Economia

Portugal cresce mais que a UE mas não tranquiliza

  • 13 de Maio de 2010
  • 251 Visualizações, Última Leitura a 18 Novembro 2017 às 21:32
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Portugal saiu da recessão técnica, crescendo 1,7% face a Março de 2008. Medidas do PEC podem travar recuperação sustentada

A economia portuguesa surpreendeu tudo e todos ao crescer 1,7% no primeiro trimestre, em comparação com o mesmo período do ano anterior, segundo a estimativa rápida do Instituto Nacional de Estatística (INE), ontem divulgada. E com uma expansão de 1% face ao trimestre anterior, Portugal escapa, aparentemente, a um novo período de recessão técnica, tornando-se o país com o maior crescimento em cadeia tanto na Zona Euro como na UE, superando até os números dos EUA.

A confirmarem-se as estimativas, é o melhor desempenho homólogo desde o final de 2007. Quanto ao crescimento em cadeia, é o mais significativo desde o segundo trimestre de 2005.

Os dados do INE são analisados com entusiasmo pelo Governo - com o primeiro-ministro a destacar que "Portugal foi o primeiro país a sair da recessão técnica - , mas com cautela pelos economistas, que prevêem oscilações para os próximos meses.

Para o ministro das Finanças, "estes números revelam a boa capacidade de recuperação da economia portuguesa, tendo em conta que é o sector exportador que dá aqui um contributo positivo neste crescimento". Teixeira dos Santos acrescentou que os valores dão "conforto" ao Governo para considerar que a previsão de um crescimento de 0,7% para o total do ano é "acertada e realista". No entanto, o ministro sublinhou que as medidas de consolidação orçamental são "essenciais", para "gerar condições de reforço da confiança dos mercados internacionais". Um recado que está em linha com a possibilidade, já admitida, de um agravamento fiscal.

Pela voz do secretário de Estado do Tesouro, Costa Pina, o Governo descartou a necessidade de o país recorrer ao megafundo de 750 mil milhões de euros, arquitectado pela UE e o FMI, para socorrer os países mais fragilizados.

"É um resultado melhor do que estava à espera, mas não me tranquiliza muito", observou o economista Silva Lopes. O ex-governador do Banco de Portugal disse que "há uma indicação de que esse crescimento foi motivado por um aumento da procura interna, mas isso deteriora o problema do equilíbrio externo", sublinhando a necessidade de medidas de contenção como as anunciadas pela Espanha. Também pelo impacto das previstas medidas de redução da despesa teme-se que tal possa comprometer uma recuperação sustentada.

Bagão Félix mostra-se igualmente "prudente", com os dados do INE, porque a comparação é feita com "um período brutalmente recessivo". Por outro lado, parte do crescimento deveu-se ao aumento de bens como automóveis, que aumentou 50% face ao trimestre homólogo. O tom geral é de grande pessimismo quanto ao futuro.

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