Economia

Municípios querem voos regulares no espaço da Macaronésia

  • 25 de Março de 2008
  • 238 Visualizações, Última Leitura a 19 Agosto 2017 às 03:46
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“É urgentíssimo que se faça alguma coisa ao nível dos transportes e isso tem que ser feito através de regulamentação e dos governos, neste caso do Governo Regional dos Açores e do Governo do Estado de Cabo Verde”, defendeu na cidade do Mindelo a presidente da Associação de Municípios da Região Autónoma dos Açores (AMRAA).

Berta Cabral resumiu desta forma uma pretensão comum aos representantes dos municípios dos Açores, Madeira e Cabo Verde no decorrer de um debate promovido pela Rádio Açores/TSF em torno das VII Jornadas Autárquicas das Regiões Ultraperiféricas da União Europeia (UE) na ilha cabo-verdiana de São Vicente. A posição foi reforçada por Américo Silva, presidente da Associação Nacional de Municípios de Cabo Verde (ANMCV), para quem a questão dos transportes “é fundamental” e vai “depender sobretudo da vontade política dos governos”.

De resto, o representante dos autarcas deste Estado insular faz notar que já existem ligações via aérea e marítima com as Canárias, uma vez por semana, pelo que “por maioria de razão, deviam existir ligações com os Açores e Madeira”.

Tanto que a inexistência dessas ligações obriga os empresários açorianos que exportam para Cabo Verde a proceder ao transporte via Lisboa o que acarreta maiores custos e, consequentemente, preços finais menos competitivos.

Berta Cabral recordou que esse factor até já inviabilizou a continuidade da exportação de alguns bens, dando como exemplo a “carne refrigerada”.

Para o presidente da ANMCV, existe abertura por parte do governo cabo-verdiano e considera que se as ligações são viáveis para as Canárias, “porque não com os Açores e Madeira”.

Recordando que a questão foi discutida há quatro anos no decorrer de uma visita oficial do Governo Regional dos Açores ao Estado insular, para a presidente da AMRAA, a solução do estabelecimento de ligações aéreas pode ser encontrada através da SATA e da Transportadora Aérea de Cabo Verde (TACV).

“Eu julgo que se as duas juntarem esforços, é relativamente fácil pôr ‘de pé’ um projecto, nem que seja em regime charter, e fazer evoluir esse projecto sendo que a periodicidade será depois ditada pelo mercado”, desde que regular, disse Berta Cabral.

O desafio lançado pelos municípios aos respectivos governos é, então, o de que encontrem soluções, sugerindo que as rotas contemplem os Açores, a Madeira e Cabo Verde, por forma a optimizar as ligações.

A importância do factor transportes para expansão do movimento de pessoas e bens foi, de resto, sublinhada quando os autarcas foram questionados sobre as consequências práticas das intenções expressas em encontros da natureza das Jornadas.

Para Roberto Silva, presidente da Associação de Municípios da Região Autónoma Madeira (AMRAM), o acordo de cooperação que vai ser celebrado entre as associações de Açores e Cabo Verde “é prova de que (este tipo de eventos) não se fica só pelas palavras e vamos para os actos”, em particular no plano institucional. Reconhece que a distância é “penalizadora nestas situações” mas, acentua o representante da AMRAM, “o conhecimento e relacionamento pessoal entre os próprios presidentes” prolonga as jornadas pelo resto do ano, nem que seja com recurso ao “telefone”.

Ou seja, explicou, estabelecem-se relações de proximidade que potenciam parcerias e resolução de problemas entre os municípios nas mais diversas áreas de actuação.

Daí que que todos os intervenientes considerem essencial a prossecução das Jornadas Autárquicas das Regiões Ultraperiféricas da União Europeia (UE) e de Cabo Verde.

Recorde-se que a realização, pela primeira vez, destas jornadas em Cabo Verde ocorreu após o arquipélago ter estabelecido, em Novembro passado, um acordo de parceria especial com a UE.

Assim, Cabo Verde que já vinha participando no programa INTERREG, mas apenas com a realização de estudos, seminários e acções de formação, passará agora a ter direito a concorrer para a execução e gestão de projectos.

Na mesma altura em que se concretiza a entrada de Cabo Verde como sócio de pleno direito na Confederação dos Municípios das Regiões Ultraperiféricas da União Europeia, Américo Silva recusa a ideia de que a aproximação do Estado à Europa penalize as relações com África.

“Cabo Verde tem o direito de procurar âncoras em espaços seguros e dinâmicos economicamente”, afirmou.

O presidente da ANMCV reconhece, porém, que caso Cabo Verde consiga um acordo de mobilidade privilegiado com a UE, “poderá existir o risco de passar por aqui muita ‘gente’ em direcção à Europa”, sendo esse o aspecto mais sensível a salvaguardar.

 

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