Economia

Indústrias criativas: Actividade "emergente" com "potencial económico" mas ainda embrionária em Portugal

  • 27 de Abril de 2010
  • 251 Visualizações, Última Leitura a 18 Dezembro 2017 às 20:22
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As indústrias criativas que mereceram destaque no discurso de domingo do Presidente da República, Cavaco Silva, nas comemorações do 25 de Abril, são uma actividade "emergente", com "muito potencial económico", mas ainda em fase "embrionária".

Nas comemorações do 25 de Abril, Cavaco Silva afirmou que "além da capital do país, o Porto é uma cidade que dispõe de todas as condições para ser um pólo aglutinador de novas indústrias criativas, ligadas às artes plásticas, à moda, publicidade, ao design, ao cinema, ao teatro, à música, à dança, mas também à informática, à comunicação e ao digital".

A directora geral da Fundação de Serralves, Odete Patrício, concorda com o Presidente da República (PR), afirmado à Lusa que a instituição acredita que "as indústrias criativas podem ter um papel importante no desenvolvimento económico do Norte e ser um novo paradigma de desenvolvimento".

"Há muita massa crítica no Porto. Nós temos a maior universidade e o maior politécnico país. O que é preciso é ajudar os potenciais empreendedores criativos a terem os instrumentos para transformar em excelentes ideias em realidade", sublinhou Odete Patrício.

Para a directora geral, é preciso criar condições para as indústrias criativas, nomeadamente "a nível de coaching, de financiamento e de orientação".

"Em Portugal, as indústrias criativas estão ainda numa fase muito embrionária, embora eu ache que há muitos sinais positivos porque se vê muita agitação e muitos projectos no terreno", disse.

Também Michael Dacosta Babb, director executivo da Agência para o Desenvolvimento das Indústrias Criativas (ADDICT) disse à Lusa que foi "muito importante, significativo e sintomático" o facto Cavaco Silva ter "incluído as indústrias criativas no discurso de um dia comemorativo tão importante para Portugal".

"A Addict é um cluster bebé. Estamos aqui para fazer crescer o sector e sabemos que temos ainda um longo caminho a percorrer", explicou Michael Dacosta Babb.

Segundo o director geral da Addict - que tem neste momento cerca de 90 associados - a estrutura está a "ajudar nas fundações, no início do sector", assumindo "sobretudo um papel de coordenação e de formação" ao mesmo tempo que promove "as indústrias criativas a nível nacional e internacional".

Para Paulo Vaz, director geral da Associação Têxtil e Vestuário de Portugal, o discurso do PR foi também "uma palavra de reconhecimento pelo papel das indústrias tradicionais na actividade económica do país, nomeadamente quando estas estão a demonstrar uma enorme capacidade de se modernizar e reestruturar".

"No caso da indústria têxtil e do vestuário, se não existisse já uma grande incorporação de design e de moda naquilo que hoje as empresas realizam muito dificilmente poderíamos manter-nos competitivos e concorrenciais no mercado global", considerou Paulo Vaz.

Também o presidente do Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores (INESC) do Porto, José Manuel Mendonça, vê a actividade das indústrias criativas como "emergente e embrionária", tendo visto no discurso de Cavaco Silva o objectivo "de encorajar a dinamização da actividade económica".

"A actividade das indústrias criativas resultará numa transformação efetiva do tecido empresarial", garantiu.

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