Economia

Estado atrasou pagamentos em 12 dias e demora em média cinco meses a pagar

  • 10 de Maio de 2010
  • 260 Visualizações, Última Leitura a 23 Setembro 2017 às 01:54
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O Estado atrasou-se, este ano, mais 12 dias a pagar aos fornecedores, demorando em média cinco meses a liquidar as suas contas, revela um estudo de uma consultora europeia hoje divulgado.

De acordo com o barómetro anual da Intrum Justitia, que avalia o índice de risco de pagamentos em 26 países europeus, os atrasos nos pagamentos aumentaram este ano, em Portugal, com o sector público a destacar-se pela negativa, com demoras mais significativas do que as empresas e os consumidores.

No total, as entidades públicas demoram agora 141 dias, em média, a liquidar uma factura, contrariando a tendência de diminuição dos atrasos que tinham evidenciado em 2009 e 2008.

Isto apesar de ter sido aprovada no final de Abril uma lei que obriga o Estado a pagar juros de mora se atrasar o pagamento aos fornecedores mesmo que não tenha assinado um contrato, a partir de Setembro.

O director-geral da Intrum Justitia Portugal afirmou, no entanto, que a legislação "está desfasada da realidade".

"Se esta lei fosse aplicada o Estado ia à falência", ironizou Luís Salvaterra, considerando que "é impossível" passar de um prazo de pagamento de 141 para 60 dias até Setembro, como prevê a legislação.

Por outro lado, "as pessoas continuam a querer trabalhar com o Estado", apesar de ser mau pagador.

"Sabem que o Estado vai pagar, mesmo que seja mais tarde. O preço, muitas vezes, já inclui os atrasos", salientou Luís Salvaterra.

O estudo, que se baseou em 6.000 entrevistas a empresas, concluiu ainda que a percentagem de incobráveis também aumentou, passando de 2,7 para 2,8 por cento, acima da média europeia (2,6 por cento).

As consequências são graves: um quarto das empresas vão à falência devido a atrasos e não pagamentos.

Mais de 90 por cento dos inquiridos disseram receber os pagamentos mais tarde porque os devedores estão a enfrentar dificuldades financeiras devido à recessão, o que resulta numa redução de vendas, menor liquidez e pagamento de juros adicionais.

As restrições na concessão de crédito são outra das preocupações: "As empresas não se financiam com os bancos - que estão cada vez mais restritivos -, mas sim com os fornecedores. Isto cria um efeito de bola de neve e desvirtua a economia", adiantou o responsável da Intrum Justitia.

Portugal apresenta o risco de pagamento mais elevado em 25 países e é também um dos países em que as empresas mais demoram a agir: 30 por cento esperam em média 159 dias antes de recorreram a serviços especializados para recuperar o crédito.

"Quanto mais tempo as facturas ficam por pagar, mais difícil será recebê-las: quem chega primeiro é que recebe", advertiu Luís Salvaterra, que recomendou maior profissionalização nos departamentos de cobrança das empresas.

O aumento de impostos, uma possibilidade admitida domingo pelo ministro das Finanças, vai trazer dificuldades adicionais.

"Vai fazer com que as famílias tenham menos recursos. Se têm menos liquidez, vão consumir menos, logo vão afectar as empresas", declarou o mesmo responsável.

Além disso, "muitas pessoas contam com o 13º e 14º mês para pagarem despesas. Se isso faltar, certamente vai haver mais problemas", previu Luís Salvaterra.

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