Economia

César atribui dificuldades na construção civil a “más obras”

  • 19 de Maio de 2010
  • 240 Visualizações, Última Leitura a 21 Agosto 2017 às 00:51
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Na opinião de Carlos César, presidente do Governo Regional, não é a falta de obras o principal entrave à recuperação do sector da construção civil açoriana, mas a ausência de “sentido de inovação” dos empresários do sector que, “em muitos casos”, apostam em “más obras” e carecem de uma “observação das oportunidades.”

Ontem, durante o discurso que proferiu na cerimónia de lançamento da primeira pedra da empreitada de construção da creche, ATL e colónia de férias da Coriscolândia, César frisou que “quando se diz que os nossos empresários da construção civil têm poucas obras, o problema é que, em muitos casos, têm más obras”.

“Fazem obras onde não são necessárias, onde o mercado está esgotado, têm pouco sentido de inovação e precisam de melhorar a sua prospecção do mercado e a sua observação das oportunidades, porque ser-se empresário é justamente também ter a noção adequada dos sucessos previsíveis para os seus investimentos”, explicou o presidente do Executivo Regional.

Em declarações ao Açoriano Oriental, Albano Furtado, presidente da direcção da Associação dos Industriais da Construção Civil e Obras Públicas dos Açores (AICOPA) manifestou alguma perplexidade perante as declarações de Carlos César, afirmando que “não entende o que o presidente do Governo Regional quer dizer quando refere más obras.”
 
“Os empresários fazem as obras que estão disponíveis, com a qualidade exigida por lei, cumprem os regulamentos das edificações e, portanto, não concordo que existam más obras”, defendeu, acrescentando que “provavelmente o presidente estava a referir-se ao mercado imobiliário. De maneira nenhuma o mercado imobiliário está esgotado. Ele existe, há procura. O que aconteceu foi que, há dois anos, por cada dez que procuravam financiamento oito obtinham-no, e agora só três ou quatro é que o conseguem.”

Mário Fortuna, presidente da Câmara do Comércio e Indústria dos Açores (CCIA), não partilha também da opinião ontem manifestada pelo presidente do executivo Açoriano, que considera serem “desenquadradas da conjuntura actual”e rejeita “qualquer conclusão de que as empresas açorianas são medíocres.”

“Não se pode dizer que as empresas de construção açorianas escolhem más obras e não apontar as reais circunstâncias conjunturais, que não são da responsabilidade dos empresários. Os responsáveis por manter uma conjuntura económica estável são os governos. Não é justo apontar o dedo às empresas até porque algumas situações de dificuldade advêm de obras públicas que são adjudicadas em condições que não favorecem as empresas regionais”, argumentou o presidente da CCIA.

No entender de Mário Fortuna, as empresas de construção civil sediadas nos Açores são penalizadas pela “concorrência feroz” vinda de empresas exteriores e “estão em dificuldades porque de facto desapareceram obras e há trabalho que está a ser absorvido por empresas que aparecem de fora do nosso mercado, naturalmente, em procura do que não encontram noutros mercados.” Salientando que “são as empresas dos Açores que pagam os impostos que depois vão pagar as obras realizadas por empresas de fora”, Mário Fortuna conclui que é necessário “preservar o empresariado regional.”

Coriscolândia incluirá campo desportivo e numa fase posterior uma piscina

Orçada em 3 milhões de euros, assumidos na sua maioria pelo Governo Regional, a segunda fase do Complexo Ludicopedagógico da Coriscolândia, lançado pela Kairós, consistirá na construção de uma creche para 35 crianças, um atelier de tempos livres para 90 crianças e um campo desportivo com bancadas e balneários, estando também prevista, numa terceira fase, a construção de uma piscina.

Antoine de Laborde, arquitecto responsável pelo projecto, explicou ontem à margem da cerimónia de lançamento da obra que “esta vem resolver um problema de instalações da Coriscolândia e do Clube K. No fundo irá funcionar como um complexo que poderá ajudar, a nível social, tanto um bébé como adolescentes.”

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