solene do Dia de Portugal foi de apelo à unidade e coesão social dos portugueses, nomeadamente entre trabalhadores e empregadores.

“O Presidente da República quis sublinhar a unidade num dia em que se celebram os valores da nossa pátria e o Presidente apelou à unidade, em particular o aspecto do entendimento social entre trabalhadores e empregadores”, referiu.

Sócrates disse que as medidas de austeridade aprovadas são justas e que todos os países da Europa o estão a fazer para dar confiança aos mercados internacionais.

“Há grupos sociais que pagam mais e fazem um maior esforço e há grupos sociais que pagam menos que fazem menos esforço. Eu acho que era disto que o Presidente estava a falar e é isto que dá unidade aos portugueses e a justa distribuição”.


Discurso de Cavaco divide opiniões na oposição e é alvo de diferentes análises

O secretário geral do PCP classificou como “de circunstância” o discurso proferido pelo Presidente da República, lamentando que Cavaco Silva tenha “esquecido” a defesa da soberania nacional.

Por sua vez, o secretário geral do PSD considerou que o discurso do 10 de Junho de Cavaco Silva “simboliza bem a actualidade”, sublinhando que os exemplos têm que vir de cima nos sacrifícios que estão a ser pedidos aos portugueses.

O líder do BE acusou o Presidente da República de fazer um discurso “socialmente arrogante”, referindo-se às declarações de Cavaco Silva no âmbito do 10 de Junho. Louçã criticou o facto de Cavaco Silva ter apelado aos governantes para que “expliquem melhor” as medidas de austeridade.


César diz que Cavaco está “cansado e sem entusiasmo”

O presidente do Governo Regional dos Açores, Carlos César, considerou ontem que Cavaco Silva esteve “cansado e sem entusiasmo” no discurso do Dia de Portugal, onde afastou responsabilidades sobre a actual crise que se verifica no país.

“O país ouviu um Presidente cansado e sem entusiasmo, que andou às voltas com os papéis para dizer que não tinha nada a ver com as razões da crise”, afirmou Carlos César, num comentário à Lusa sobre o discurso do Presidente da República na cerimónia oficial do 10 de Junho, realizada em Faro.

Carlos César considerou, no entanto, “positivo” que Cavaco Silva tenha feito “um discurso alinhado com um tema recorrente na apreciação do momento que vivemos, o da coesão e da corresponsabilização”.

No mesmo sentido, manifestou concordância com o apelo que Cavaco Silva fez “à responsabilidade dos empregadores e empregados”, mas deixou um alerta relativamente à referência do Presidente da República à necessidade de “limpar Portugal”.

Para Carlos César, se essa referência “for despida de conteúdo institucional útil, tratou-se de mais um discurso que se perderá na babugem política daquilo que Cavaco Silva entendeu recordar como o ‘rectângulo’”.


Condecorações marcam celebração de feriado nacional no arquipélago

Este ano foram três os açorianos merecedores de distinção por parte da Presidência da República, a propósito de mais um Dia de Portugal. O escritor Álamo Oliveira e o vulcanólogo Victor Hugo Forjaz receberam ontem, em Angra do Heroísmo, as comendas da Ordem do Mérito e Ordem do Infante, que lhes foram atribuídas pelo Presidente da República.

O escritor Álamo Oliveira, 65 anos, distinguido com o grau de comendador da Ordem do Mérito, publicou 34 títulos e alguns dos seus livros em poesia e prosa estão traduzidos em inglês, francês, espanhol, croata e japonês.

Victor Hugo Forjaz, vulcanólogo, 70 anos que dirige o Observatório Vulcanológico e Geotérmico dos Açores, recebeu a comenda da Ordem do Infante D. Henrique. Grato, o cientista salientou na ocasião que nunca existe uma agraciação justa pois deixa sempre outros “igualmente merecedores”, de fora.

A distinção do Presidente da República, Cavaco Silva, foi atribuída a uma outra personalidade açoriana, o professor de educação física Jorge Amaral Borges - Grande Oficial da Ordem de Instrução. Para este distinguido, o primeiro açoriano licenciado em Educação Física, a distinção é entendida “como o reconhecimento de que fizemos alguma coisa e é sempre agradável saber que alguém reconhece o que fazemos ao longo dos anos, muito mais quando se trata de um reconhecimento nacional”.

A entrega de tais distinções constou do programa das celebrações oficiais na Região do 10 de Junho, Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas. Na imposição das condecorações, José António Mesquita, o Representante da República nos Açores, sublinhou que as personalidades distinguidas por Cavaco Silva “cada um na área da sua vida e actuação, na ciência e na cultura deu um contributo notável ao enriquecimento do vasto património cultural de que os Açores se podem e devem orgulhar”.

Organizadas pelo gabinete do Representante da República, as comemorações integraram uma celebração religiosa presidida pelo bispo de Angra, uma conferência do universitário luso-americano Onésimo Teotónio de Almeida sob o título “Açores (& Diáspora), Portugal, Europa – identidades em movimento” e uma recepção oficial no Solar da Madre de Deus.

Para aquela recepção foram convidadas as principais entidades representativas dos Açores, nomeadamente o presidente da Assembleia Legislativa Regional dos Açores e o vice-presidente do Executivo açoriano, que ali esteve em representação do presidente do Governo açoriano, Carlos César, bem como membros do Executivo, deputados, autarcas, dirigentes de instituições e representantes de diversas associações de importante papel na vida social da Região Autónoma dos Açores.

 

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