Economia

Crise na Construção Civil gera aumento de denúncias entre empresas concorrentes

  • 29 de Abril de 2010
  • 231 Visualizações, Última Leitura a 20 Setembro 2017 às 00:29
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Ontem foi o Dia Nacional da Segurança no Trabalho. O Açoriano Oriental conversou com a Inspectora Regional do Trabalho sobre acidentes de trabalho e denúncias à Inspecção

A crise económica que se tem feito sentir nos Açores de forma particularmente marcante na construção civil tem motivado o surgimento de denúncias por falta de cumprimento das normas de segurança de empresas do sector.

Os autores dessas denúncias? Empresas concorrentes, afirma Paula Ramos, Inspectora Regional do Trabalho.

Muito embora, de acordo com Paula Ramos, a maioria dos processos instaurados por incumprimento das normas de segurança resulte da acção inspectiva desenvolvida pela Inspecção Regional do Trabalho, há cada vez mais empresas de construção civil a denunciar incumprimentos de empresas concorrentes.

Para Paula Ramos, a crise ajuda a explicar este “fenómeno”, se assim o podemos classificar, mas também uma maior consciência da importância da segurança por parte dos intervenientes.

“Agora com esta crise, todos aqueles [empresários da construção civil] que estão a funcionar regularmente olham para o lado e, quando vêem alguma situação de incumprimento em alguma empresa de construção civil, fazem-nos chegar algumas denúncias.

Acho muito bem”, afirma a Inspectora Regional do Trabalho, “porque é esse também o papel da sociedade civil - participar qualquer situação que lhe pareça estranha. A crise no mercado motivou uma consciencialização por parte dos empresários que investiram na segurança”, afirmou.

No que diz respeito à evolução do total de acidentes de trabalho nos Açores, nos últimos anos tem-se verificado uma diminuição gradual, quer no número de acidentes mortais, quer de acidentes não mortais.

Em 2007 ocorreram nos Açores 1988 acidentes em contexto de trabalho, dos quais resultaram quatro mortes. Destes, 597 ocorreram no sector da construção civil.

Em 2008, o número desceu para os 1884 acidentes de trabalho (três destes com vítimas mortais), 616 ocorridos na construção civil, enquanto que em 2009 houve 1626 acidentes de trabalho (dois mortais), 407 dos quais no mesmo sector.

Paula Ramos não associa esta descida necessariamente com a quebra de actividade no sector da construção civil registada nos últimos anos, mas antes com um aumento da consciencialização e da precaução.

“Eu penso que se verifica cada vez mais uma consciência de que a prevenção é fundamental, quer ao nível das empresas, quer ao nível dos próprios trabalhadores, e portanto, quanto a mim, esta diminuição resulta de uma maior consciencialização de todos os intervenientes”, sublinha a Inspectora Regional do Trabalho.

Porém, se analisarmos os números de acidentes de trabalho desde 1997, verificamos que a partir de 1998 até 2001 o número de acidentes de trabalho aumentou gradualmente, período que, por coincidência ou não, corresponde aos esforços de reconstrução no Faial após o sismo registado em 1998.

Quanto às causas dos acidentes de trabalho, em 2008, por exemplo, 36 por cento dos acidentes resultaram da utilização pouco cautelosa dos materiais, objectos, produtos, componentes de máquinas e estilhaços e poeiras, de acordo com Paula Ramos.

Quinze por cento dos acidentes correspondem a quedas em altura, seis por cento ocorreram com dispositivos de transporte e armazenamento, 5 por cento são de causa desconhecida e três por cento atribuídos a outras causas não especificadas.

“A falta de prevenção e de cuidado”, quer por parte das empresas, quer por parte dos próprios trabalhadores continua a ser, na opinião de Paula Ramos, o principal factor potenciador da ocorrência de acidentes em contexto de trabalho.

“O principal problema é a falta de cultura de prevenção, que é aquela que, no entanto, tem vindo a melhorar”, conclui a inspectora.

Maioria das vítimas são homens

Sendo a construção civil o sector produtivo açoriano com mais ocorrências de acidentes de trabalho, não é de estranhar que mais de 80 por cento das vítimas sejam do sexo masculino, dado que esta é uma actividade tradicionalmente desempenhada por homens.

Porém, analisando o período entre 1991 e 2009, verifica-se um aumento gradual do número de mulheres vítimas de acidentes em contexto de trabalho. Em 2007 as mulheres registaram 18,1 por cento dos acidentes, 18,3 por cento em 2008 e 21,2 por cento em 2009.

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