Economia

Porto da Praia é uma das duas portas de carga marítima

  • 19 de Maio de 2010
  • 218 Visualizações, Última Leitura a 26 Setembro 2017 às 12:48
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O porto da Praia da Vitória vai, “naturalmente”, transformar-se num porto de baldeação e distribuição de carga para os grupos Central e Ocidental, considera o ex-diretor da Administração dos Portos da Terceira e Graciosa (APTG).

José Ribeiro Pinto, que, na noite de segunda feira, participava no debate do Instituto Histórico da Ilha Terceira (IHIT) sobre a construção de um cais de cruzeiros na baía de Angra, diz que o futuro do transporte marítimo de mercadorias no arquipélago implica a existência de duas “portas de entrada” (Ponta Delgada e Praia da Vitória) e a consequente distribuição da carga para as restantes ilhas.

“O porto da Praia da Vitória tem as infra-estruturas construídas e é o único com capacidade de crescimento. Porque, fazer crescer a capacidade em Ponta Delgada, implicará a construção de um segundo porto. E, tendo em conta os volumes de carga descarregada na Praia e nas restantes ilhas, exceptuando Ponta Delgada, é notório que o caminho aponta para a existência de duas portas de entrada, sendo a carga baldeada e direccionada para as outras ilhas”, argumentou.

Fazer contas

Segundo explicou Ribeiro Pinto, só as obrigações do serviço público que regulam o transporte de mercadorias garantem que um navio porta-contentores se desloque a ilhas que absorvem menos de quatro por cento da carga descarregada no arquipélago, caso das Flores, Pico ou Faial.

“Se analisarmos as operações semanais, perceberemos que um dos três operadores não realiza as escalas todas. E pelo que sei, em muitos casos, os armadores preferem pagar 500 euros por contentor para que outro lhes leve o contentor para uma ilha, onde teriam de ir descarregar meia dúzia”, alegou o ex-director da APTG.

“O importante, parece-me, é estudar-se este assunto e concluir-se quanto custará um contentor se for descarregado na Praia e depois transportado para outra ilha. Essas contas é que vão estabelecer se este modelo é ou não viável”, sublinhou.

Os dados do serviço regional de Estatística relativos a 2009 indicam que o porto de Ponta Delgada recebe 55,7 por cento da carga descarregada no arquipélago e que o porto da Praia da Vitória recebe 25,6 por cento.

As restantes ilhas absorveram 18,7 por cento da carga descarregada.

“Além disso, analisando essa distribuição, percebe-se que, ao contrário do que dizem alguns críticos de um modelo baseado em duas portas de entrada, hoje já existe baldeação de carga no arquipélago. Há carga que é descarregada em Ponta Delgada e que, depois, é carregada para outro navio e encaminhada, por exemplo, para o Faial, ou para o Pico. E o custo não sobe”, afirmou.

“Por exemplo, à Graciosa só vai a Boxline, um dos três armadores que realizam o transporte entre o continente e o arquipélago. Quer isto dizer que a carga que segue para aquela ilha proveniente dos outros dois armadores é baldeada nalgum sítio e carregada para o navio da Boxline e transportada para a Graciosa”, sublinha.

Decisão política

Para Ribeiro Pinto, a concretização do modelo de transporte de mercadorias por via marítima assente em duas portas de entrada e na distribuição da mesma para as restantes ilhas a partir desses pontos “passa por uma decisão política”.

“Basta alterar as regras do serviço público. Mas a União Europeia, mais cedo ou mais tarde, vai obrigar à alteração do sistema actual, já que o porto de Ponta Delgada demonstra ser competitivo”, indicou.

Plataformas

O ex-director da APTG defende que a construção de uma plataforma logística de distribuição de cargas no porto da Praia da Vitória faz sentido, mas apenas se nascer da iniciativa privada.

“Enquanto a mudança do modelo de transporte depende de uma decisão política, a criação de plataformas logísticas não depende dessa decisão. A não ser que o Governo Regional decida assumir os custos dessa infra-estrutura. Na minha opinião, parece-me que o surgimento de uma plataforma logística na Praia será uma solução lógica e natural, decorrente da concentração de carga naquele porto”, argumentou Ribeiro Pinto.

“Aliás, ao contrário das vozes que se levantam do Faial, o PROTA - o plano de ordenamento do território - não cria plataformas logísticas. Apenas abre a porta a essa possibilidade. Nada mais. Convinha que a discussão sobre este assunto fosse feita com seriedade”, reivindicou.

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