Economia

As aves são nas ilhas um potencial adormecido

  • 2 de Junho de 2010
  • 271 Visualizações, Última Leitura a 21 Novembro 2017 às 15:29
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Entrevista a josé Toste, Director da ART:

Decorreu, no fim de semana, em S. Jorge, um curso de "Iniciação à observação de Aves dos Açores". Qual o balanço final da iniciativa?

O balanço final, de uma forma geral, foi bom, embora as condições climatéricas que se fizeram sentir durante o fim de semana tenham dificultado a observação das aves no seu meio natural, principalmente nas zonas de altitude mais afetadas pelo nevoeiro e vento.

Por outro lado, embora tenhamos tido a presença de alguns participantes das ilhas vizinhas, verificou-se uma fraca adesão por parte da população local, tendo sido a maior parte dos participantes pessoas estrangeiras ou do continente português que trabalham atualmente na ilha de São Jorge.

Julgamos que as pessoas naturais das ilhas ainda estão pouco despertas para esta temática, pelo que é importante dar continuidade a estas formações, tanto para as empresas e guias que trabalham diretamente com o turista que visita os Açores, como para os açorianos, para sensibilização e educação do património natural da Região. 

O turismo de ornitologia está em crescimento em todo o mundo. Quais são as perspetivas para esta atividade na Região?

Este é um setor de turismo emergente em que os Açores devem apostar. Para que esta atividade se desenvolva, é necessário que se faça divulgação para o exterior, sendo também preciso criar condições para receber o turista, nomeadamente a formação direcionada às empresas e guias que trabalham diretamente com quem nos visita, ou seja, é preciso organizar a oferta e é neste sentido que a ART está empenhada em trabalhar.

Os Açores possuem um bom potencial para observação de aves, e são mesmo considerados por muitos, pela sua posição geográfica, o melhor local da Europa para observação de aves migratórias do continente americano, podendo mesmo ser um turismo estratégico a apostar em determinadas ilhas, como, por exemplo, a ilha do Corvo, que tem registado um número elevado de turistas para observação de aves e que devido à dimensão da ilha, poderá ter um impacto bastante significativo na economia da ilha.

Por outro lado, este é um nicho de mercado que pode ajudar a combater a sazonalidade dos Açores, já que a atividade se pratica principalmente nos meses de outono e primavera.

Este curso de iniciação surgiu a pedido das empresas de animação turística. Há falta de formação e de oferta de produtos dentro dessas empresas?

Sim, a oferta deste serviço ainda está muito pouco divulgada e estruturada. Poderá ser mais um produto a explorar, pois existe um rico património natural marinho e terrestre.

No mar, as empresas marítimo-turisticas podem explorar as aves marinhas e poderá mesmo complementar as saídas para o mar para observação de cetáceos.

Em terra, existem spots nas ilhas dos Açores bastante interessantes para observar quer aves residentes dos açores, aves cinegéticas como a narceja e galinhola que exibem cantos e voos bastante exuberantes no período de reprodução, quer as aves migratórias limícolas que se podem observar em pauis e pequenos charcos. O Paul do Cabo da Praia, antiga pedreira, é um dos spots com maior diversidade para observação de aves migratórias limícolas e que interessa preservar e melhorar as condições para o desenvolvimento do turismo ornitológico nos açores.

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